Nota de repúdio contra anúncio da organização Pró-Vida Pernambuco que equipara a homossexualidade a pedofilia e prostituição
   Blog Diversidade   │     4 de setembro de 2012   │     23:32  │  0

Como 2º vice-presidente da Comissão de Inquérito (CPI) de Exploração  Sexual de Crianças e Adolescentes e homossexual assumido que tem orgulho de sua  orientação e escolhas, não posso deixar de manifestar minha indignação com o  anúncio publicitário veiculado na Folha de Pernambuco nesta terça-feira, 4, que  vem gerando polêmica e repúdio de vários segmentos da sociedade e também da  comunidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transsexuais (LGBT) ao  equiparar o “homossexualismo” (sic) à pedofilia e à prostituição com o  suposto “objetivo de combater o turismo sexual” em Recife.

Em primeiro lugar, não existe o “homossexualismo”, mas a  homossexualidade, que é uma orientação sexual, como a  heterossexualidade e a bissexualidade, nem melhor nem pior, apenas  diferente. Portanto, comparar a homossexualidade à pedofilia ou à  prostituição é exatamente o mesmo que comparar essas últimas à  heterossexualidade: um absurdo. E comparar a prostituição — que é,  para muitas pessoas, uma profissão exercida de maneira absolutamente legal e sem  afetar os direitos de ninguém — com a pedofilia — que é um crime cometido  contra crianças — é outro absurdo. O perigo do turismo sexual está na exploração  sexual e no tráfico de pessoas – sejam adultos ou menores – que são crimes  gravíssimos, mas o anúncio mistura tudo com o claro objetivo de associar esses  crimes horríveis a grupos sociais específicos. Isso se chama  calúnia.

Também prestou um desserviço à comunidade  a Folha de Pernambuco, que colocou as questões comerciais acima dos  direitos fundamentais da população, desconsiderando por completo o Código de  Ética dos Jornalistas, que, desde 1987 quando entrou em vigor no Brasil, coloca  os veículos de comunicação sob a responsabilidade jurídica de adequar textos que  possam difamar, caluniar ou injuriar pessoas.

O anúncio diz “Não queremos ‘homossexualismo’ em Pernambuco”.  Será que o jornal publicaria um anúncio dizendo “Não queremos judeus em  Pernambuco” ou “Não queremos negros em Pernambuco”? Eles ainda não perceberam  que é a mesma coisa?

Não podemos mais deixar que palavras sejam proferidas de forma  irresponsável e inconsequente. Elas alteram uma História, moldam uma sociedade e  qualificam ou desqualificam populações. Quem não se lembra do incidente da  Escola base, no qual vários órgãos da imprensa publicaram acusações de que um  casal de pedagogos numa escola em São Paulo estariam abusando de suas alunas e  alunos. As acusações se provaram infundadas, mas certamente a vida e a reputação  desse casal jamais será a mesma.

Nossa assessoria jurídica está avaliando  se há como Interpelar o jornal judicialmente. Enquanto isso, a cada um de nós  cabe não propagar esse tipo de crime, que só se alimenta da propagação. Se achar  conteúdo desse tipo, encaminhe às autoridades.Associar a orientação sexual de um grupo que constitui mais de 10%  da população brasileira com uma prática criminosa como a pedofilia é também um  crime e precisa ser visto e tratado como tal.

Por:  Assessoria de imprensa do deputado federal Jean Wyllys

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