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Mynd traz websérie sobre visibilidade para crianças trans
   30 de março de 2023   │     16:20  │  0

A Mynd, maior agência de marketing de influência e entretenimento do país, lançará no dia 31 de março a websérie “Um Olhar Para Crianças Trans”, que abordaos desafios das crianças transgênero durante a infância e adolescência. Ao todo, serão três episódios, com os temas: Um aprendizado para as escolas brasileiras,O desafio de crescer trans e Apoio constrói autoestima, veiculados no Instagram e YouTube da Mynd.

O projeto foi idealizado e dirigido pela jornalista KíriaMeurer, Diretora de Projetos Especiais da empresa ediscute um dado alarmante: 98% dos pais, mães ou responsáveis pelas crianças trans não consideram o ambiente escolar seguro, de acordo com pesquisa da  ONG Grupo Dignidade em parceria com a UNESCO. Os episódios contam com a participação de personalidades importantes da comunidade, que trazem as suas vivências, como: a cantora, apresentadora, influenciadora e mulher trans, Pepita; a ativista, escritora, influenciadora e mãe de uma criança trans, Thamirys Nunes; a fotógrafa e mulher trans, Violeta Rodrigues Rivas; e a publicitária e mulher trans, Olga da Silva Barbosa.

Para Kíria, é de extrema importância discutir o assunto, principalmente no âmbito escolar: “Vivemos no país que mais mata adultos trans, por isso esse convite de olhar para as crianças trans faz muito sentido. A gente precisa começar a discutir essa questão nas escolas, ainda na infância e com todes. É chocante imaginar que a escola, esse espaço que deveria ser acolhedor, ainda é palco de tanto preconceito e violência”.

Segundo um estudo da OAB do Brasil, agressões verbais, físicas e todo tipo de violência fazem com que 82% dos trans sejam passíveis de evasão escolar.Thamirys Nunes viveu esse preconceito: “Tive muita dificuldade de achar uma escola para a minha criança trans. Ouvi, muitas vezes, que ali não era lugar para minhafilha e família ou que não pertencíamos àquele espaço. Em alguns momentos, inventavam que as vagas tinhamacabado, por exemplo, mas nós sabíamos que não éramos bem-vindos”. Já Pepita fala sobre como a discriminaçãoimpactou sua infância e adolescência: “A escola tinha que ser um lugar para me amparar. Mas a minha experiência foi marcante, dolorosa e triste”.

Aliada à luta pela inclusão e diversidade desde a sua criação em 2017, a Mynd está constantemente criando ações para dar voz a causas importantes. Se, atualmente, existe uma busca das organizações por uma cultura mais inclusiva, essa, desde sempre, foi uma luta e um dos principais pilares da empresa. “A Mynd já nasceu plural. Temos colaboradores trans e acreditamos que é essencial desenvolver ações que representem aqueles que são excluídos pela sociedade, como mulheres, pessoas pretas e LGBTQIAPN+. A criação da websérie reafirma o nossocompromisso de seguir batalhando por uma sociedade mais justa e igualitária”, comenta Fátima Pissarra, CEO da Mynd.

Ficha técnica:

CEO – Fátima Pissarra

COO – Carlos Scappini

Direção – Kiria Meurer

Câmera e Fotografia – Pedro Machado

Pós- produção – João Victor Ramos

Produção – Laura Candelária. Klaryssa Keize Francisco

Apoio – Igor Lessa, Thiago Sousa

Edição – Klaryssa Keize Francisco

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Sobre a Mynd:

Dos sócios Fátima Pissarra, Preta Gil e Carlos Scappini, a Mynd é a maior agência de marketing de influência e entretenimento da América Latina. Ela auxilia empresas e agências na identificação de oportunidades, planejamento de estratégias e execução de projetos publicitários, unindo música, entretenimento, artistas e influenciadores. Também conta com um casting exclusivo, composto por mais de 400 grandes nomes do cenário nacional e internacional, e atua com gestão de imagem e desenvolvimento de estratégias individuais dos artistas, identificando oportunidades no mercado publicitário com marcas que tenham fit com os perfis. Neste ano, ela completa seis anos no mercado

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Inclusão e Diversidade nas empresas: Solar Coca-Cola apoia protagonismo de pessoas trans
   29 de janeiro de 2022   │     13:47  │  0

Na semana em que se celebra o Dia Nacional da Visibilidade das Pessoas Trans e Travestis (29 de janeiro), a Solar Coca-Cola reforça suas políticas de inclusão e diversidade, desenvolvendo ações que têm estimulado e ampliado a diversidade sexual, que aos poucos vai alcançando suas unidades espalhadas por todo Nordeste, Mato Grosso e parte de Goiás e Tocantins. O apoio ganhou sinais concretos em suas fábricas com faixas e escadas da diversidade que hoje estão presentes em 15 unidades no território Solar como simbolismo da aliança da unidade com a jornada de Inclusão e Diversidade.

Quem testemunha esse movimento é o Cleidson Vieira, homem trans que atua como operador de execução e vendas na unidade de Itabaiana, em Sergipe. Na classe gramatical, “ele” é pronome pessoal e substantivo masculino. Na vida do Cleidson, “ele” significa respeito e identidade. Cleidson não se identifica no corpo em que habita e, por este motivo, é um homem trans.

“Desde que cheguei na Solar, todas as pessoas me conhecem como eu verdadeiramente sou e mais do que respeitam, me alicerçam para que eu possa viver com mais felicidade”, conta Cleidson. Ele ingressou na companhia em março de 2021 e, desde a contratação, tem percebido o respeito à sua identidade de gênero por colegas de trabalho e líderes.

O alicerce da Solar Coca-Cola completa uma rede de apoio que é o desejo de muitas pessoas. Cleidson sempre teve o suporte da mãe, que, ao descobrir a identidade de gênero do filho, disse que a única importância que havia no anúncio era a felicidade dele. “Minha mãe disse que me amaria ainda mais para me dar forças, eu já tinha nela uma grande fortaleza”, explicou. Agora, ao trabalhar em uma empresa em que Inclusão e Diversidade faz parte do DNA, ele revela se sentir ainda mais feliz. “A satisfação é não somente por estar na Missão da empresa, mas porque eu vejo nos corredores, com colegas de trabalho, líderes, todas as pessoas respeitam, entendem quem eu sou e como quero ser identificado”, reforça.

“Apenas habito um corpo feminino” – Cleidson se identifica como homem, mas nasceu em um corpo que é classificado como feminino. Para corrigir a chamada disforia de gênero (desconforto por não reconhecer na forma física sua verdadeira manifestação de gênero), irá realizar alterações em sua constituição física.

Outro colaborador que conquistou seu espaço foi o Araújo, que ocupa o cargo de vendedor em Santana do Ipanema, em Alagoas. Segundo o jovem, na Solar ele se sentiu acolhido de forma respeitosa e livre para ser quem ele é. “Já vivenciei situações em entrevistas de emprego em que não fui aprovado por ter tatuagem e cabelo curto. Ainda vejo muitos problemas no mercado quanto a esse tema. Muitas empresas não aceitam a transexualidade”, ressalta Araújo, que revelou ainda que as pessoas precisam pesquisar mais sobre a diversidade sexual, obter mais conhecimentos sobre o assunto e, principalmente, ter respeito.

Já em Simões Filho, na Bahia, Yuri Carvalho é o primeiro homem trans da unidade. Há quase 4 meses na empresa, Yuri atua como auxiliar de entrega na logística. Antes de ingressar na companhia, ele conta que trabalhava de forma informal e, durante a pandemia, iniciou um curso de barbeiro profissional, com perspectiva de trabalhar no ramo e futuramente também dar oportunidades para pessoas trans. “A Solar sempre foi muito cuidadosa comigo. No início tive dificuldades para socializar, mas aos poucos fui me adaptando com a equipe e percebo que as pessoas estão aprendendo sobre o assunto e dando suporte. Só tenho a agradecer pela inclusão e pelo acolhimento. Quero crescer dentro da Solar e sinto orgulho de ser o primeiro homem trans da unidade de Simões Filho”, finaliza Yuri.

Inclusão e Diversidade na Solar Coca-Cola – Para acelerar as transformações, a companhia desenvolveu a campanha #EuIncluo, com foco prioritário nas questões de gênero, pessoas com deficiência, raça, LGBTQIA+ e gerações. Segundo a Pesquisa de Engajamento de abril de 2021, 8% do quadro de pessoas se declara não heterossexual (lésbica, gay, bissexual etc.). Além disso, a Solar Coca-Cola trouxe como pauta o Dia Internacional contra a LGBTfobia e o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ no calendário de engajamento interno, onde foram abordadas temáticas como orientação sexual, identidade de gênero, expressão de gênero, sexo biológico, entre outras. Também iniciou o Grupo de Afinidade LGBTQIA+ em outubro de 2021, com encontros mensais como forma de acolhimento e escuta.

Fonte : ASCOM SOLARA

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Tóquio 2020 é edição com mais atletas abertamente LGBTQ+
   26 de julho de 2021   │     0:00  │  0

Os Jogos de Tóquio são a edição olímpica com o maior número de atletas que se declararam publicamente LGBTQs, segundo um levantamento do site Outsports.

O portal, especializado em notícias esportivas voltadas ao público LGBTQ, listou neste domingo (25/07) ao menos 166 atletas abertamente gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, transgêneros e/ou não binários competindo na capital japonesa.

O número, segundo o site, é quase o triplo do registrado nos Jogos do Rio em 2016 e faz de Tóquio 2020 a edição olímpica com mais representatividade da história. Há quatro anos, o Outsports contou 56 atletas que haviam se declarado publicamente LGBTQs à época do torneio, enquanto nos Jogos de Londres, em 2012, eram 23.

“O grande aumento no número de atletas ‘fora do armário’ reflete a crescente aceitação das pessoas LGBTQ nos esportes e na sociedade. O surgimento das mídias sociais, especialmente o Instagram, deu aos atletas um fórum onde eles podem viver suas vidas abertamente e se identificar diretamente com seus seguidores”, afirma o portal.

Ao menos 27 países estão representados por pelo menos um competidor abertamente LGBTQ em Tóquio, que é também a primeira edição olímpica a contar com atletas transgêneros. Ao todo, os 166 atletas competem por 30 diferentes modalidades.

Os Estados Unidos são o país com o maior número de atletas abertamente homossexuais, bissexuais, transexuais, transgêneros e/ou não binários da lista, com 30 competidores. Em seguida vêm Canadá (17), Reino Unido (16), Holanda (16), Brasil (14), Austrália (12) e Nova Zelândia (10).

Entre os brasileiros aparecem a estrela de futebol Marta, cuja foto estampa o artigo do Outsports, e suas colegas de time Andressa Alves, Bárbara Barbosa, Formiga, Letícia Izidoro e Aline Reis. Marta vem dedicando seus gols em Tóquio à sua noiva, a também jogadora de futebol Toni Deion Pressley, e falou abertamente sobre a homenagem em entrevistas na televisão.

Formiga, por sua vez, em entrevista coletiva na última sexta-feira, falou sobre a importância de se trazer a homossexualidade a público. “A gente representa milhões de pessoas, e é importante sair do armário e quebrar barreiras”, afirmou a jogadora. “Fico feliz que minha esposa [Erica Jesus] fale na TV, que a Marta se posicione e que a Cristiane [Rozeira], com seu filhão, faça o mesmo. Dessa forma a gente vai conquistando respeito. Respeito é tudo, não só como atleta, mas como ser humano.”

O único homem na lista brasileira é o jogador de vôlei Douglas Souza, que se tornou sensação nas redes sociais ao mostrar com bom humor os bastidores dos Jogos e o cotidiano da equipe olímpica.

O Outsports lista ainda as brasileiras Ana Carolina (vôlei), Babi Arenhart (handebol), Silvana Lima (surfe), Ana Marcela Cunha (natação), Izabela da Silva (atletismo) e Isadora Cerullo (rugby). Nos Jogos do Rio em 2016, Cerullo foi pedida em casamento durante a cerimônia de entrega de medalhas por Marjorie Enya, que trabalhava no comitê organizador do torneio. Elas estão casadas há quatro anos.

A nível mundial, as mulheres também superam os homens na lista de atletas abertamente LGBTQ, por uma proporção de oito para um. Somente o futebol feminino soma mais de 40 jogadoras.

O site inclui em sua contagem os atletas que já se manifestaram sobre sua orientação sexual ou identidade de gênero à imprensa, ou fizeram postagens públicas nas redes sociais.

O Outsports frisa, contudo, que o número de atletas LGBTQ nos Jogos Olímpicos deve ser ainda maior, especialmente entre os não americanos, uma vez que o site é baseado nos EUA. A contagem também não inclui atletas paralímpicos, que serão contabilizados separadamente, e demais membros das delegações, como técnicos e treinadores.

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Transexual ex. BBB Ariadna é uma das participantes do reality show No Limite
   25 de abril de 2021   │     22:07  │  0

Confirmada em ‘No Limite’, ex-BBB Ariadna é a única mulher trans a participar dos realities

A esteticista Ariadna Arantes, de 36 anos, única transexual a participar do ‘Big Brother Brasil’ agora é também a primeira trans a integrar o elenco de ‘No Limite’. Dez anos após sua passagem pela casa mais vigiada do Brasil, no BBB11, a carioca que mora na Itália traz novamente à tona a importância da visibilidade e representatividade trans nos realities.realities.

Após muita ansiedade e rumores, foi divulgado na noite deste domingo, 25, os primeiros ex-BBBs confirmados na quinta edição do reality show No Limite.

Apresentado por André Marques, os anúncios serão feitos a partir dos intervalos do Domingão.

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Mães de pessoas transgêneros: Uma questão fora do “menu” da maternidade
   30 de janeiro de 2017   │     19:58  │  0

O britânico Milla Brown, de 9 anos e adora super-heróis desde pequeno. Brown nasceu menina e foi diagnosticado com transtorno de identidade de gênero - ou seja, nasceu menina, mas seu cérebro o identificava como menino.

O britânico Milla Brown, de 9 anos e adora super-heróis desde pequeno. Brown nasceu menina e foi diagnosticado com transtorno de identidade de gênero – ou seja, nasceu menina, mas seu cérebro o identificava como menino.                                           “É menino ou menina”?

 

 

 

 

 

 

 

 

Essa talvez seja a frase mais ouvida por mulheres grávidas, talvez até mais que “e quando vai nascer?”. Mas por que queremos saber se quem está dentro de um útero é um menino ou é uma menina? Por que isso é tão importante para nós?Porque é cômodo. Num mundo acostumado a tratar tudo como preto ou branco, bom ou mau, menino ou menina e que invisibiliza todas as nuances entre um e outro, é cômodo que desde sempre possamos usar rótulos, possamos colocar as pessoas nessa prateleira mas não naquela, julgá-las como isso mas não como aquilo. E é a partir dessa pergunta, tão desnecessária, que impregnamos a criança que ainda não nasceu de inúmeras expectativas, modelos a serem seguidos, padrões a serem obedecidos, cores, brincadeiras, comportamentos, fecha a perna pra sentar, fale como um menino, não seja um maricas, esse chocolate você não vai levar porque é rosa e não azul, não fale palavrão que não é coisa de menina, seja delicada, seja forte, para de chorar, chorar não é coisa de menino, e as namoradinhas?, por que esse cabelo curto?, vai depilar sim, e tudo aquilo que reproduzimos sem pensar, enquadrando pessoas – cheias de potencialidades, de diferenças, de riquezas tão humanas – naquilo que, para nós, é mais fácil, mais cômodo, mais comum. Condenando pessoas ao sofrimento, à invisibilidade, ao bullying , à violência, à exclusão, ao desamor e até à morte.Dia 29 de janeiro é o dia da visibilidade trans. Um dia para falar das pessoas trans. Essas pessoas que são excluídas e feitas invisíveis e inexistentes – em vida. E o fato de poucas pessoas saberem da existência dessa data já mostra o grau de invisibilidade. Ser invisível não traz apenas uma anulação de si mesmo. Traz perigo de vida, ameaça de morte, pois a coletividade não se mobiliza para defender a vida de quem não é visto. Ninguém ama quem não é visto. Ninguém defende ou se mobiliza para defender quem não é visto.  Existir como uma pessoa trans neste mundo onde os valores conservadores e fascistas estão em vertiginoso crescimento, inclusive entre grupos inicialmente voltados para defender pessoas, é precisar conviver com o preconceito, a discriminação, a exclusão e a possibilidade de ter uma vida interrompida pelo ódio alheio. O Brasil é o país que mais mata pessoas trans em todo mundo. Aqui, a estimativa de vida de pessoas trans é quase a metade das que não são. E a chance de viver uma vida minimamente respeitosa e plena diminui especialmente se forem pobres e se forem negras.

Mas não posso falar por elas. Não posso falar de uma dor que não é minha, posso apenas mostrar que ela existe. Mas sou mãe. Posso me colocar no lugar de outras mães. Tenho uma filha hoje com 6 anos. Criança que foi designada ao nascer como menina. E que eu não faço a menor ideia de quem se tornará. Vejo meu papel, como mãe, semelhante ao de uma jardineira: cuido, aparo, protejo, nutro e… deixo crescer e florescer, sem que eu possa escolher qual a cor de sua futura flor, ou mesmo se terá flor. E respeitar cada processo seu, amar cada fase sua, fortalecê-la e protegê-la como exercício do meu comprometimento com sua vida. Se sou mãe de uma pessoa trans? Ainda não sei. Mas outras mães já sabem que são. E é a voz de duas delas que trago hoje comigo.

Eu quis conversar com mães de pessoas trans e, em pouco tempo, cheguei a algumas delas. Duas se dispuseram muito gentilmente a conversar comigo, especialmente quando deixei claro que não estava em busca de informações íntimas, que eu queria apenas que outras mulheres mães pudessem ouvi-las falar, que suas vozes pudessem ter mais amplitude. Coincidentemente, ambas são mães de homens trans. E com histórias de vida bastante distintas. Elas são Ana (nome fictício) e Maria. Disse a elas que meu objetivo maior era que as pessoas soubessem de suas histórias, de suas alegrias ou dores, se receberam apoio, o que pensaram, o que sentiram, os desafios que superaram ou ainda estão superando e outras coisas que quisessem falar.

 

A HISTÓRIA DE ANA: “Aquela menina insegura e presa dentro de si mesma se tornou um jovem pleno e feliz”

Ana fez um relato que me emocionou muito. Porque vi estampado nele a preocupação com o bem estar de seu filho – a começar pelo fato de que ele é bastante reservado e ela o respeita muito, e por isso este é um relato anônimo. No fim, Ana abriu seu coração de uma maneira que me tocou profundamente. Afinal de contas, a Ana também pode ser eu, pode ser você, pode ser qualquer mãe que, um dia, ao viver isso, decida transformar uma história desafiadora em uma história de ainda mais amor, ainda mais união e ainda mais respeito –  e não em dor, como acontece com tantas pessoas trans que são abandonadas ou rejeitadas por suas famílias.

Um dos pontos de maior emoção de seu relato está justamente quando ela conta o que sentiu ao imaginar o que seu filho poderia ter vivido durante a infância e a adolescência, enquanto sua compreensão sobre quem ele realmente era ainda não estava estabelecida. Foi um aprendizado dos mais valiosos que já recebi, especialmente quando ela diz:

“Ter um filho transgênero não está no “menu” da maternidade! Você pensa nos perigos de sexo, drogas, gravidez indesejada, fracasso escolar, desorientação no mundo do trabalho, etc, mas não pensa na possibilidade de um filho pertencer ao gênero que não lhe foi designado biologicamente. Isso talvez fosse uma coisa interessante para se pensar em termos sociais: a importância de disseminar muita informação sobre o assunto (eu não sabia nada!) a ponto de naturalizar essa possibilidade na trajetória de um filho. Pode ser que seja Cis? Pode. Pode ser que seja homo, bissexual? Pode. Pode ser que seja trans? Pode”.

Ana me contou que seu filho nasceu menina, mas que nunca foi uma menina “típica”, como ela mesma usa. Nunca gostou de roupas tidas como muito femininas e outros sexismos atribuídos às meninas na infância.

“Isso nunca me chamou a atenção, porque eu própria não sou uma mulher tipicamente feminina: estou sempre de jeans e camiseta, não uso maquiagem, salto alto, etc. Além disso lhe demos uma educação muito pouco marcada por gênero: teve vestidos e bonecas, mas também ganhou carrinhos, bolas de futebol e sempre foi uma criança vestida para seu conforto e incentivada a brincar com objetos e pessoas não por serem ‘coisas de menina’, mas por serem legais e despertarem seu interesse”.

Nada em sua infância, segundo ela, parecia indicar algo a respeito de sua sexualidade ou gênero. Mas isso naquele momento. Hoje, ao olhar para trás, ela sente que várias questões estavam, sim, relacionadas a uma identidade cindida: timidez extrema, isolamento social, tendência a mentir ou esconder coisas. Como se sua criança estivesse presa num corpo que não correspondia à pessoa que ela experimentava. E essa, para ela, foi sua maior dor:

“Creio poder dizer que essa é a principal fonte da minha dor como mãe: imaginar o sofrimento dessa criança, que não tinha consciência do que se passava com ela, sofrimento do qual não tínhamos a menor noção, embora fôssemos pais MUITO presentes, afetivos e até excessivamente preocupados com o bem estar daquela nossa filha única”.

Perguntei à Ana quando ela começou a perceber que seu filho era alguém diferente de quem, biologicamente, ele havia nascido.

A questão da identidade de gênero, na verdade mascarada como sendo de orientação sexual, apareceu na puberdade, quando meninas e meninos passam a se vestir e se comportar de forma bastante estereotipada (e uniforme dentro dos grupos de gênero), o que era especialmente forte na escola burguesa e pseudo modernete em que estudava. O isolamento social tornou-se muito visível e difícil de lidar: as festinhas eram situações aversivas, não havia namorinhos no horizonte, aquela menina era considerada estranha e não se enturmava, nem com meninas nem com meninos. Nessa ocasião, começou a aparecer forte interesse por algumas meninas, que interpretamos como evidência de solidão e busca de uma ‘melhor amiga’, como todas tinham. Mas hoje é evidente que eram paixões adolescentes, que não podiam ser explicitadas, talvez nem para si mesmo”.

Ana também me contou que a escola não soube lidar de uma boa maneira com a situação, acabando por isolar a criança.

“A escola deixa essas crianças [que não brilham, mas não vão mal o suficiente para atrapalhar a classe ou os professores] como mera ‘paisagem’ e se ocupa dos alunos ótimos ou dos péssimos… A orientadora nos chamou pra contar de uma carta de amor da minha filha a uma colega, como quem revela uma doença. Neste momento ficamos bem desnorteados, mas a condição de transgênero nem passou pela cabeça. Nossa pergunta era: será que ela é homossexual?”.

Quem ajudou a família a passar por essa descoberta foi a terapeuta que o atendia desde criança e que, segundo Ana, foi muito cuidadosa ao pautar sua condição de transgênero de forma lenta, “…nos preparando para que o amor fosse maior que o susto”. Em um momento futuro, a outra escola em que ele estudou contava com um grupo de discussão sobre sexualidade e gênero, que ela considera muito importante. Especialmente a figura de uma professora que, segundo ela, foi fantástica: “… o pegou no colo e o ajudou a passar pela parte mais radical da transição”. Isso mostra justamente aquilo sobre o qual tanto falamos e as pessoas se esforçam por não ouvir: conversar sobre gênero na escola é fundamental, é insubstituível. É um meio eficiente para que crianças, adolescentes e jovens possam se descobrir e respeitar a si mesmo e aos outros, possam se proteger, possam se conhecer e ajudar os demais a também se conhecerem. Conversar sobre gênero é conversar sobre a vida que se pode ter, a vida que se quer ter, a vida que devemos permitir que os outros tenham.

Para Ana, os principais desafios de ser mãe de uma pessoa trans são, primeiro, compreender a questão. Depois, entender que o processo é longo e cheio de passos difíceis. “Mudança de nome, mudança de gênero nos documentos, tratamento hormonal, eventualmente cirurgias. Também o ajuste da forma de tratamento, do feminino para o masculino (a gente custa pra acostumar e os erros ofendem!). Ainda, o enfrentamento do assunto com as pessoas do entorno”.

Ana termina seu relato de uma maneira linda: falando sobre qual é o melhor presente para uma mãe.

“Depois de tudo isso, a maior realização: entender que ser transgênero não é escolha, não é invenção, não é modinha. É uma questão MUITO profunda, muito central na identidade da pessoa, muito essencial na construção de uma pessoa plena. Aquela menina insegura e presa dentro de si mesma se tornou um jovem pleno, feliz, realizado em todas as dimensões da vida. Vida fácil? Não, mas a vida não é fácil pra ninguém. Mas uma vida intensa, inteira, de verdade. Melhor presente para uma mãe”.

 

A HISTÓRIA DE MARIA: “Um momento de alegria: eu fui ao cartório, com a cópia do processo, solicitar a nova certidão de nascimento do meu filho”

Dom e Maria

 

“Ligia, meu marido é um homem trans. Você quer conversar com a minha sogra?”.

Foi assim que cheguei até Maria. Maria é mãe de Dom, um homem trans, casado com uma moça que muitas de nós já conhecemos e que admiramos muito por seu trabalho em defesa de outras mães. Maria é uma mulher muito simpática que aceitou prontamente conversar comigo. Ela me contou como descobriu a transição de seu filho, do que teve medo, as alegrias que sente e sentiu, o que teme em relação a ele e o que espera da sociedade com relação às pessoas trans.

“Dom já havia se mudado de Brasília para São Paulo quando resolveu abrir com o pai e foi ele quem me falou. Meu mundo caiu, pois até aí sabíamos da sua homossexualidade. Numa vinda dele a Brasília, foi que conversamos. Ele me explicou como seria todo o processo de transição e aí eu senti muito medo de que esse processo lhe trouxesse danos físicos… Antes meu medo se resumia apenas a preconceito. Ele já havia iniciado o processo quando resolvi contar pra família (meus irmãos, sobrinhos…). Tive apoio incondicional do meu marido e de poucas pessoas da família… Até hoje não falo abertamente no assunto com alguns deles. Muito preconceito e uma boa pitada de fanatismo religioso”.

Neste ponto, ao tocar na questão da religião, Maria conta algo muito surpreendente, que aproveito para ressaltar em função de sua relevância, especialmente numa sociedade que repete padrões e acha que todos os que são religiosos se comportam de uma mesma maneira:

“Por incrível que pareça, tive um apoio muito grande: de um padre da minha paróquia. Foi ele que me deu forças para abrir o jogo com as pessoas e me disse que era pra eu amar meu filho mais ainda a partir daquele momento… Que ele precisava muito de mim”.

De todos os desafios, Maria acha que o principal foi o de contar para sua família sobre a identidade de seu filho. Ela preferiu reunir seus irmãos e contou. Naquele momento, recebeu o apoio de uma irmã, que é madrinha de seu filho, e de um irmão.

“Hoje outra irmã e outro irmão já pedem notícias do Dom. Minha irmã mais velha nunca pergunta… No começo isso me machucava, hoje não mais”.

A maior dor que ela sente em função de ter um filho trans não diz respeito a ele, mas aos outros. Ela tem muito medo de que ele sofra preconceito e agressões físicas. E reconhece que a maior ajuda que a sociedade pode dar, aos filhos trans e suas mães, é se inteirar do assunto.

“Abrir mente e coração e procurar o que realmente acontece com uma pessoa trans. Dói muito quando a gente escuta alguém dizer que isso é safadeza, pouca vergonha. Pesquisei muito, li muitas matérias e estudos sobre o assunto”.

Quando Maria contou sobre suas alegrias, eu também me emocionei. E me lembrei do dia que fui ao cartório, com minha bebê recém nascida nos braços, solicitar sua certidão de nascimento. Um documento que atesta, perante o Estado e os outros, que sua criança está viva e existe. Maria colocou como número 1 em suas alegrias ter ido ao cartório solicitar a nova certidão de nascimento de seu filho… É inevitável pensar que, para além de todo desafio, existe essa coisa muito simbólica: uma mãe que aceita, apoia e acolhe seu filho trans, o vê nascer duas vezes. Como outras alegrias que só viveu porque tem um filho trans, Maria aponta as seguintes:

“A felicidade dele a primeira vez que se olhou no espelho após a mastectomia total. O diploma de curso superior com o novo nome”.

E quando ele conheceu sua esposa e decidiu viver com ela:

“Ali eu sabia que ele não estaria mais sozinho”.

Eu não quis – e não quero, neste texto – incentivar o lado da dor, da dificuldade, dos inúmeros desafios que essas mães precisam superar, junto com seus filhos. Quis mostrar que existem algumas alegrias que vêm justamente do fato de que seus filhos se assumiram outras pessoas. Que isso não é uma coisa obrigatoriamente ruim como tantas pessoas pensam, pelo contrário: que conhecer-se, amar-se, deixar-se desabrochar e viver pode ser tudo aquilo que alguém precisa para ser, de fato, feliz. E pego emprestado as palavras de Ana:

“A maior alegria é hoje ver meu filho, completando 19 anos nesta semana, bonito, com cuidados com o próprio corpo, autoconfiante, seguro e super bem informado sobre sua condição de transgênero, cheio de preocupações com problemas sociais, bom estudante, morando sozinho e trabalhando, com uma namorada firme e muitas meninas interessadas no rapaz interessante que ele se tornou”.

Por fim, lembro e reforço que essas duas histórias não refletem as imensas tristezas que grande parte das pessoas trans vivem, rejeitadas e abandonadas por suas famílias, sujeitas a violências das mais torpes, que tolhem suas vidas tão precocemente. Também enfatizo que não se trata de romantizar uma situação socialmente delicada e problemática. Mas de mostrar um outro lado sobre o qual a mídia de massa não tem interesse em mostrar. A mídia ajuda a produzir a realidade: se mostra apenas a dor, a dificuldade e o ódio, então a sociedade tende a ver apenas a dor, a dificuldade e o ódio. Palavras constroem realidades, já dizia Michel Foucault. Portanto, precisamos mostrar que, para além de todo o desafio, de toda a luta, de todo o ódio, de toda a complexidade social que as pessoas trans vivem, há a imensa possibilidade de duas vidas se encontrarem de maneira insubstituível, de mãe e filha, mãe e filho, se apoiarem como não seria possível de outra forma. Não tinha como intuito discutir a sociologia da transgeneridade, inclusive porque não tenho cacife para isso e há gente infinitamente mais preparada para isso que eu. O que quero, verdadeiramente, com esse texto é plantar uma semente de amor no coração das mães que, por ventura, estejam passando por isso e não estejam aceitando bem. Mostrar que o amor por um filho, por uma filha, precisa estar sempre de mãos dadas com o respeito por quem se é. Mostrar que é preciso que as pessoas trans não encontrem no coro de ódio contra elas as vozes de suas mães, de seus pais, de seus familiares. Que saibam que suas vozes serão ainda mais fortes se, junto, também ecoarem as vozes de suas mães. Porque “o amor sempre pode ser maior que o susto”.

Ah sim, um último adendo. Quando você encontrar uma mulher grávida, lembre-se que há muitas outras coisas que você pode perguntar além do “É menina ou é menino?”. Inclusive porque há respostas que nenhum ultrassom é capaz de nos dar. Você pode substituir o “É menino ou menina?” por “Posso te ajudar de alguma forma?”, por exe.

Fonte: Cientista que virou mãe

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