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Um comprimido por dia para combater os fantasmas do HIV em Portugal
   Blog Diversidade   │     1 de maio de 2018   │     17:07  │  0

Rui Guerreiro é enfermeiro e toma PrEP há dois anos

A profilaxia pré-exposição (PrEP) começa agora a ser disponibilizada a um número limitado de pessoas, mas já há quem a tome há pelo menos dois anos. A compra é feita online e tem riscos e custos, mas a libertação do medo de contrair o vírus e o “empoderamento” em relação à sua própria vida sexual justificam, diz quem a usa.

Desde que surgiram os primeiros casos de HIV em Portugal, no início da década de 80, que, para Henrique (nome fictício), o medo de contrair o vírus andava de mãos dadas com o sexo. Um preservativo que se rompia podia ser uma sentença de morte. Instalava-se o “pânico absoluto”. Era preciso ter “muito cuidado”, lembra o professor universitário de 58 anos. A infelicidade associada ao sexo era uma realidade desde os seus tempos de estudante no ensino superior. Mas isso mudou quando começou a fazer a profilaxia pré-exposição (PrEP, do inglês pre-exposure prophylaxis) — um comprimido de toma diária ou intermitente que tem uma eficácia de 90% na prevenção da transmissão do HIV.

Diz-se hipocondríaco, pelo que, antes da PrEP, à ínfima possibilidade de um preservativo rompido, instalava-se o “terror”. Seguiam-se três meses de espera para fazer as análises que ditariam ou não o fim fatídico.

Quando um dia, há cerca de dois anos, foi convidado para assistir a um filme no Checkpoint Lx — centro comunitário em Lisboa dirigido aos homens que têm sexo com homens e que faz rastreio de infecções sexualmente transmissíveis, aconselhamento e referenciação aos cuidados de saúde e que tem acompanhado alguns homens que já fazem a profilaxia —, onde um “tipo americano explicava porque é que começou a fazer a PrEP”, identificou-se com a história. Daí até começar a tomar um desses comprimidos azuis todos os dias foi um instante.

Só havia um problema: a medicação em causa  não estava disponível em Portugal para quem a queria usar em regime profiláctico (só era disponibilizada para tratar quem já estava doente). Ajudou-o ter amigos médicos sensíveis ao tema e algum grau de literacia informática, uma vez que, até há bem pouco tempo, a única forma de aceder ao medicamento era através da Internet. Com todos os riscos associados à compra de medicamentos online.

O medicamento que contém tenofovir e emtricitabina, o Truvada, já existe no mercado português e faz parte do pacote de medicação de quem já é seropositivo. São estas duas substâncias activas que são também aconselhadas para a PrEP.

Recentemente, a PrEP passou a estar disponível no Serviço Nacional de Saúde, mas no quadro de um programa de acesso precoce que, numa primeira fase, disponibilizará o medicamento para ser usado enquanto profilaxia em doses suficientes para apenas 100 pessoas. Para terem acesso ao medicamento, as pessoas elegíveis “devem ser referenciadas na consulta de especialidade hospitalar de PrEP”,

A estratégia utilizada por Henrique e outros homens tem passado por comprar online o genérico (que não existe em Portugal).

 

Apesar da atenção redobrada dada pela comunidade dos homens que fazem sexo com homens à PrEP, Henrique sublinha que “também deve ser usada por homens e mulheres que têm vários parceiros do sexo oposto” e que a sugere a vários amigos heterossexuais. Em 2016, 96,8% das infecções por VIH ocorreram por via sexual. Dessas, 59,6% aconteceram entre heterossexuais e 37,2% entre homens homossexuais, revelam dados do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

A população a quem se dirige a PrEP é diversa e não se distingue pela orientação sexual. A Direcção-Geral da Saúde recomenda-a a “pessoas com risco acrescido de aquisição de infecção por HIV”, que podem não usar consistentemente o preservativo, ter parceiros sexuais seropositivos ou com estatuto serológico desconhecido e ter diagnósticos prévios de outras infecções sexualmente transmissíveis.

Então porque é que há mais homens homossexuais a fazer a profilaxia e a dar a voz pela sua liberalização? Isabel Aldir, directora do Programa Nacional para a Infeção VIH/SIDA e Tuberculose, explica que estão “mais sensibilizados” para o tema e muitos dos estudos que foram feitos sobre a PrEP tiveram como objecto de análise este grupo.

Rui Guerreiro é enfermeiro, tem 33 anos, e admite continuar a tomar o genérico, até que o medicamento seja disponibilizado num local onde seja “confortável” ir buscar a medicação. Para si, a PrEP significa “empoderamento”. E porquê? A resposta está-lhe na ponta da língua. “O ónus da decisão relativamente à minha saúde sexual está em mim.” O que esta medicação traz é “um sentimento de controlo”. E detalha: “Há uma relação directa entre sentir-me bem com a minha vida sexual e seguro das minhas práticas sexuais.”

Apesar de, ao contrário de Henrique, não ter acompanhado o início da epidemia em Portugal, o enfermeiro não esconde este carácter de controlo que a doença assume sobre a sua vida e da comunidade gay em geral: “O hiv paira sobre as nossas cabeças” e, nesse sentido, “a profilaxia é libertadora”.

O problema é que nem toda a gente achará o mesmo. “Há quem tenha a ideia que quem faz isto são pessoas mais promíscuas e isto lembra-me sempre aquela perspectiva moralista em relação à pílula contraceptiva.”

 

Preservativo vai ou fica?

Apesar de ser promovida como mais uma arma que complementa a luta contra a transmissão do HIV, também há quem sublinhe o risco de a PrEP levar as pessoas a descartar a utilização do preservativo, aumentando a taxa de transmissão de outras infecções sexualmente transmissíveis.

Numa entrevista ao PÚBLICO, no Dia Mundial da Luta contra a Sida (1 de Dezembro), Kamal Mansinho, ex-director do Programa Nacional para a Infecção HIV/sida, explicava: “Não conseguimos separar, numa análise muito cuidada dos números, se há, de facto, um aumento objectivo da não utilização do preservativo quando se toma PrEP.” Hoje, chegou-se “a um tempo em que o preservativo é um dos dispositivos de prevenção”. Mas, notava, “existem outros”.

Isabel Aldir também defende que os estudos “não mostram” uma menor utilização do preservativo por parte de quem faz PrEP. Mais: uma vez introduzida como resposta no SNS, o que está a acontecer por estes dias, desde que a DGS emitiu no final do ano passado normas nesse sentido, será o “contrário”. Uma vez na consulta, os médicos podem aproveitar esse contacto para falar sobre as diferentes dimensões da prevenção. O importante é que não seja “uma estratégia avulsa”.

Apesar de não descartar a importância da profilaxia, António Guarita, director técnico da Opus Gay, associação que defende os direitos das pessoas LGBTI (Lésbica, Gay, Bissexual, Transgénero e Intersexo), teme que se esqueçam que “a dita PrEP é apenas e só para o HIV e não é válida para as outras infecções”. Mas diz que concorda “perfeitamente” com a profilaxia em complemento ao preservativo e que até deve ser disponibilizada na comunidade.

Quando “utilizado sempre, sem romper, sem sair do sítio, do início até ao final das práticas [o preservativo] é de facto eficaz”, nota Rui Guerreiro. Mas nem sempre se poderá contar com ele, ou porque não é usado, ou porque se rompe. Além disso, “querer ou não usar preservativo depende de duas pessoas, a toma da profilaxia não”.

Já Henrique faz questão de sublinhar que tem “rigorosamente os mesmos cuidados” e não dispensa o preservativo.

Para Manuel (nome fictício), com 37 anos, o problema reside mesmo na utilização do preservativo. Diz que tem uma alergia, que lhe foi diagnosticada uma toxicodermatite, pelo que esta forma de protecção é um problema. Faz PrEP há um ano, mas apenas esporadicamente, quando antecipa alguma situação de risco. O preço — esta medicação importada custa cerca de 60 euros por embalagem — e a dificuldade de acesso são o que impede a toma diária.

Tanto para Rui como para Manuel, o início da toma da PrEP esteve associado a comportamentos ou situações que consideraram de risco. Rui recorda-se que “num curto intervalo de tempo” necessitou de fazer profilaxia pós-exposição (PEP, do inglês post-exposure prophylaxis) duas vezes — uma outra solução que consiste na toma de medicação anti-retroviral durante 28 dias e que deve ser iniciada até 72 horas após um comportamento de risco. Manuel já fez três e confessa que é “horrível”: há um grande “moralismo” por parte da comunidade médica.

Estigma persiste

Para Paolo Gorgoni, activista e seropositivo, a PrEP vem demasiado tarde. Quando foi infectado, em 2010, tinha 23 anos e esta profilaxia ainda não era difundida. “Pensei muitas vezes como teria sido se tivesse uma alternativa.”

O italiano que reside em Portugal há vários anos nota que ainda há “muito moralismo” em torno das práticas sexuais e que o preconceito em relação às pessoas seropositivas continua a sentir-se. Paolo defende que a PrEP pode ser uma ferramenta individual importante em “contextos de fragilidade”.

Nuno Carneiro é psicólogo clínico. Recorda-se dos primeiros casos de HIV em Portugal, quando ainda não se sabia bem como é que as pessoas se infectavam e morriam. No âmbito da terapêutica, “a PrEP é uma revolução muito grande”. Mas lança outra questão. Se é verdade que “os fantasmas da epidemia provocam muito medo” e fazem com que estas pessoas decidam tomar o assunto nas suas próprias mãos e comecem a fazer a medicação, também o é que, para outras, o início da toma da PrEP é adiado porque implica a realização de testes. Têm medo de ficar a conhecer o seu estatuto serológico.

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Seminário abordará saúde da população LGBTI+ na cidade de Teotônio Vilela/AL
   Blog Diversidade   │     27 de fevereiro de 2018   │     18:18  │  0

Evento pretende reunir mais de 100 gestores e ativistas do movimento LGBT dos municípios de São Miguel dos Campos, Junqueiro Campo Alegre e Teotônio Vilela-AL.

Na próxima segunda-feira, (05) a cidade de Teotônio Vilela será palco do Seminário “Saúde Integral da População LGBT. O evento objetiva proporcionar um maior entendimento dos profissionais de saúde ás questões específicas de saúde LGBT, auxiliar na construção do conhecimento a cerca da saúde desta população e sensibilizar gestores acerca das melhoras que podem ocorrer nos atendimentos à comunidade LGBT. 

 

O seminário ocorrerá durante todo o dia em duas etapas. Na primeira, serão apresentadas discussões sobre a politica de saúde LGBT facilitadas por profissionais de renome como o da enfermeira especialista em gestão da atenção básica, Leticia Lima, da Universidade de Brasília, da advogada transexual, Maria Eduarda, do Grupo Pela Vida do Rio de Janeiro e do Prof. Mestre Eden Lima, da Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas.
Para Eden Lima, um dos grandes motivos da insistência das diferentes formas de LGBTfobia é a falta de conhecimento. O professor e pesquisador da área de gênero e diversidade, enfatiza que se sente na obrigação de fazer o conhecimento adquirido ultrapassar os muros da universidade e contribuir para a difusão do respeito das questões da população LGBT.
“Nesse sentido esse seminário expressa a nossa preocupação com o preparo dos profissionais especialmente da Atenção Básica para o acolhimento dos usuários com diversas identidades de gênero ou de orientação sexual”, ressaltou Jadson Andrade presidente dpo Afinidades GLSTAL.
Num segundo momento, os participantes serão divididos em grupos onde serão conduzidas oficinas afim de proporcionar situações-problema para gerar reflexão a cerca do atendimento dado à população LGBT nos serviços de saúde. As oficinas terão como temas: Construção de agenda de intenções sobre saúde integral de LGBT, Gênero e identidade sexual nos serviços de saúde e Saúde Integral de LGBT.

 

O Evento é promovido pelo grupo Afinidades GLSTAL com apoio do Ministério da Saúde, do SESAU e das Secretarias Municipais de Saúde de Teotônio Vilela, Junqueiro, São Miguel dos Campos e Campo Alegre.
Para maiores informações: Júlio Daniel (82) 991715115 Na Casa de Cultura de Teotônio Vilela no dia (05/03) as 8:30 horas.

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Saiba quais são os principais sintomas da AIDS
   Blog Diversidade   │     17 de fevereiro de 2018   │     19:07  │  0

Os sinais da doença podem passar despercebidos. Saiba quais são os principais sintomas da AIDS e fique atento às reações do seu corpo.

Você imaginaria que pode estar com uma doença grave e ainda sem cura caso apresentasse um mal-estar, tosse seca, febre e dor de garganta? Provavelmente, você acharia que está com um resfriado, porém esses sinais podem indicar uma infecção aguda pelo HIV. Justamente por isso, é importante conhecer quais são os principais sintomas da AIDS.

É claro que você não deve se desesperar com qualquer dorzinha de garganta, pois é mais provável que você realmente tenha apenas um resfriado comum. No caso do HIV, esses sintomas duram cerca de 14 dias e aparecem de 3 a 6 semanas depois da exposição ao vírus (seja pelo compartilhamento de agulhas ou por meio de relações sexuais sem preservativo).

Além de as reações do organismo serem bastante inespecíficas e poderem ser confundidas com outras doenças, algo que torna essa situação ainda mais grave é que os exames de sangue só conseguem detectar o vírus a partir de 40 dias depois da contaminação.

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINTOMAS DA AIDS

Antes de tudo, é preciso esclarecer que ter o vírus HIV não significa necessariamente que a pessoa tenha AIDS, pois o vírus pode ficar adormecido (incubado) por 8 a 10 anos sem manifestar a doença.

Um paciente só está com AIDS propriamente dita quando sua contagem de linfócitos CD4 (um tipo de célula de defesa) está menor do que 200 células por mililitro de sangue – sendo que o normal, para um adulto saudável, é apresentar de 800 a 1.200 células/ml.

Nesse caso, o paciente pode manifestar alguns sintomas da AIDS, além de ficar mais suscetível a infecções oportunistas – que aproveitam o enfraquecimento das defesas do organismo para se instalar. Saiba quais são os principais sintomas da AIDS:

  • Febre alta persistente: na infecção aguda, a temperatura do paciente costuma ficar entre 38 a 40 graus Célsius durante pelo menos duas semanas – tempo bastante superior à febre de um resfriado comum, por exemplo;
  • Tosse seca persistente e sensação de garganta arranhada: novamente, o que diferencia os sintomas da AIDS e os de um resfriado é a sua duração;
  • Suor noturno: muitas pessoas suam durante a noite e isso não representa um problema de saúde grave. Porém, quem nunca teve esse sintoma e começou a apresentá-lo de repente precisa ficar atento;
  • Dores nos músculos e articulações: são sintomas comuns a outras doenças infecciosas e podem fazer a pessoa se sentir mais cansada e indisposta;
  • Manchas avermelhadas, bolinhas ou feridas na pele: esses sinais costumam aparecer entre 48 a 72 horas depois do início da febre, persistindo por 5 a 8 dias. As partes do corpo mais afetadas são o rosto, o pescoço e o tronco;
  • Inchaço dos gânglios linfáticos: é possível notar um inchaço que dura mais de três meses atrás das orelhas, na parte de dentro dos cotovelos, nas virilhas ou na parte de trás dos joelhos, onde se encontram os gânglios;
  • Diarreia, náuseas e vômitos persistentes: no caso da AIDS, esses sintomas persistem por mais de 30 dias, deixando o organismo ainda mais debilitado;
  • Perda de peso muito rápida: justamente por sofrer com os vômitos e a diarreia por muito tempo, os pacientes com AIDS estão sujeitos a perder bastante peso rapidamente;
  • Espessamento das unhas: esse sintoma acontece quando as unhas são acometidas por uma infecção causada por fungos. Esses micro-organismos se aproveitam do enfraquecimento do sistema imunológico e causam as micoses;
  • Candidíase oral ou genital recorrente: a cândida é um fungo que existe naturalmente no nosso organismo sem causar maiores problemas. Porém, quando as defesas estão fracas, ele se multiplica e causa a candidíase. Em pacientes com AIDS, essa doença parece nunca ser totalmente curada ou estar sempre voltando;
  • Dor de cabeça, dificuldade de concentração e alterações psicológicas: o cérebro é um órgão como todos os outros, por isso ele também é afetado quando o organismo do paciente apresenta uma alta carga viral. Assim, o paciente também pode apresentar dificuldades de memória e coordenação e irritabilidade;
  • Surgimento de doenças infecciosas oportunistas: como o organismo está com suas defesas enfraquecidas, o paciente fica mais sujeito a ter doenças como hepatite, pneumonia, toxoplasmose e tuberculose – e são essas doenças que costumam levar o paciente a óbito.

Os sintomas listados acima podem aparecer em muitas outras doenças além da AIDS, por isso eles não são conclusivos sobre a presença dessa patologia ou não.

COMO SABER DO CONTÁGIO?

Para realmente saber se uma pessoa tem o vírus HIV, é necessário fazer o exame de sangue entre 40 a 60 depois do comportamento de risco que pode ter levado à contaminação e repetir o teste mais duas vezes, após 3 e 6 meses.

Saber quais são os principais sintomas da AIDS pode ser muito útil para reconhecer os sinais que o corpo nos dá quando algo não vai bem na saúde. Porém, muito mais importante do que isso, é sempre se prevenir nas relações sexuais usando o preservativo e jamais compartilhar agulhas ou outros objetos cortantes com outras pessoas.

Fonte(s): Tua Saúde e Saúde Dicas

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Lésbicas encaram tabus e relatam situações constrangedoras durante atendimento ginecológico
   Blog Diversidade   │     6 de setembro de 2017   │     15:19  │  0

O médico de Thaís* suspeitou que ela estivesse grávida sem antes lhe perguntar sua orientação sexual. Julia* ouviu da ginecologista que ficar com meninas era só uma fase, que logo encontraria um namorado de quem ela gostasse, e que ainda era virgem, apesar de ter uma vida sexual ativa. Algo parecido aconteceu com Carolina* (alguns dos nomes são fictícios a pedido das entrevistadas) quando sua médica insistiu que ela tomasse anticoncepcional antes de uma viagem porque ela poderia começar a gostar de algum menino. O despreparo de alguns profissionais no atendimento a este público tem gerado situações embaraçosas que prejudicam o devido atendimento e a saúde da mulher. Essa é uma das bandeiras da luta contra o preconceito e a violação de direitos que marcam o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, celebrado nesta terça-feira.

Apesar dos exames de rotina do atendimento ginecológico serem os mesmos para todas, há testemunhos de despreparo para lidar com questões específicas vivenciadas por mulheres homossexuais. A proteção contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), por exemplo, ainda é um tabu e feita de maneira improvisada. Se a paciente não corresponde ao estereótipo lésbico esperado (cabelo curto e roupas consideradas masculinas, por exemplo), pode ter a orientação sexual questionada. Exames importantes como o Papanicolau, que ajuda a prevenir e a diagnosticar precocemente o câncer de colo do útero, associado à infecção pelo papilomavírus (HPV), por exemplo, são deixados de lado com a justificativa de que a mulher ainda tem hímen e, portanto, é virgem.

O professor do curso de Medicina da UFSC, Alberto Trapani Júnior, que é supervisor da pós-graduação em ginecologia e obstetrícia, concorda que os atendimentos ginecológicos hoje são voltados a pacientes heterossexuais. Isso acontece porque nem na graduação nem na residência os profissionais têm a oportunidade de aprofundar a relação da diversidade sexual com a saúde. Quem quiser se aprofundar no assunto tem que buscar especializações em sexualidade em outros Estados.

— Essas especificidades são menos abordadas do que deveriam. Infelizmente, boa parte dos cursos de Medicina e especializações no Brasil são deficientes na formação mais ampla da sexualidade humana — diz Trapani Júnior.

No consultório, mulheres lésbicas reconhecidas como femininas são percebidas como heterossexuais e podem ter as demandas negligenciadas ou a orientação sexual questionada. A ginecologista de Mariana*, por exemplo, duvidou do fato de ela nunca ter tido relações com homens e a deixou constrangida.

— Ela começou a fazer várias perguntas sobre sexo que me pareceram normais na hora, até ela começar a insistir muito sobre eu não me relacionar com homens. Acho que por ser uma mulher que performa feminilidade e por estar junto da minha namorada, ela duvidou do que eu estava falando. Chegando na hora de ir fazer a coleta para os exames, onde ficamos sozinhas, ela continuou insistindo — desabafa.

O presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de SC, Ricardo Maia Samways, diz que esse tipo de questionamento deve ser feito para que o médico possa dar o atendimento mais adequado, mas deve ser apenas um segmento da consulta.

— É uma mulher e tratamos como saúde da mulher. Mas, no atendimento, temos que ver se ela só tem relação homossexual ou é bi, para poder orientar. Por isso, às vezes a gente insiste nesse tipo de pergunta, não para constranger, mas porque precisa desses detalhes para saber se ela não corre o risco de gravidez indesejada, além de doenças — defende.

Desinformação afasta mulheres homossexuais de clínicas médicas

A ginecologista e obstetra Cássia Soares, especializada em sexualidade humana, dá aula para residentes e busca tocar nessas questões específicas sobre sexualidade. Para a profissional, que atende na Maternidade Carmela Dutra, em Florianópolis, e tem o projeto de criar um ambulatório para mulheres lésbicas, os futuros médicos são preparados para lidar com questões que vêm depois da sexualidade, como gravidez e doenças. Outros pontos importantes ficam carentes de atenção.

— Não se toca nesse assunto que é bastante forte no consultório. Cada vez mais elas nos procuram com queixas relacionadas à sexualidade. O médico às vezes está muito acostumado com as heterossexuais e não sabe mudar o discurso, acaba ignorando a orientação sexual, conduzindo a consulta como se ela fosse hétero e não atendendo a sua real necessidade — avalia a professora.

Métodos improvisados são usados para proteção

A falsa crença de que mulheres que se relacionam apenas com mulheres têm menos chances de transmitirem e serem contaminadas por infecções e doenças também faz com que muitas homossexuais evitem ir ao médico regularmente. Mas lésbicas não estão imunes a infecções por fungos, como candidíase, e bacterianas, nem a doenças como sífilis, hepatite C, o próprio HIV ou qualquer outra transmitida pelo sangue ou mucosas. Sem opções práticas nas farmácias, elas acabam recorrendo a métodos improvisados para se proteger. O assunto ainda gera dúvidas em muitas mulheres, como a coordenadora de marketing digital Paula Chiodo:

— Não tem proteção específica. Existe camisinha feminina, porém não é acessível, não é fácil de colocar e se adaptar. E todas as outras formas de proteção contra DST são métodos adaptáveis, como usar luvas e lubrificante e plástico filme no sexo oral. Dependendo do ginecologista, ele não vai nem dizer isso, vai falar que não existem maneiras — reclama Paula, que já teve atendimento ginecológico negado após ter dito que era lésbica:

— A médica disse que eu poderia sair do consultório dela, que ela não tratava pessoas doentes. Saí de lá sem reação, não sabia o que fazer.

Por: Yasmine Holanda Fiorini

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Lideranças criarão a 1ª casa de acolhimento para LGBT de Alagoas
   Blog Diversidade   │     6 de agosto de 2017   │     22:37  │  0

Com a cara e a coragem, os militantes LGBT: Nildo Correia – presidente do Grupo Gay de Alagoas-GGAL, Laffon Pires – Presidente do Grupo Gay do  Tabuleiro-GGT, Messias Mendonça – Presidente do Grupo Gay de Maceió-GGM e Maria Santos – Presidente do Grupo de Mulheres Negras e lésbicas de Alagoas-DANDARA, estarão abrindo até o final do mês em curso, ou início de setembro, a primeira casa de acolhimento voltada para a população LGBT e pessoas vivendo com HIV/AIDS do Estado de Alagoas.

O espaço chamará, Casa de Acolhimento e Apoio Ezequias Rocha Rego, em homenagem a um dos fundadores do GGAL, assassinado em 2011. 

A casa será no centro da cidade de Maceió, e contará com a prestação dos serviços em assistência jurídica, psicológica, social; cursos profissionalizantes; entrega de preservativo, gel lubrificante e material informativo; espaço para encontros de convivência, além de oferecer abrigo a lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais espulsos  de casa por seus familiares, LGBT idoso e pessoas vivendo com HIV/AIDS.

A iniciativa será feita na raça, mas já conta com o apoio e doações de simpatizantes da causa.

Para Maria Santos – presidente do Dandara, a iniciativa chega a Alagoas para somar na luta contra a exclusão da população LGBT alagoana. “Tomamos está iniciativa, porque se não for a gente a darmos a cara a bater de início, as coisas não andarão”

Para Laffon Pires – Presidente do GGT, são iniciativas como está que fazem a diferença, e vamos em frente, promovendo ações nas áreas da saúde, geração de emprego e renda, educação, cultura e outras necessidades que fortaleça a equiparação de direitos civis e sociais para lésbicas,  gays, bissexuais, travestis, transexuais e pessoas vivendo com HIV/AIDS.

Messias Mendonça – Presidente do GGM, fala na importância e impacto social na vida do público assistido. “Você aí que está lendo esta matéria, sabe a importância de se dá colhida a um jovem LGBT que foi espulso de casa, que se encontra sem chão e desnorteado, com medo do que encontrará pela frente?, Reflita!”.

Já Nildo Correia- presidente do GGAL, aproveitou o momento para convidar toda a militância LGBT alagoana, simpatizantes da luta a se engajar em prol desta causa. “Causa está limpa, sem fins lucrativos, cheia de sede de igualdade de direitos”.

Os interessados em contribuir com doações como: cama; colchão; roupa de cama, mesa e banho; remédios, ou outros donativos, além de serviço voluntário, deverão entrar em contato pelo whatzapp: 82 99644-1004.

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