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Lésbicas encaram tabus e relatam situações constrangedoras durante atendimento ginecológico
   Blog Diversidade   │     6 de setembro de 2017   │     15:19  │  0

O médico de Thaís* suspeitou que ela estivesse grávida sem antes lhe perguntar sua orientação sexual. Julia* ouviu da ginecologista que ficar com meninas era só uma fase, que logo encontraria um namorado de quem ela gostasse, e que ainda era virgem, apesar de ter uma vida sexual ativa. Algo parecido aconteceu com Carolina* (alguns dos nomes são fictícios a pedido das entrevistadas) quando sua médica insistiu que ela tomasse anticoncepcional antes de uma viagem porque ela poderia começar a gostar de algum menino. O despreparo de alguns profissionais no atendimento a este público tem gerado situações embaraçosas que prejudicam o devido atendimento e a saúde da mulher. Essa é uma das bandeiras da luta contra o preconceito e a violação de direitos que marcam o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, celebrado nesta terça-feira.

Apesar dos exames de rotina do atendimento ginecológico serem os mesmos para todas, há testemunhos de despreparo para lidar com questões específicas vivenciadas por mulheres homossexuais. A proteção contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), por exemplo, ainda é um tabu e feita de maneira improvisada. Se a paciente não corresponde ao estereótipo lésbico esperado (cabelo curto e roupas consideradas masculinas, por exemplo), pode ter a orientação sexual questionada. Exames importantes como o Papanicolau, que ajuda a prevenir e a diagnosticar precocemente o câncer de colo do útero, associado à infecção pelo papilomavírus (HPV), por exemplo, são deixados de lado com a justificativa de que a mulher ainda tem hímen e, portanto, é virgem.

O professor do curso de Medicina da UFSC, Alberto Trapani Júnior, que é supervisor da pós-graduação em ginecologia e obstetrícia, concorda que os atendimentos ginecológicos hoje são voltados a pacientes heterossexuais. Isso acontece porque nem na graduação nem na residência os profissionais têm a oportunidade de aprofundar a relação da diversidade sexual com a saúde. Quem quiser se aprofundar no assunto tem que buscar especializações em sexualidade em outros Estados.

— Essas especificidades são menos abordadas do que deveriam. Infelizmente, boa parte dos cursos de Medicina e especializações no Brasil são deficientes na formação mais ampla da sexualidade humana — diz Trapani Júnior.

No consultório, mulheres lésbicas reconhecidas como femininas são percebidas como heterossexuais e podem ter as demandas negligenciadas ou a orientação sexual questionada. A ginecologista de Mariana*, por exemplo, duvidou do fato de ela nunca ter tido relações com homens e a deixou constrangida.

— Ela começou a fazer várias perguntas sobre sexo que me pareceram normais na hora, até ela começar a insistir muito sobre eu não me relacionar com homens. Acho que por ser uma mulher que performa feminilidade e por estar junto da minha namorada, ela duvidou do que eu estava falando. Chegando na hora de ir fazer a coleta para os exames, onde ficamos sozinhas, ela continuou insistindo — desabafa.

O presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de SC, Ricardo Maia Samways, diz que esse tipo de questionamento deve ser feito para que o médico possa dar o atendimento mais adequado, mas deve ser apenas um segmento da consulta.

— É uma mulher e tratamos como saúde da mulher. Mas, no atendimento, temos que ver se ela só tem relação homossexual ou é bi, para poder orientar. Por isso, às vezes a gente insiste nesse tipo de pergunta, não para constranger, mas porque precisa desses detalhes para saber se ela não corre o risco de gravidez indesejada, além de doenças — defende.

Desinformação afasta mulheres homossexuais de clínicas médicas

A ginecologista e obstetra Cássia Soares, especializada em sexualidade humana, dá aula para residentes e busca tocar nessas questões específicas sobre sexualidade. Para a profissional, que atende na Maternidade Carmela Dutra, em Florianópolis, e tem o projeto de criar um ambulatório para mulheres lésbicas, os futuros médicos são preparados para lidar com questões que vêm depois da sexualidade, como gravidez e doenças. Outros pontos importantes ficam carentes de atenção.

— Não se toca nesse assunto que é bastante forte no consultório. Cada vez mais elas nos procuram com queixas relacionadas à sexualidade. O médico às vezes está muito acostumado com as heterossexuais e não sabe mudar o discurso, acaba ignorando a orientação sexual, conduzindo a consulta como se ela fosse hétero e não atendendo a sua real necessidade — avalia a professora.

Métodos improvisados são usados para proteção

A falsa crença de que mulheres que se relacionam apenas com mulheres têm menos chances de transmitirem e serem contaminadas por infecções e doenças também faz com que muitas homossexuais evitem ir ao médico regularmente. Mas lésbicas não estão imunes a infecções por fungos, como candidíase, e bacterianas, nem a doenças como sífilis, hepatite C, o próprio HIV ou qualquer outra transmitida pelo sangue ou mucosas. Sem opções práticas nas farmácias, elas acabam recorrendo a métodos improvisados para se proteger. O assunto ainda gera dúvidas em muitas mulheres, como a coordenadora de marketing digital Paula Chiodo:

— Não tem proteção específica. Existe camisinha feminina, porém não é acessível, não é fácil de colocar e se adaptar. E todas as outras formas de proteção contra DST são métodos adaptáveis, como usar luvas e lubrificante e plástico filme no sexo oral. Dependendo do ginecologista, ele não vai nem dizer isso, vai falar que não existem maneiras — reclama Paula, que já teve atendimento ginecológico negado após ter dito que era lésbica:

— A médica disse que eu poderia sair do consultório dela, que ela não tratava pessoas doentes. Saí de lá sem reação, não sabia o que fazer.

Por: Yasmine Holanda Fiorini

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Relacionamento aberto entre casais gays funciona ?
   Blog Diversidade   │     4 de junho de 2017   │     13:14  │  0

Para os adeptos à prática, amor não se divide, se multiplica.  E engana-se quem pensa que estamos falando do pensamento de uma minoria…

Dizem que poucas coisas na vida são mais complicadas que um relacionamento a dois. Mas, como o ser humano gosta mesmo é de um desafio, resolveu levar a questão a um outro nível: o relacionamento aberto.

Para os adeptos à prática, amor não se divide, se multiplica.  E engana-se quem pensa que estamos falando do pensamento de uma minoria…

A maioria dos casais gays hoje está em um relacionamento aberto!

Sim, você leu bem!

No Brasil eu não sei, mas pelo menos essa é a realidade dos australianos. Uma pesquisa realizada pela Universidade de New South Wales revelou que 32% dos entrevistados vivem esse tipo de união.

O estudo entrevistou 2886 homens que fazem sexo com homens. A diferença é pequena. Os que estão em uma relação monogâmica somam 31%. Na sequência, aparecem os que disseram praticar apenas sexo casual (23%) e os que não estão com a vida sexual ativa (14%).

Talvez pela liberdade sexual ou pela ideia de que dois homens têm necessidades carnais mais afloradas, o fato é que casais gays têm mais propensão a estarem em relacionamentos abertos que em estritamente monogâmicos.

Mas será que é mesmo possível separar amor e sexo?

Definindo as regras

relacionamento-aberto-gayPrimeiro, esclareçamos a definição: ter um relacionamento aberto não significa sair por aí pegando todo mundo de maneira desenfreada, mas sim estar disponível para conhecer, beijar e, quem sabe, até transar com outras pessoas interessantes.

É claro que isso demanda tempo e muita, mas muita conversa. Se você é o tipo de pessoa que não gosta muito de discutir o relacionamento (vale frisar que discutir não quer dizer brigar, mas sim conversar), é melhor pensar duas vezes antes de se aventurar por esse caminho.

Quando, onde e com quem são perguntas mais específicas, que vão depender de cada relação. Vocês podem ficar com outras pessoas apenas quando não estiverem juntos, ou somente quando estiverem juntos.  Podem estabelecer limites geográficos: apenas em casa ou em lugares sem amigos em comum. Podem estabelecer regras: apenas com pessoas desconhecidas, apenas se contar depois para o outro…

As especificidades de cada acordo ficam a critério dos envolvidos. Seja qual for o caso, o que interessa é que não há traição, uma vez que é algo pré definido entre o casal. Um ama o outro, mas desejam ter outras paixões fora do namoro, que supostamente teriam um prazo curto e jamais atrapalhariam a relação. Ok, entendido.

Ou, nem tanto… Se na teoria já parece complicado, na prática é mais difícil ainda!

Por: Verônica Vergara

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Está longe de a homossexualidade ser uma questão de escolha ou estilo de vida
   Blog Diversidade   │     7 de junho de 2016   │     0:00  │  0

* Sinto atração por homem, mas não quero mais sentir, porque quero desejar mulher. Tenho um problema para transar com elas, o negócio não quer funcionar. Mas sofro muito por isso! Faz um tempo que estou infeliz, e minha família não sabe. Digo que fico nervoso, mas, na verdade, não sinto tesão. Meu último relacionamento acabou por não fazer sexo.

Querido leitor, nos últimos 20 anos, acumulamos evidências científicas satisfatórias para afirmar que a homossexualidade está longe de ser uma questão de escolha ou estilo de vida. Está enraizada na biologia humana, com um forte componente genético.

 Segundo os pesquisadores, nunca houve nem existirá sociedade em que a homossexualidade esteja ausente. É um fenômeno de natureza tão biológica como a heterossexualidade. Esperar que uma pessoa homossexual não sinta atração por outra do mesmo sexo é pretensão tão descabida como convencer heterossexuais a não desejarem o sexo oposto.

Sempre houve e haverá mulheres e homens que desejam pessoas do mesmo sexo, porque essa é uma característica inerente à condição humana.

Não há escolha

Com persistência e determinação, muitas pessoas podem controlar o comportamento sexual, mas não o desejo, pois é uma força da natureza íntima. Por isso, falamos que a gente não escolhe ter tesão por alguém do mesmo sexo, é uma questão de orientação sexual, não de opção como muitos ainda pensam. Então, dá para entender que você não tenha tesão por mulheres.

Lembre, não há quem consiga esconder de si mesmo suas preferências sexuais. Para que insistirmos no preconceito contra algo biologicamente inerente à condição humana?

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5 gênios homossexuais e revolucionários
   Blog Diversidade   │     1 de maio de 2016   │     0:12  │  0

O diretor Vladimir Carvalho retrata a geração que gerou bandas como Capital Inicial, Legião Urbana e Plebe Rude

O diretor Vladimir Carvalho retrata a geração que gerou bandas como Capital Inicial, Legião Urbana e Plebe Rude

Renato Russo foi o líder de uma das bandas mais emblemáticas do rock nacional – o Legião Urbana. Criada em Brasília, infuenciou os jovens dos anos 80 e primeira metade dos 90 com canções como “Que País é Este?” e “Faroeste Cabloco.”

O cantor e compositor nunca escondeu sua homossexualidade, expressa em letras como “Meninos e Meninas” e “Maurício.”

Eterno galã de “…E o Vento Levou”, Clark Gable (na foto, em cena do filme Mogambo, de 1953) nunca assumiu sua homossexualidade, mas isso não o impediu de ter uma agitada vida amorosa.

É o que defende o britânico David Bret, autor de “Clark Gable – Tormented Star”. A obra é a primeira a tratar, em detalhes, das relações homossexuais do ator. Segundo Bret, Gable se relacionou com alguns dos mais poderosos homens de Hollywood.

Virgínia Woolf foi uma das mais brilhantes escritoras da Inglaterra, atuando também como ensaísta e crítica literária. Embora fosse casada com o editor e teórico Leonard Woolf, sua grande paixão foi a também escritora Vita Sackville-West.

Alguns críticos chegam, inclusive, a afirmar que uma de suas grandes obras, “Orlando”, tenha se inspirado na história de Vita.

Poetisa, escritora e feminista, Gertrude Stein nasceu nos Estados Unidos, mas foi em Paris, na França, que estabeleceu seus vínculos mais importantes com a vanguarda artística da primeira metade do século XX. Entre seus amigos, estiveram Pablo Picasso, Matisse e James Joyce.

Uma de suas obras mais conhecidas é “Autobiografia de Alice B. Toklas”, inspirado na mulher que foi sua companheira e grande paixão por 25 anos. O livro trata de como se formaram algumas das mais importantes correntes artísticas dos anos 10, 20 e 30.

Truman Capote revolucionou duas áreas da escrita com suas obras – foi um dos inventores do jornalismo literário, que foi recebido pelos escritores também como “romance de não-ficção”. Sua obra mais conhecida é “A sangue frio”, no qual reconstroi o brutal assassinato (real) de uma família, bem como traça o perfil dos assassinos.

Capote nunca escondeu sua homossexualidade, tendo militado ativamente pela igualdade de direitos. Seu companheiro, por cerca de 25 anos, foi Jack Dunphy – embora a relação fosse marcada por traições de Capote.

Fonte: Márcio Juliboni – EXAME

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