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Juntos, sozinhos: a epidemia da solidão gay
   Blog Diversidade   │     24 de janeiro de 2018   │     0:07  │  0

Por: Michael Hobbes

Parte I: Eu fiquei muito empolgado quando a metanfetamina acabou. “– Me disse meu amigo Jeremy.  “Quando você tem, você continua usando. Quando acabou, pensei: “bom, agora eu posso voltar para minha vida. Eu ficava acordado todo o fim de semana e ia para essas festas sexuais e depois me sentia uma merda até quarta-feira. Cerca de dois anos atrás, mudei para a cocaína porque eu poderia trabalhar no dia seguinte.” Jeremy me disse isso de uma cama de hospital, seis andares acima de Seattle. Ele não me contou as circunstâncias exatas da overdose, disse apenas que um estranho chamou uma ambulância e ele acordou aqui. Jeremy, definitivamente, não é o amigo com quem esperava conversar sobre esse tipo de assunto.

Até algumas semanas atrás, eu não fazia ideia de que ele usava qualquer coisa mais pesada do que algumas doses de Martini. Ele é elegante, inteligente, glúten-free, o tipo de cara que usa uma camisa de trabalho, independentemente do dia da semana. A primeira vez que nos conhecemos, há três anos, ele me perguntou se eu conhecia um bom lugar para fazer CrossFit. Hoje, quando pergunto a ele como tem sido estar no hospital até agora, a primeira coisa que ele diz é que não há Wi-Fi, e ele está muito atrasado nos e-mails de trabalho.

“As drogas eram uma combinação de tédio e solidão”, diz ele. “Eu costumava voltar para casa do trabalho exausto em uma noite de sexta-feira e pensar, “Então e agora, o que faço?” Eu ligava para pedir um pouco de metanfetamina e verificar a internet para ver se havia alguma festa acontecendo. Ou era isso ou assistia um filme sozinho “. Jeremy [1] não é meu único amigo gay que sofre este tipo de solidão. Há também o Malcolm, que quase não sai da casa, exceto para o trabalho, porque sua ansiedade é muito intensa. Há o Jared, cuja depressão e dismorfia corporal reduziram sua vida social a mim, a academia e às conexões da Internet. E havia também o Christian, o segundo cara que eu beijei, ele se matou aos 32 anos, duas semanas depois que seu namorado terminou com ele. Christian foi a uma loja de festas, alugou um tanque de hélio, começou a inalar, depois enviou uma mensagem para o ex-namorado e disse-lhe que viesse, para se certificar de que encontraria o seu corpo.

Durante anos, notei a divergência entre meus amigos heterossexuais e meus amigos homossexuais. Enquanto metade do meu círculo social, os heterossexuais, desapareceu em relacionamentos, crianças e subúrbios, o outro, dos amigos homossexuais, está sofrendo devido ao isolamento e ansiedade, drogas pesadas e sexo de risco.

Nada disso se encaixa na narrativa que me contaram ou que eu contei a mim mesmo. Como eu, Jeremy também não cresceu intimidado por seus colegas ou rejeitado por sua família. Ele não se lembra de ter sido chamado de bicha. Ele foi criado em um subúrbio da costa oeste por uma mãe lésbica. “Ela se assumiu gay para mim quando tinha 12 anos”, diz ele. “E mais tarde me disse duas frases que sabia que eu era gay. Naquele momento, eu mesmo mal sabia.”

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