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Essa bicha não me representa!
   Blog Diversidade   │     19 de março de 2017   │     1:12  │  0

Amei o texto, pois o mesmo reflete os preconceitos internalizados da própria comunidade LGBT. E digo mais. Ou vencemos essas barreiras, ou não avançaremos nunca.

Foi muito fácil xingar no twitter, dizendo que aquele mocinho de sobrancelhas feitas e chapinha no cabelo não nos representava, e com isso mostrar o quanto somos politizados. Fácil demais até, na velocidade de um LIKE. Mas há outro tipo de pessoa que, embora não esteja na presidência de nenhuma comissão da câmara, também provoca gritos de protesto entre os gays, que clamam não serem representados por elas: as bichinhas.

Escolhi uma foto do Serginho Orgastic, do BBB10, para ilustrar essa coluna. Motivo? Sempre que vejo alguma notícia sobre ele, há uma enxurrada de comentários maldosos, fazendo graça, se referindo ao rapaz no feminino – como se isso fosse defeito – e sempre frisando que “isso não nos representa” ou pior ainda, que “é esse tipo de gay que não se dá ao respeito e prejudica o movimento“. Não vou nem falar em Homofobia Internalizada, pra não ficar chato. O que falta a essas bibas preconceituosas é vergonha na cara mesmo!

Tá boa que vocês são representadas APENAS por aquele estereótipo gay-branco-limpinho-másculo-sarado-topete-iPhone-Lacoste, néam? Se hoje falamos em Direitos LGBT, é justamente por causa dos homossexuais efeminados e marginalizados, que deram a cara a tapa para clamar por orgulho numa época em que isso levava à prisão. E isso falando apenas dos gays, porque na real devemos tudo às travestis e transexuais que já compravam esse barulho muito antes! Se hoje nós podemos dar pinta com calça da Hollister, mandando tchauzinho prasamigues na fila da The Week, é por causa dessas pessoas que ainda são motivo de chacota nos programas humorísticos e pior, dentro da nossa própria comunidade. Onde vocês pensam que reproduzir o machismo – que nos vitimiza – vai levar?

Não conheço o Serginho e aqui não está em discussão a pessoa dele. Se ele é legal ou não, se é honesto, se é bonito, se é feio, etc. Mas é daí que ele quer usar bolsa, tirar foto maquiado ou idolatrar a Paris Hilton? Por causa disso ele é uma de vergonha? Por causa disso ele – e vários outros meninos que agem da mesma forma – são responsáveis pelas nossas derrotas na arena social? Quer dizer então que só vale ficar postando foto no Instagram se for junto dos bróder, geral de camisa pólo, fazendo joinha pra câmera? Pelamor, né?!

Ninguém é obrigado a dar um beijo na boca de uma pintosa ou a sair por aí com acessórios femininos por ser gay, mas temos que entender – e respeitar – que algumas pessoas se sentem bem assim. Não só elas estão em seu direito como estão, também, tomando uma posição muito mais política e corajosa do que a de tentar “se infiltrar” no mundo normal impondo heteronormatividade como estilo de vida.

Voltando aos acontecimentos recentes, é muito fácil protestar e dizer que pastores fundamentalistas não nos representam. Todo mundo sabe que eles são doentes mesmo, e até os religiosos já estão se revoltando com certos exageros de discurso. Mas temos que tomar cuidado, porque também é fácil apontar para aquela bichinha (lembrando sempre que os outros dedos estarão voltados pra você) e acabar repetindo a mesma cantilena dos nossos inimigos: “Ninguém nasce assim, isso pode ser curado, esse comportamento é um desrespeito”.

Mais do que nunca, se você é gay e se preocupa com os direitos dos outros, permita-se. Seja livre. Seja fabuloso.

Fonte: Fabricio Longo

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