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Um pouco sobre a história da maior instituição LGBT da América Latina
   Blog Diversidade   │     12 de setembro de 2015   │     14:27  │  0

Caro leitor. Hoje trago aqui, um pouco da história da maior instituição LGBT da América Latina, que mesmo com todas as dificuldades vividas neste país, trabalha na articulação de politicas públicas em prol da comunidade LGBT brasileira, e fortalece o trabalho de suas filiadas, que hoje já são mais de 300.

Eu me orgulho em dizer que faço parte, e dei uma minuscula contribuição na construção da história dela, mas que somando aos demais companheiros, hoje somos o maior tubarão LGBT da América Latina.

#ABGLTdoTamanhodoBrasil

A atual missão da ABGLT é: “Promover ações que garantam a cidadania e os direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, contribuindo para a construção de uma sociedade democrática, na qual nenhuma pessoa seja submetida a quaisquer formas de discriminação, coerção e violência, em razão de suas orientações sexuais e identidades de gênero”. Neste sentido, a associação desempenha um papel de representação destes segmentos e articulação junto ao Executivo, ao Legislativo e ao Judiciário, visando cumprir sua missão.

 Em relação à criação da ABGLT, a Plenária Final do VII Encontro Brasileiro de Lésbicas e Homossexuais, realizado no Instituto Cajamar (São Paulo) entre 4 e 7 de setembro de 1993, decidiu pela “constituição de uma Comissão (Rede/Associação) Brasileira de Direitos Humanos para Gays e Lésbicas”.

 No decorrer do ano de 1994 foram realizadas tarefas, como a elaboração do estatuto e da carta de princípios (www.abglt.org.br/port/cartaprinc.php), e houve uma reunião presencial preparatória com participação expressiva em Curitiba nos dias 30 e 31 de julho daquele ano.

 A fundação da organização, que foi batizada com o nome “Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis – ABGLT”, ocorreu em 31 de janeiro de 1995, durante o VIII Encontro Brasileiro de Gays e Lésbicas, na cidade de Curitiba. A associação teve 31 grupos fundadores, sendo a maioria das organizações LGBT existentes na época.

 A formação de ABGLT representou um marco importante na história do movimento LGBT brasileiro porque possibilitou a criação de uma instância de abrangência nacional de representação com capacidade e legitimidade para levar as reivindicações do segmento até o Governo Federal, o que até então havia sido impossível. Foi uma estratégia que, ao mesmo tempo, ajudou o movimento LGBT a se organizar no país e também deu uma voz a um segmento da sociedade tradicionalmente marginalizado, contribuindo assim para a promoção de seus direitos humanos.

 A ABGLT tem cumprido o papel de representação nacional e de organização do movimento. Quando de sua fundação em 1995 havia menos de 40 grupos LGBT em todo o Brasil. Hoje tem mais de 300. Não havia nenhuma parada LGBT, hoje tem mais de 250, muitas em cidades do interior. Hoje há políticas públicas para LGBT, com uma Coordenação LGBT dentro da estrutura da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, e o Conselho Nacional LGBT com representação paritária do governo e da sociedade civil. A ABGLT não conseguiu tudo isso sozinha, mas sempre esteve à frente desse processo.

 Além dos direitos humanos, a ABGLT também tem tido atuação na área do enfrentamento da epidemia do HIV e Aids. Juntos a ABGLT e o Programa Nacional, após um desafio lançado pelo então coordenador Dr. Pedro Chequer no IX EBGLT em 1997 em São Paulo, construíram o Projeto Somos no final dos anos 1990. Começando como um projeto piloto com 4 grupos gays capacitando outros grupos incipientes nos temas de desenvolvimento organizacional, prevenção e advocacy, no seu auge por volta de 2005/2006, o projeto chegou a abranger 270 grupos em 220 municípios em todas as regiões do país.

 A ABGLT participou ativamente na construção conjunta (com o Governo Federal) do Programa Brasil Sem Homofobia, lançado em 2004 com 53 ações voltadas para a promoção da cidadania da população LGBT. Depois do lançamento do Programa, a ABGLT atuou com presença marcada durante os dois mandatos do presidente Lula, realizando ações de advocacy no Congresso Nacional e junto aos Ministérios.  Essa atuação contribuiu para vários avanços com as políticas públicas afirmativas para LGBT e a ABGLT foi entre as organizações da sociedade civil que participou da organização da 1ª Conferência Nacional LGBT em 2008. Um marco na história mundial.

 Na área da educação, um desdobramento do Programa Brasil Sem Homofobia foi a aprovação de uma emenda parlamentar articulada pela ABGLT no final de 2007, que permitiu o desenvolvimento do Projeto Escola Sem Homofobia, em parceria com várias organizações de renome, bem com o próprio Ministério da Educação. O Projeto teve vários produtos, incluindo: a realização um seminário em cada região do país a fim de obter um perfil da situação da homofobia na escola a partir da realidade cotidiana dos envolvidos; a realização de uma pesquisa qualitativa sobre homofobia na comunidade escolar em 11 capitais das 5 regiões do país; e a criação de um conjunto de materiais educativos com conteúdos teóricos e sugestões de atividades que ajudam a identificar e erradicar a homo-lesbo-transfobia do ambiente escolar, direcionado para gestores(as) e educadores(as). Como resultado de pressão de parlamentares fundamentalistas religiosos, os materiais educativos foram suspensos pela presidenta da república em maio de 2011. Apesar de não ter sido aplicado pelo Governo Federal, foi mobilizada uma grande discussão sobre a educação no país e o material foi divulgado pela Nova Escola com milhares de downloads, o que superou em muito a quantidade que o governo iria imprimir.

 Em 27 de julho de 2009 a ABGLT ganhou status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social (ECOSOC) das Nações Unidas. A ABGLT foi a primeira organização LGBT nas Américas a receber o status consultivo.  Esse status garante as organizações da sociedade civil a participação nos eventos das Nações Unidas, bem como poder falar em seu próprio nome durante as atividades que participa.  A participação efetiva das organizações LGBT, como a ABGLT tem feito, tem contribuído  de forma decisiva para a ampliação da atenção dada pela ONU à violação de direitos humanos e à discriminação por orientação sexual e identidade de gênero que ocorre pelo mundo.A ABGLT tem participado de vários encontros junto ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas; a Organização Mundial de Saúde; a Organização Pan-Americana de Saúde; a UNESCO; a UNICEF, a UNAIDS, etc. contribuindo na elaboração de documentos e consultas sobre a relação da população LGBT e os temas discutidos por cada uma das agencias (saúde, educação, trabalho, direitos humanos, entre outras).

 A ABGLT foi amicus curiae no Supremo Tribunal Federal em relação da Arguição de Descumprimento de Preceito Constitucional nº 132, promovida pelo governo do estado do Rio de Janeiro; e a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4277,  interposta pela Procuradoria-Geral da República, ambas sobre o reconhecimento da união estável homoafetiva. Por diversas vezes a ABGLT teve audiências com ministros(as) do STF, prestando esclarecimentos. Em 5 de maio de 2011, o STF reconheceu unanimemente o direito à equiparação da união homoafetiva à união estável entre casais do mesmo sexo.

 A ABGLT tem como prioridade a criminalização da discriminação e da violência motivadas por orientação sexual e identidade de gênero e vem apoiando constantemente proposições no legislativo e no judiciário voltadas para esta finalidade.

 Periodicamente desde 2005, a ABGLT realiza Congressos onde aprova teses a defina suas prioridades de atuação para o próximo período. O 5º Congresso da ABGLT foi realizado em Niterói em 2014.

 No decorrer de sua história, a ABGLT tem tido representação em instâncias nacionais de controle e participação social. Atualmente tem representação no Conselho Nacional de Saúde, Conselho Nacional de Segurança Pública, Conselho Nacional LGBT, Conselho Nacional de Direitos Humanos, Conselho Nacional de Juventude, no Fórum Nacional de Educação e na Comissão de Articulação com os Movimentos Sociais do Departamento Nacional de DST, Aids e Hepatites do Ministério da Saúde.

 A ABGLT já foi reconhecida por sua atuação, tendo recebido, entre outros, o Prêmio de Direitos Humanos do Governo Federal em 2007, a Ordem do Mérito Cultural em 2008, o Prêmio Aliados e o Prêmio Arco-Íris.

 Hoje a ABGLT hoje a ABGLT é uma rede consolidada com 308 entidades LGBT e congêneres afiliadas.

 ABGLT – 20 anos contribuindo para um Brasil sem discriminação e com liberdade de orientações sexuais e identidades de gênero.

Por: Toni Reis – Secretário de Educação da ABGLT

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Homofobia tem solução – criminalização já!
   Blog Diversidade   │     24 de janeiro de 2015   │     0:00  │  0

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Por: Toni Reis – Dautor em Educação, Secretário de Educação da ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.
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Todos os anos no Brasil, centenas de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) são assassinados tão somente em função de sua orientação sexual e/ou identidade de gênero diferentes da heteronorma convencionalmente aceita e imposta. A maioria desses casos permanece sem apuração e a impunidade reina, perpetuando a situação.

O “Relatório sobre Violência Homofóbica no Brasil: ano de 2012”, publicado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, revela que no ano de 2012 houve pelo menos 310 homicídios de LGBT no país. No mesmo ano, segundo a mesma fonte, também houve 9.982 denúncias de violações dos direitos humanos de pessoas LGBT. Não se trata de um ano atípico, e sim de um quadro que se repete todos os anos.

Entre as populações consideradas vulneráveis no Brasil, a população LGBT é a única que não tem legislação específica de proteção contra a discriminação e a violência, diferente das mulheres, dos negros, dos indígenas e assim por diante. E a oposição à aprovação de uma lei específica de proteção das pessoas LGBT vem sobremaneira de setores ultraconservadores e fundamentalistas para quem os direitos humanos são irrelevantes ou para quem convicções religiosas que não aceitam a homossexualidade vêm acima do princípio da laicidade do processo legislativo e do Estado.

As pessoas não escolhem nem optam por ser LGBT. Quem escolheria ou optaria para ser sujeito à discriminação e à violência que são interligadas a essa condição? A sexualidade não é estanque, ela é extremamente variada e suas diversas manifestações devem ser respeitadas.

A Constituição Federal do Brasil estabelece que não haverá discriminação de qualquer natureza e que todos são iguais perante a lei. Também assegura a dignidade humana e a segurança jurídica. Contudo, pelo quadro de discriminação e violência exposto acima, está evidente que os direitos constitucionais da população LGBT estão sendo feridos e é preciso protegê-los afirmativamente.

Após ter sido apensado à proposta do novo Código Penal em tramitação no Congresso Nacional, acabou sendo arquivado o Projeto de Lei da Câmara nº 122/2006, que tinha o objetivo de criminalizar diversas formas de violência e discriminação, inclusive por orientação sexual e identidade de gênero. Ou seja, 14 anos após a apresentação inicial desse projeto em 2001, voltou-se quase à estaca zero.

Para pôr fim à vergonhosa situação da impunidade da violência e discriminação contra as pessoas LGBT, o governo precisa fazer cumprir as afirmações feitas pela presidenta Dilma na abertura da 69ª Assembleia Geral das Nações Unidas e em seu programa de governo para o período 2015-2018, de que seu governo terá empenho em combater a violência contra homossexuais. Uma forma de transformar essa promessa em realidade é o apoio do governo a novas proposições legislativas nesta área, como o projeto de lei 7582/2014, da autoria da deputada Maria do Rosário (PT/RS) que define os crimes de ódio e intolerância e cria mecanismos para coibi-los.

Pelo menos outros 28 países já têm em vigor legislação que proíbe a incitação ao ódio por motivo de orientação sexual e identidade de gênero, inclusive nossos vizinhos Uruguai, Bolívia, Colômbia e Equador. O Brasil também precisa se afirmar como defensor dos direitos humanos nesta área, aprovando legislação que proteja a população LGBT contra a violência e a discriminação, cumprindo seus compromissos assumidos perante as Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos.

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Uma decisão rumo à igualdade de direitos para LGBT no Brasil: o Judiciário ilumina o Legislativo
   Blog Diversidade   │     15 de maio de 2013   │     18:13  │  3

Artigo

Toni Reis

Por: Toni Reis – Graduado em Letras pela Universidade Federal do Paraná, especialista em Sexualidade Humana pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem formação em Dinâmica dos Grupos pela Sociedade Brasileira de Dinâmica dos Grupos. É Mestre de Filosofia na área de ética e sexualidade pela Universidade Gama Filho. Doutor em Educação pela Universidade de la Empresa (Montevidéu). Ocupou o cargo de presidente (gestão 2010-2012) da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

Em 14 de maio de 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou a Resolução nº 175, que dispõe sobre a habilitação, celebração de casamento civil, ou de conversão de união estável em casamento, entre pessoas do mesmo sexo.

 

A medida vem em decorrência do processo iniciado pelo julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4277 / Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 132-RJ pelo Supremo Tribunal Federal em 5 de maio de 2011, reconhecendo a equiparação da união estável homoafetiva à heterossexual. Em 25 de outubro do mesmo ano, com a decisão sobre o Recurso  especial 1.183.378-RS pelo Superior Tribunal de Justiça, iniciou o reconhecimento da possibilidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo no Brasil e em virtude dessas decisões, todas os direitos e deveres decorridos dessas uniões passaram a ser garantidos, como direito à adoção, reconhecimento da condição de dependente, pensão por morte, direitos previdenciários, direitos sucessórios, entre outros.

 

No entanto, até a resolução do CNJ ontem, somente as corregedorias de justiça do Distrito Federal e de outros 13 estados (AL, BA, CE, ES, MS, PB, PR, PI, RJ, RO, SC, SP, SE) haviam emitido provimentos ou instruções normativas para os cartórios neste sentido. Nos demais 13 estados, não havia um procedimento definido. Com a resolução do CNJ, a situação fica normatizada em todo o Brasil.  Agora, caso um cartório se recusar a proceder o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, desde que atendidas as demais exigências legais, o caso será julgado pela corregedoria local de justiça.

Na foto o casal David Harrad e Toni Reis, com seu filho Alyson

 

 

A ausência de lei não quer dizer ausência de direitos. Enquanto o Judiciário faz seu papel, concretizando os direitos, baseado na Constituição Federal, o Congresso Nacional não legisla democraticamente e discute até a proposição tenebrosa do deputado João Campos (PSDB-GO) de curar a homossexualidade (que não é doença, segundo a Organização Mundial da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde) e a proposição absurda e indecorosa do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, de criminalizar a “heterofobia”.  

 

Em 25 anos desde a promulgação da Constituição “Cidadã”,   o Congresso Nacional, com a maioria dos legisladores pressionada por uma minoria fundamentalista, reacionária e conservadora, tem ficado omisso: não aprovou nenhuma lei que beneficiasse a comunidade LGBT até o momento, apesar das comprovadas iniquidades que enfrenta. Nesse sentido, o Judiciário está de parabéns por corrigir uma parte dessa lacuna. Esperamos que Congresso Nacional acorde, cumpra a Constituição Federal e aprove a penalização dos crimes de ódio e intolerância conforme proposto pelo senador Paulo Paim (PT/RS), sem que seja necessário o Judiciário novamente intervir para garantir que o preceito da total igualdade seja de fato cumprido.

 

Queremos um Congresso Nacional que legisle para todos e todas com uma visão laica, inclusive para as minorias, e não um Congresso que se deixe dominar pelo fundamentalismo religioso em troca de um projeto de manutenção de poder e interesses econômicos, como ocorreu de forma vergonhosa na Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Aliás, com a nova medida o Feliciano poderia casar com o Bolsonaro, com a bênção do Malafaia! Mas para falar sério, os conservadores de plantão não precisam ficar com medo – a resolução do CNJ não implica casamento compulsório de homem com homem ou mulher com mulher, apenas para quem tem sentimentos homoafetivos e deseja mesmo celebrar o casamento civil.

 

Alguns críticos falam que reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo é querer acabar com a família. São os mesmos argumentos que usavam para negar o direito das mulheres votarem e para se opor ao divórcio. Ledo engano: a família continua de vento em poupa. O que nós queremos é simplesmente construir a nossa família da nossa forma, em pé de igualdade e sem destruir a família de ninguém. Aos defensores do plebiscito sobre o reconhecimento da união entre pessoas, temos a dizer: sobre direitos não se pergunta, se respeita. Uma parte da população está tendo um direito reconhecido, e ninguém está perdendo nada.

 

A resolução do CNJ vem em boa hora. Ocorreu na semana em que no mundo inteiro se comemora o Dia 17 de Maio, Dia de Luta Contra Homofobia, oficializado no Brasil pelo Decreto Presidencial de 04 de junho de 2010. Com a resolução, o Brasil entra para a lista dos países civilizados que respeitam e reconhecem a comunidade LGBT como sujeitos de direitos.

 

Nas palavras do ministro Joaquim Barbosa, “Dar relevância às reivindicações de minorias, vítimas de opressão, exige que compreendamos a diversidade como o denominador comum de nossa humanidade.”

 

 

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O Deboche, a Palhaçada e o Jogo de Interesses – a Câmara dos Deputados e os Direitos Humanos: uma análise crítica
   Blog Diversidade   │     10 de março de 2013   │     20:45  │  0

Artigo

 

Por: Toni Reis – Doutor em educação e mestre em filosofia. Diretor-executivo do Grupo Dignidade e do Instituto Brasileiro de Diversidade Sexual. Secretário de educação da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays

 

Testemunhei pessoalmente o troca-troca na Câmara dos Deputados na semana passada (6 e 7 de março) para eleger o presidente e indicar integrantes da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, criada há 18 anos para institucionalizar a luta pela igualdade e contra a discriminação. Foi escandaloso, vergonhoso e inaceitável. Vi com meus próprios olhos a manipulação e o jogo de interesses. Vi o machismo e autoritarismo desrespeitosos do líder do PSC para com a deputada Antônia Lúcia (PSC/AC). Tive a infelicidade de ouvir Jair Bolsanaro (PP/RJ) falar que foi o melhor presente de aniversário e natal que já teve de todos os tempos.

 

Oito deputados do mesmo partido numa só Comissão não é coincidência, é trampa, e a maioria é ligada ao fundamentalismo religioso evangélico. Ao total, agora 13 dos 18 titulares da Comissão são pastores. Estuprar a proporcionalidade da representação partidária na Comissão está equivocado e fere o Regimento Interno da Câmara: as Comissões devem ser plurais.

 

Com essa eleição, a Câmara dos Deputados rasgou a Constituição Federal e a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Tornou-se, mais uma vez, uma vergonha para o Brasil e para o mundo. O Parlamento Brasileiro retornou à idade das trevas. É preciso que os (as) parlamentares relembrem e ajam de acordo com o princípio (e a lei) de que o Brasil é um Estado Laico. Com a ascendência do fundamentalismo religioso no Congresso Nacional, assiste-se a um espetáculo que relembra o surgimento da tomada do poder pelos nazistas na Alemanha dos anos 1930.

 

O episódio foi especialmente vergonhoso pela conivência do PMDB, PSDB, PR, PTB e PP em cederem vagas na Comissão para o PSC, além da incabível indicação de Jair Bolsonaro (PP/RJ) para integrá-la, bem como o PSB, o PSD e o PV indicando pastores em detrimento de pessoas historicamente atuantes no campo dos direitos humanos.

 

As origens de alguns desses partidos simbolizam a luta pela democracia e o rechaço ao autoritarismo no Brasil da Abertura. Quem diria?! Das 20 Comissões Permanentes da Câmara dos Deputados, a de Direitos Humanos foi a penúltima a ser escolhida, mostrando uma falta de prioridade generalizada.

 

Não é de se surpreender a estimativa de que uma pessoa é assassinada a cada 10 minutos no Brasil (Instituto Sangari, 2011) e que em 2011, segundo o UNODC, o país estava em primeiro lugar noranking do mundo neste quesito. O exemplo vem de cima, o Congresso Nacional não está preocupado com os direitos humanos e as consequências que este descaso traz.

 

Decepcionou também a falta de prioridade dada pelo PT e pelo PCdoB. Uma pergunta que ficou no ar é por que o PT priorizou a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional em detrimento da Comissão de Direitos Humanos e Minorias?

 

Repetiu-se mais uma vez a imperdoável negociação dos direitos humanos em troca de interesses políticos e do projeto de manutenção do poder, o que – no caso da população LGBT, negra, mulheres, indígenas – tem se tornado corriqueiro na atual legislatura.  Estamos cansados (as) de ser moeda de troca.

 

É uma aberração eleger para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias uma pessoa que é objeto de inquérito no Supremo Tribunal Federal, acusada de estelionato, racismo e homofobia.

 

Não faltam exemplos nas redes sociais comprovando algumas dessas alegações contra o Pastor Marco Feliciano (PSC/SP), eleito presidente da Comissão em 07 de março:

 

·         Em 30 de março de 2011 afirmou  em sua página no Twitter, que os africanos são descendentes de um “ancestral amaldiçoado por Noé” e que “sobre o continente africano repousa a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, Aids, fome…”;

 

·         No seguinte link  http://portugues.christianpost.com/news/marco-feliciano-denuncia-o-ativismo-gay-conexoes-com-hitler-e-a-aids-video-12838/

Consta vídeo no qual afirmou que “A Aids é uma doença gay”; que existe um ativismo gaypromovido por satanás que está “infiltrado” no governo brasileiro; que “enquanto crentes não saem para evangelizar… satanás levantou o seu ativismo [das pessoas LGBT] neste país. Ação de satanás contra a família brasileira”; que “O problema é o ativismo gay, o problema são pessoas que têm na sua cabeça o engendramento de satanás”; “São homens e mulheres que usam dos mesmos mecanismos que Stanley usou no seu comunismo nazista, usam a mesma linguagem de Hitler… uma mentira contada várias vezes com muita ênfase se torna verdade”.

 

Da mesma forma, no caso da censura presidencial ao vídeo da campanha do Ministério da Saúde de combate a DST/AIDS no carnaval de 2012, com personagens gays, o deputado Marco Feliciano não só comemorou a retirada do vídeo da campanha com o casal gay do ar como também creditou à Frente Evangélica o “feito”. Em seu Twitter, o deputado postou o link de uma matéria sobre a censura do material e sentenciou: “Pressão nossa”, numa clara demonstração da interferência religiosa na laicidade do Estado.

 

Em outra ocasião afirmou que “a podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime e à rejeição”.

 

Pastor Marco Feliciano, que diz não ser homofóbico, também é autor das seguintes proposições, entre outras, que visam a negar a igualdade de direitos à população LGBT:

 

Projeto de Decreto Legislativo 637/2012 – Ementa: Susta a aplicação da decisão do Supremo Tribunal Federal proferida na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4277 e na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 132, que reconhece como entidade familiar a união entre pessoas do mesmo sexo.

 

Projeto de Decreto Legislativo 521 e 495/2011 – Ementa: convoca plebiscito sobre o reconhecimento legal da união homossexual como entidade familiar.

 

Também apoia o Projeto de Decreto Legislativo 234/2011 – Ementa: Susta a aplicação do Parágrafo Único do Artigo 3º e Artigo 4º da Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 1, de 23 de março de 1999, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual.

 

A cruzada anti-LGBT promovida por Feliciano e outros fundamentalistas no Parlamento Brasileiro vai contra a maré internacional, tanto dos países vizinhos como Argentina e Uruguai, quanto a França e a Inglaterra, todos se esforçando para garantir o alcance da plena igualdade de direitos pelas pessoas LGBT. No nosso continente também o presidente Obama não tem medo de expressar essa convicção publicamente, como fez no discurso da posse em janeiro deste ano: “Nossa jornada não será completa até que nossos irmãos e irmãs LGBT sejam tratados como qualquer outro perante a lei – pois se somos verdadeiramente criados iguais, então certamente o amor que dedicamos um ao outro deve ser igual também.” Não queremos privilégios, queremos tão somente direitos iguais, nem menos, nem mais.

 

Assim com Feliciano, os correligionários eleitos na mesma ocasião na semana passada também atuam na contramão da plenitude e universalidade dos direitos humanos em outras questões também, como as terras indígenas, os direitos sexuais e os direitos reprodutivos das mulheres, as políticas afirmativas de acesso da população negra às universidades, e assim por diante.  Com sua nova composição, como bem disse a deputada Luiza Erundina (PSB/SP) “esta Comissão não é mais de direitos humanos”.

 

Entendemos que o fundamentalismo e a intolerância religiosos manifestados pelo Pastor Marco Feliciano e seus asseclas não são representativos da maioria das pessoas evangélicas e somos defensores intransigentes da liberdade de opinião e crença, desde que não se tornem apologia de preconceitos, discriminação, violência e crimes, como o racismo e a homofobia.

 

Que a Câmara prime pelo bom senso e que realize uma nova eleição da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, uma vez que a maneira como a eleição foi realizada a portas fechadas no dia 7 de março de 2013 contrariou o artigo 48 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. Isto faz lembrar os idos de 1964.

 

Perdemos uma batalha, mas não perdemos a guerra. Todo apoio à criação da Frente Parlamentar dos Direitos Humanos e nossos agradecimentos pelos esforços expendidos pelos/as seguintes parlamentares, entre outros (as), na tentativa de reverter a desastrosa eleição: Janete Pietá (PT/SP), Domingos Dutra  (PT/MA), Jean Wyllys (PSOL/RJ), Érika Kokay (PT/DF), Ivan Valente (PSOL/SP), Chico Alencar (PSOL/RJ), Padre Ton (PT/RO), Nilmário Miranda (PT/MG), Luiza Erundina (PSB/SP), Dr. Rosinha (PT/PR),  Janete Capiberibe (PSB/AP), Jandira Feghali (PCdoB/RJ), Luiz Couto (PT/PB), Paulão (PT/AL) e Arnaldo Jordy (PPS/PA).

 

Que o ministro Marco Aurélio do Supremo Tribunal Federal conclua a análise do inquérito sobre o Pastor Marco Feliciano e que seja realizado o julgamento o mais brevemente possível.

 

No sábado, 9 de março de 2013, em todo o Brasil milhares pessoas que ficaram revoltadas com a imoralidade da eleição da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados saíram às ruas para protestar e exigir a correção deste erro. Em Curitiba as palavras de ordem incluíam: “Nem podridão, nem maldição, queremos igualdade na nação.” “Pelos direitos humanos, fora Feliciano”.

 

O paralelo com as manifestações Fora Collor ficou evidente. Agora tem-se o movimento Fora Feliciano. Que continue havendo protestos até que sejam reinstaladas a democracia e a ética na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Que as organizações de classe, sindicatos e todas as pessoas e instituições ligadas à promoção e defesa dos direitos humanos se juntem às manifestações de repúdio ao acontecido e reforcem a mobilização em prol da anulação dessa eleição indigna.

 

Não aceitamos e não acataremos este estupro coletivo da Comissão de Direitos Humanos. De forma que está, ela está acabada. Não existe mais. Se continuar assim, sugerimos que os partidos aliados dos direitos humanos não indiquem membros para esta Comissão.

 

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Carlos Magno é eleito presidente da ABGLT
   Blog Diversidade   │     28 de janeiro de 2013   │     19:21  │  4

Novo presidente da ABGLT – Carlos Magno Fonseca

No sábado, 26 de janeiro, em ato solene e festivo realizado no Hotel Dan Inn, no centro de Curitiba-PR, foi oficialmente empossada a nova Diretoria Executiva da ABGLT, Secretarias e Conselhos Fiscal e de Ética, eleitos em assembleia-geral eleitoral realizada durante a o período vespertino do mesmo dia. Com o slogan “Uma ABGLT democrática e de lutas, por um Brasil sem homofobia”, a ABGLT estreou um novo modelo de gestão.   O mandato da nova diretoria termina em 2015. Veja, a seguir, quem serão os novos diretores da ABGLT.

 

Prestes a completar seu 18º aniversário de fundação nesta quinta-feira, 31 de janeiro, a ABGLT recebeu, na última sexta-feira, 25, dia em que as assembleias-gerais estatuinte e eleitoral da ABGLT 2013 foram iniciadas, uma nota oficial da titular da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República do Brasil, a ministra Ideli Salvatti.

Através de carta, grandes nomes do governo federal fizeram questão de parabenizar a maior instituição LGBT da America Latina, a exemplo da  Secretaria Nacional de Juventude – Ana Paula Madeira, ministra Ideli Salvatti, Presidenta Dilma Vana Rousseff  e o ex presidente Luiz Inacio Lula da Silva, que com grandes palavras reconheceu o trabalho desenvolvido pela instituição no Brasil .
Agradeço muito o convite da ABGLT para seu décimo oitavo aniversário e posse da nova diretoria.
Fala do ex presidente Lula:
Infelizmente não vou poder estar ao lado de vocês nesta ocasião.
            Mesmo assim, quero aproveitar a oportunidade e parabenizar a Associação pelo trabalho sério e persistente que desenvolve para que a diversidade seja celebrada e respeitada no Brasil.
            O trabalho da ABGLT, das associações que vocês reúnem e de toda a militância contribui fortemente para que a dignidade humana seja prioridade para a sociedade e suas instituições.
Todos vocês têm um papel importante para consolidar uma sociedade justa e fraterna, sem homofobia.
Desejo a cada uma e a cada um de vocês um excelente Encontro e faço votos que a nova diretoria tenha sucesso em sua gestão.
Às 11h00 deste domingo, 27 de janeiro, militantes da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), a maior rede de organizações LGBT da América Latina, promoveram uma manifestação pública pacífica em frente ao Museu do Holocausto de Curitiba (Rua Coronel Agostinho de Macedo, 248, Bairro do Bom Retiro) para lembrar o aniversário dia da libertação de Auschwitz (Polônia) em 27 de janeiro de 1945. Naquele local, funcionava o maior e mais terrível campo de extermínio dos nazistas.
A manifestação da ABGLT também aconteceu para protestar contra o avanço e os perigos do fundamentalismo religioso, e ratificar às autoridades políticas nacionais, sobretudo ao governo federal, a aprovação de leis no Congresso Nacional que promovam a proteção das pessoas LGBT.
Durante o holocausto estima-se que mais de 200 mil pessoas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) foram violentamente assassinados nos campos de concentração nazistas. O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto foi criado pela Assembleia-Geral das Nações Unidas, através da resolução 60/7 de 1º de novembro de 2005.
A manifestação da ABGLT encerrou a programação oficial das assembleias-gerais estatuinte e eleitoral 2013.
DIRETORIA EXECUTIVA NACIONAL (2013-2015)
Presidente: CARLOS MAGNO FONSECA (CELLOS – MG)
1ª Vice-Presidenta: KEILA SIMPSON (ATRAS – BA)
2ª Vice-Presidenta: GUILHERMINA CUNHA (ADEH – SC)
Secretário-Geral: VÍCTOR DE WOLF (GDN – RJ)
Secretário de Finanças: ALESSANDRO MELCHIOR (APV – SP)
Secretário de Comunicação: TERRY MARCOS DOURADO (ACDHRios Brasil Central – GO)
Secretário de Relações Internacionais: BETO DE JESUS (IEN – SP)
Secretária de Relações Institucionais: FERNANDA BENVENUTTY (ASTRAPA – PB)
Secretário de Relações com os Movimentos Sociais: VINÍCIUS ALVES (Associação Beco das Cores – BA)
Secretário de Formação Política e Organização: CHRISTÓVAM DE MENDONÇA (GOLD – ES)
Secretária de Direitos Humanos: HELIANA HEMETÉRIO (Grupo Dignidade – PR)
 SUPLENTES DA DIRETORIA EXECUTIVA NACIONAL
 1ª Suplente: PHÂMELA GODOY (Grupo Visibilidade – SP)
2ª Suplente: RAFAELLY WIEST (Grupo Dignidade – PR)
3º Suplente: CRISTIANO RAMOS (UPV – PR)
  SECRETARIAS REGIONAIS
 Regional Centro-Oeste
Secretário Regional: EVALDO AMORIM (ELOS – DF)
Secretário Adjunto: CÍCERO (“DINIZ VASCONCELOS”) APARECIDO DA SILVA (AGTLA – GO)
 Regional Nordeste
Secretário Regional: WESLEY (?) (Associação Beco das Cores – BA)
Secretária Adjunta: DEDIANE (?) (GRAB – CE)
 Regional Norte
Secretário Regional: BETO PAES (ALGBTUC – PA)
Secretário Adjunto: GLEYSON OLIVEIRA (GHP – PA)
 Regional Sudeste
Secretário Regional: JÚLIO MOREIRA (Grupo Arco-Íris – RJ)
Secretário Adjunto: DÉBORA SABARÁ (GOLD – ES)
 Regional Sul
Secretário Regional: JULIANA SOUZA (Grupo Dignidade – PR)
Secretária Adjunta: ALEXANDRE BOGAS (ADEH – SC)
 SECRETARIA DE MULHERES
 Secretária: YONE LINDGREN (Movimento D’Ellas – RJ)
Secretária Adjunta: PAULA RAMOS (Grupo Estruturação – DF)
 SECRETARIA DE JUVENTUDE
 Secretário: VINÍCIUS COELHO (CELLOS – MG)
 Secretária Adjunta: ESTHER SILVEIRA (Grupo Arraial Free – RJ)
 SECRETARIA DE TRAVESTIS E TRANSEXUAIS
 Secretário: ANDRÉIA CANTELI (TransGrupo Marcela Prado – PR)
 Secretária Adjunta: VANILI BORGHI (GOLD – ES)
 SECRETARIA DE COMBATE AO RACISMO
 Secretária: MARCELLE ESTEVES (Instituto Arco-Íris – RJ)
 Secretário Adjunto: FELIPE CARVALHO (Grupo Cidadania Gay – RJ)
 SECRETARIA DE PESSOA COM DEFICIÊNCIA
 Secretária: ANAHÍ GUEADES (ADEH – SC)
 Secretário Adjunto: GLAU FERREIRA (Movimento Gay de Ipatinga – MG)
 SECRETARIA DE IDOSOS
 Secretária: MARCELY MALTA (Grupo Igualdade – PR)
 Secretário Adjunto: OSMAR (?) (Grupo Libertos – MG)
SECRETARIA DE CULTURA
 Secretário: MARCELO GIL (Grupo ABCD – SP)
Secretário Adjunto: FRANK ROSSATTE (Grupo Mescla – MS)
  SECRETARIA DE EDUCAÇÃO
 Secretário: TONI REIS (Grupo Dignidade – PR)
Secretário Adjunto: LULA RAMIRES (Grupo Corsa – SP)
 SECRETARIA DE SAÚDE
 Secretário: SEBASTIÃO DINIZ (Grupo DiveRRsidade – RR)
Secretário Adjunto: ALEXANDRE CHULVIS (Grupo Vanguarda da Esperança – SP)
 SECRETARIA DE ESPORTE E LAZER
 Secretário: CLÓVIS ARANTES (Grupo LivreMente – MT)
Secretário Adjunto: FERNANDO RODRIGUES (Grupo Homossexual do Cabo – PE)
 SECRETARIA DE TRABALHO, EMPREGO E ASSISTÊNCIA SOCIAL
 Secretária: TATIANE ARAÚJO (ASTRA – SE)
Secretária Adjunta: ANIKI LIMA (CELLOS – MG)
 SECRETARIA DE JUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA
 Secretário: MÁRCIO MARINS (Grupo Dom da Terra – PR)
Secretária Adjunta: BÁRBARA PASTANA (GHP – PA)
 SECRETARIA DE MEIO AMBIENTE
 Secretária: MARINÉSIA FREITAS (Grupo OLGA – SP)
Secretário Adjunto: PABLO BRANDÃO (Grupo Cores da Vida – RJ)
 CONSELHO CONSULTIVO
Conselheiros/Conselheiras: MARCELO NASCIMENTO (RJ) CLÁUDIO NASCIMENTO (RJ) LUIZ MOTT (BA) JULIAN RODRIGUES (SP) SORAYA MENEZES(MG)
CONSELHO DE FISCAL
Conselheiros/Conselheiras:
MARCOS MARTINS (SHAMA – MG)
JOSÉ MARCELO (MGD – MG)
SHARLENE ROSA (GPH – RJ)
 CONSELHO DE ÉTICA
Conselheiros/Conselheiras:
CARLA AYRES (ADES – SC)
ELY BERGO DE CARVALHO (CELLOS – MG)
ÁLVARO BOECHAT CHIARELLOTTO (CELLOS – MG)

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