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Centenas de homossexuais morreram pelas altas voltagens dos choques, de fome e de dor, no manicômio de Barbacena
   Blog Diversidade   │     22 de abril de 2018   │     23:12  │  0

Homossexuais, prostitutas, negros, jovens rebeldes, pessoas tímidas, alcólatras e mendigos eram internados a força por serem incômodos para a sociedade.

Um dos maiores horrores da nossa história aconteceu em Minas, em Barbacena. Pouco conhecido hoje, o hospício de Barbacena foi cenário de horror, dor e morte, local comparado aos piores campos de Concentração Nazista. As pessoas, eram enviadas para Barbacena em vagões de carga, amontoados, como os Nazistas faziam com os Judeus quando os enviavam para seus Campos de Concentração.

Dai a semelhança.Nesse hospício foram mortos 60 mil pessoas durante seu funcionamento, uma média de 16 por dia. Foi constatado que a maioria dos que lá foram internados, não eram loucos, eram pessoas normais. Foram parar no hospício pela maldade humana. Eram…

Meninas que perderam a virgindade, bem como mulheres solteiras que engravidavam eram internadas pelas famílias para esconderem a “vergonha”;

Homossexuais, prostitutas, negros, jovens rebeldes, pessoas tímidas, alcólatras e mendigos eram internados a força por serem incômodos para a sociedade;

Gente rica e poderosa internavam lá seus adversários políticos e quem os prejudicasse;

Maridos, para ficarem com as amantes, internavam suas esposas. Ou internavam as amantes que lhes davam problemas.

Internados, acabavam ficando loucos de verdade. Viviam num ambiente de solidão, humilhações e sofrimentos constantes. Andavam nus, bebiam água de esgoto. Comiam fezes, bebiam urina e eram constantemente submetidos a altas descargas de energias elétricas. Muitos viviam acorrentados pelos pés e mãos ou mesmo trancados em jaulas, como animais, sem sequer sair para tomar sol. Os choques no hospício eram tão altos que até derrubava os muros das casas. Ao longe se ouvia gritos de dor e de socorro, mas ninguém fazia nada.

Quem era levado para o Hospício de Barbacena nunca mais voltava. Morriam pelas altas voltagens dos choques, de fome, de frio, por doenças causadas pela falta de higiene e de dor, muita dor. As familias dos que lá morriam eram informadas(quando eram informadas) da morte dos parentes internados meses depois, por carta ou telegrama. Nem tinham notícias de onde foram sepultados ou o que fizeram com os restos mortais dos que lá morriam.

Hoje o Hospício foi desativado. Virou museu que conta a história da loucura. A dor, os gritos, choques, choros e mortes ficaram no passado e na alma de Minas e do Brasil. Era um hospício do Governo e escolheram Barbacena para sediá-lo. Nesse local, milhares de pessoas, em sua maioria, foram internadas a força, vindas de todos os lugares de Minas e do Brasil. Uma mancha vergonhosa na história de Minas e de nosso país e um ar de assombro em perceber como o ser humano por ser tão mal a ponto de cometer e permitir tanta desumanidade, tanta maldade para com seu próximo.Essa é uma história triste, história essa que muitos não querem que venha a tona, que seja discutida e que seja mostrada.

Holocausto brasileiro: 60 mil morreram em manicômio
“Milhares de mulheres e homens sujos, de cabelos desgrenhados e corpos esquálidos cercaram os jornalistas. (…) Os homens vestiam uniformes esfarrapados, tinham as cabeças raspadas e pés descalços. Muitos, porém, estavam nus. Luiz Alfredo viu um deles se agachar e beber água do esgoto que jorrava sobre o pátio. Nas banheiras coletivas havia fezes e urina no lugar de água. Ainda no pátio, ele presenciou o momento em que carnes eram cortadas no chão. O cheiro era detestável, assim como o ambiente, pois os urubus espreitavam a todo instante”.

A situação acima foi presenciada pelo fotógrafo Luiz Alfredo da extinta revista O Cruzeiro em 1961 e está descrita no livro-reportagem Holocausto Brasileiro, da editora Geração Editorial, que acaba de chegar às livrarias de todo o País. Ainda que tenha semelhanças com um campo de concentração nazista, o caso aconteceu em um manicômio na cidade de Barbacena, Minas Gerais, onde ocorreu um genocídio de pelo menos 60 mil pessoas entre 1903 e 1980. 
Apesar de ser uma história recente, o fato de um episódio tão macabro permanecer desconhecido pela maioria dos brasileiros inspirou a jornalista Daniela Arbex. “Eu me perguntei: como minha geração não sabe nada sobre isso?”. A obra conta a história do maior hospício do Brasil, que ficou conhecido como Colônia e leva este nome por ter abrigado atos de crueldade parecidos com os que aconteceram na Alemanha nazista, durante a Segunda Guerra Mundial. 
“Dei esse nome primeiro porque foi um extermínio em massa. Depois porque os pacientes também eram enviados em vagões de carga (ao manicômio). Quando eles chegavam, os homens tinham a cabeça raspada, eram despidos e depois uniformizados”, explica a autora. Daniela não foi a única a comparar Colônia ao holocausto. No auge dos fatos, em 1979, o psiquiatra italiano Franco Basaglia visitou o hospício com a intenção de tentar reverter o que ocorria no local. “Estive hoje num campo de concentração nazista. Em nenhum lugar do mundo presenciei uma tragédia como essa”, disse na ocasião.A Colônia foi inaugurada em 1903 e continua aberta até hoje, mas o período de maior barbárie aconteceu entre 1930 e 1980, quando pessoas eram internadas sem terem sintomas de loucura ou insanidade. Segundo o livro-reportagem, cerca de 70% das pessoas não tinham diagnóstico de doença mental. “Foi o momento mais dramático. A partir de 1930, os critérios médicos desapareceram. Em 1969, com a ditadura, o caso foi blindado. Não gosto de chamar assim, mas (entre 1930 e 1980) foi um período negro. Foi criado para atender pessoas com deficiência mental, mas acabou sendo usado para colocar pessoas indesejadas socialmente, como gays, negros, prostitutas, alcoólatras”, contou. 

Internação e sobrevivência 

Daniela contou ainda que a ordem para internação das pessoas na Colônia vinha dos mais influentes da sociedade na época. “Quem decidia é quem tinha mais poder. Teve pessoas que foram enviadas pela canetada de delegados, coronéis, maridos que queriam se livrar da mulher para viver com a amante. Não tinha critério médico nenhum. Tem documento que mostra que o motivo da internação de uma menina de 23 anos foi tristeza”, criticou. 
Ao chegarem ao manicômio, os internados tinham uma rotina “desumana”. Eles dormiam juntos em salas grandes sem cama. Todos tinham que se deitar sobre o chão do cômodo, que era coberto apenas por capim. Acordavam por volta das 5h da manhã e eram enviados para os pátios, onde ficavam até 19h, todos os dias. “Barbacena é uma cidade muita fria. Até hoje tem temperatura muito baixa para os padrões brasileiros. Pessoas eram mantidas nuas nos pátios em total ociosidade. Pensa bem que condição sub-humana”, disse a jornalista. 
Além disso, a alimentação na Colônia era precária, o que causou a desnutrição e, consequentemente, o desenvolvimento de doenças em vários dos “pacientes”. “Eles tinham uma alimentação muito pobre, de pouca qualidade nutritiva. Muitas pessoas passavam fome. Tem histórias de gente que em momento de desespero comeu ratos ou pombas vivas. (…) As pessoas acabavam tendo sede e bebiam urina ou esgoto porque tinha fossas no pátio. Não tinha nenhuma privacidade. Até 1979 era assim, faziam xixi e coco na frente de todo mundo”, explicou.
O fato dos homens, mulheres e até crianças ficarem pelados o tempo todo criava um clima de promiscuidade no manicômio. Há relatos de mulheres que foram estupradas por funcionário. “Consegui depoimentos nesse sentido de (estupro e abuso sexual), mas não consegui provar. Tem um caso de uma mulher que disse ter engravidado de um funcionário. Certo é que havia uma promiscuidade incrível. As pessoas eram mantidas nuas, dormindo juntas nessas condições. Crianças eram mantidas no meio dos adultos”, lamentou.
Além das condições insalubres, o hospício chegou a ter 5.000 pessoas ao mesmo tempo, enquanto a capacidade original era para 200 pacientes. Nesses períodos de maior lotação, 16 pessoas morriam todos os dias. “Não era uma coisa determinada, não existia uma ordem (para matar). As coisas foram se banalizando. Um funcionário via que outro fazia tal coisa com o paciente e repetia. As pessoas deixaram as coisas acontecerem. Não tinha essa coisa de vamos fazer com essa finalidade. Era exatamente por omissão”, comentou.
Venda de corpos 
Mas a morte dava lucro. A autora do livro conta que encontrou registros de venda de 1.853 corpos, entre 1969 e 1980, para faculdades de medicina. “O que a gente não sabia e conseguimos descobrir, com a ajuda da coordenação do Museu da Loucura, foi que 1.853 corpos foram vendidos para 17 faculdades de medicina do País. O preço médio era de 50 cruzeiros. Dá um total de R$ 600 mil reais, se atualizarmos a moeda. Tem documento da venda de corpos. De janeiro a junho de um determinado ano, por exemplo, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) recebeu 67 peças, como eles mencionavam os corpos”, afirma. 
Depois de algum tempo, o mercado deixou de comprar tantos cadáveres. Os funcionários passaram, então, a decompor os corpos dos mortos com ácido no pátio da Colônia, diante dos próprios pacientes, para comercializar também as ossadas.
O caos estabelecido na Colônia foi descoberto pela revista O Cruzeiro, que publicou em 1961 uma reportagem de denúncia de José Franco e Luiz Alfredo, entrevistado por Daniela Arbex no livro. A autora conta que, na época, houve comoção em torno do caso, mas as condições continuaram as mesmas no hospício. “Na época, o (ex-presidente) Jânio Quadros estava no poder. Ele falou que ia mandar dinheiro para a Colônia, falaram que ia fazer acontecer e nada. Não foi feito nenhum tipo de intervenção que fizessem os absurdos cessarem. De 1961 até 1979, a situação continuou tão grave quanto”, explica.
As “atrocidades” no hospício só começaram a diminuir quando a reforma psiquiátrica ganhou fôlego em Minas Gerais, em 1979. Hoje, o manicômio é mantido pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) e conta com 160 pacientes do período em que o local parecia mais um “campo de concentração”. Ninguém nunca foi punido pelo genocídio.
FONTE: IG

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Sônia Sissy Kelly, a transexual que sobreviveu a ditadura
   Blog Diversidade   │     15 de fevereiro de 2018   │     18:53  │  0

Nascida nos anos 60, Sônia Sissy Kelly enfrentou a violência do regime militar, viveu por anos na Europa, contraiu HIV e hoje luta pela visibilidade trans na Terceira Idade

Por: Isabela Alves

O Brasil é o país com o maior número de assassinatos contra membros da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), no mundo. Só em 2017, foram 445 homicídios motivados pelo ódio a LGBTs. O dado é de um levantamento do Grupo Gay da Bahia (GGB), segundo o qual o número de assassinatos do tipo cresceu 30% em 2017, em relação ao ano anterior. O grupo acredita, ainda, que o número real pode ser maior, já que muitas pessoas LGBTs não têm seu nome social e identidade de gênero garantidos no atestado de óbito.

A violência contra essa população não é uma novidade no Brasil. Na época da Ditadura Militar, por exemplo, essas pessoas foram alvo de perseguições, censura e chegavam até a ser internadas em hospitais psiquiátricos. Tudo isso porque representavam uma “ameaça à ordem moral e à família tradicional brasileira”.

Os relatos das pessoas LGBTs que sobreviveram a essa época são impressionantes e mostram o quanto a intolerância às diferenças no Brasil é algo forte. Sônia Sissy Kelly é um exemplo disso. Ela é uma mulher transgênero que viveu na época da Ditadura Militar e sofreu diversas violações de direitos por ter assumido sua identidade. Atualmente ela continua lutando pelos direitos de transexuais e travestis, e pela sua sobrevivência.

Apoio familiar e transição de gênero

Nascida em 6 de abril de 1956, no estado do Espírito Santo, Sônia veio de uma família humilde de agricultores. Filha de pai analfabeto e mãe semianalfabeta, ela é a quinta filha de uma família de 13 irmãos. Não teve oportunidade de estudar além da quarta série, porque precisou trabalhar no campo para ajudar com o sustento da família.

Apesar de ter nascido em uma época extremamente conservadora, sua família sempre a aceitou e lhe deu apoio. “Os pais são os últimos a saber da orientação sexual do seu filho e, quando sabem, eles procuram negar por medo de que essa sexualidade não seja bem recebida pelas pessoas. No entanto, eu acredito que as pessoas LGBTs que têm apoio da família têm muito mais coragem de enfrentar a sociedade”, conta.

Imagens de Sônia aos 17, 22 e 27 anos de idade

Sônia iniciou a sua transição na adolescência, aos 17 anos. Por não ter acesso a muitas informações na época, ela não compreendia as mudanças que estavam ocorrendo em sua mente e seu corpo. Eu não tinha consciência do que era uma transexualidade, não sabia nada sobre questões de gênero e o mundo LGBT. Eu saí de casa como Idelci Lopes e fui buscar o meu eu, a minha Sônia Sissy Kelly que eu nem conhecia ainda”.

Ainda muito jovem, se mudou para a praia de Carapebus, uma serra boêmia no litoral de Vitória (ES), e lá encontrou pessoas com as quais se identificava. Algumas já estavam com suas transições completas e outras estavam na fase de transição, assim como ela.

“Até aquele momento eu nunca tinha tirado minha sobrancelha, não tinha nem furado a orelha… Sim, eu escolhi ser uma mulher transexual e sabia que só poderia estar completamente realizada sendo mulher. Essa transição não foi feita da noite para o dia, foi construída. Eu moldei o meu corpo, a minha mente e a minha alma”, explica.

Prostituição e Ditadura Militar

As mulheres transexuais e travestis enfrentam desafios diários nas suas vidas e um deles é a inclusão no mercado de trabalho. Muitas pessoas acreditam que a população de transexuais e travestis esteja ligada a profissões sexuais, mas, na realidade, muitas vão para essa vida porque esta é a única alternativa que lhes resta.

Por falta de políticas públicas que deem apoio a elas, essas pessoas acabam excluídas, marginalizadas. Sônia sentiu essas dificuldades e acabou seguindo o caminho da prostituição para sobreviver. “Nós temos pessoas sim que são profissionais do sexo, mas porque foram obrigadas a cair nessa profissão”.

Na época em que começou a sua transição, em 1974, o Brasil estava passando pela Ditadura Militar, regime autoritário que colocou em prática a censura, perseguição política, a supressão de direitos e a repressão, e Sônia sofreu na pele a crueldade e os abusos dos policiais.

Chegou a ser internada quatro vezes, foi transferida de cidade, e sofreu diversas torturas em um sanatório, com eletrochoques, por conta de suas vestes e penteados. Qualquer manifestação de sexualidade fora do padrão cis normativo era considerada doença mental. “A segurança pública nos violentava demais e tirava todos os nossos direitos, inclusive de ser quem éramos”, relembra Sônia.

Homossexualidade no Brasil e na Europa

Sônia no seu tratamento contra o HIV

Em 1984, resolveu se mudar para a Europa e ficou lá durante sete anos. Nesse tempo, ela morou em vários países, como Espanha, França, Itália, Suíça, Alemanha e Portugal. “Não vamos dizer que o Brasil é o único país que viola os direitos das pessoas LGBTs, mas os países da Europa estão bem mais evoluídos para lidar com as questões de gênero, sexualidade e até mesmo as pessoas em situação de rua”, explica.

Em 1991, quando vivia em Portugal, descobriu ter o vírus HIV e decidiu voltar para o Brasil. Assim, ela começou a trabalhar em prol de questões como prevenção, conscientização e redução de danos do HIV/AIDS“Na descoberta do HIV, eu tive que voltar para o Brasil para refletir minhas ações, e recomeçar minha vida junto da espiritualidade maior e junto do ativismo social”, conta.

Ativismo

Chegando no Brasil, Sônia se juntou à Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS, em Belo Horizonte (MG), e também trabalhou no Gapa (Grupo de Apoio à Prevenção da Aids). Já em 2008, fundou a Associação do Núcleo de Apoio e Valorização à Vida de Travestis, Transexuais e Transgêneros do DF e Entorno (Anav Trans) e também iniciou seu ativismo social dentro da população em situação de rua pela Pastoral da Rua, Fórum da População de Rua e no Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para População em Situação de Rua (CIAMP Rua).

“Minha maior bandeira de luta é pelo direito do nome social garantido, acolhimento institucional e pelo reconhecimento das identidades de gênero das mulheres travestis e transexuais. Já tivemos avanços, estamos no caminho certo e um dia vamos chegar lá”, comenta.

No Brasil, para conseguir mudar o nome e o sexo no RG, é preciso apresentar um laudo de um psicólogo e de um psiquiatra atestando que a pessoa “sofre de transexualismo”, termo do Catálogo Internacional de Doenças, e todo esse processo pode durar cerca de um ano.

“Nós, mulheres transexuais e travestis, morremos com requintes de crueldade, mas ainda somos reconhecidas por parte da polícia/imprensa como homens. A diferença entre a Ditadura Militar e os dias atuais é que hoje podemos ser protagonistas das nossas próprias histórias. Somos cada vez mais empoderadas para lutar pelos direitos como saúde, educação de qualidade e por mais oportunidades no mercado de trabalho”, afirma Sônia.

Terceira Idade

Agora que está na terceira idade, com 61 anos, Sônia continua lutando para ter seus direitos garantidos, já que muitas vezes nessa fase da vida as políticas públicas não dão suporte a essa população e muitas sofrem com a invisibilidade social. “Quando a gente entra na terceira idade, começa a perceber nossas mudanças perante o espelho e para as travestis e transexuais essas mudanças são ainda piores”.

Por conta das mudanças corporais, Sônia conta que muitas travestis e transexuais perdem o cabelo, os pelos no corpo e o silicone pode chegar a ficar destruído. “A gente como profissional do sexo já não consegue se manter e muitas das vezes a gente tem até a vida sexual ativa, mas as pessoas discriminam essa sexualidade na terceira idade”, explica.

Sônia na Ocupação Carolina Maria de Jesus, MG

Depois de ficar dois meses esperando por acolhimento em um espaço feminino em um asilo e não ter conseguido, Sônia foi morar na Ocupação Carolina Maria de Jesus, em Minas Gerais. A ativista é aposentada desde 1991, porém por conta dos gastos com seus remédios e alimentação, ela se mudou para a ocupação e está lutando por uma moradia fixa.

Pessoas interessadas em ajudar a Ocupação Carolina Maria de Jesus podem doar alimentos no endereço Av. Afonso Pena, número 2300, Belo Horizonte – MG.

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A história por trás da bandeira arco-íris, símbolo do orgulho LGBT
   Blog Diversidade   │     2 de junho de 2017   │     15:51  │  0

Baker nasceu em 2 de junho de 1951 em Chanute, no Estado americano do Kansas.

O criador de um dos principais símbolos da comunidade LGBT – a bandeira arco-íris – morreu aos 65 anos em sua casa em Nova York, nos Estados Unidos, informou a imprensa americana.

Gilbert Baker morreu enquanto dormia. As causas da morte ainda não foram divulgadas.

Mas qual é a história por trás de sua maior criação? E como a bandeira arco-íris se tornou um símbolo da comunidade LGBT?

Baker criou o estandarte, originalmente com oito cores, em 1978, para o Dia de Liberdade Gay de San Francisco, na Califórnia (Estados Unidos).

A bandeira original tinha as seguintes cores, cada uma representando um aspecto diferente da humanidade:

  • Rosa – sexualidade
  • Vermelho – vida
  • Laranja – cura
  • Amarelo – luz do sol
  • Verde – natureza
  • Turquesa – mágica/arte
  • Anil – harmonia/serenidade
  • Violeta – espírito humano

Naquela ocasião, 30 voluntários ajudaram Baker a pintar a mão as duas primeiras bandeiras arco-íris. Elas foram hasteadas para secar no último andar de galeria de um centro da comunidade gay em San Francisco.

Sujos de tinta, eles tiveram de esperar até a noite para lavar suas próprias roupas – já que não podiam lavá-las em lavanderias públicas.

Tempos depois, a bandeira foi reduzida a seis cores, sem o rosa e o anil. O azul também acabaria por substituir o turquesa.

Falando sobre sua criação, Baker disse que queria transmitir a ideia de diversidade e inclusão, usando “algo da natureza para representar que nossa sexualidade é um direito humano”.

Em 2015, o Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMa, adquiriu a bandeira para a sua coleção de obras, chamando-a de “poderoso marco histórico do design”.

“Decidi que tínhamos de ter uma bandeira, que uma bandeira nos encaixasse em um símbolo, o de que somos pessoas, um tribo”, disse Baker ao museu em uma entrevista.

“E as bandeiras são sobre proclamar poder, então é muito apropriado”, acrescentou na ocasião.

Bandeira arco-írisDireito de imagemREUTERS
Image captionO aniversário de 25 anos da bandeira foi celebrado em 2003

Homenagem

A bandeira arco-íris foi hasteada no centro de San Francisco para homenagear Baker.

Em sua conta no Twitter, o roteirista americano Dustin Lance Black disse: “Os arco-íris choram. Nosso mundo é bem menos colorido sem você, meu amor. Gilbert Baker nos deu a bandeira do arco-íris para nos unir. Nos unirmos de novo”.

O senador pelo Estado da Califórnia Scott Weiner afirmou que o trabalho de Baker “ajudou a definir o movimento LGBT moderno”.

Parada gay em Nova York (2005)Direito de imagemGETTY IMAGES
Image captionBandeira tornou-se símbolo da diversidade e da inclusão

Das Forças Armadas ao design

Baker nasceu em 2 de junho de 1951 em Chanute, no Estado americano do Kansas. Ele cresceu em Parsons, também no mesmo Estado, onde sua avó tinha uma pequena loja de roupas. Seu pai era juiz e sua mãe, professora.

De 1970 a 1972, ele serviu nas Forças Armadas americanas. Quando deixou o Exército, Baker aprendeu a costurar sozinho e usou a habilidade para criar pôsteres para marchas de protesto anti-guerra e a favor dos direitos LGBT.

Foi durante esse período que ele se tornou amigo de Harvey Milk, o primeiro parlamentar abertamente homossexual da história dos Estados Unidos.

Baker criou a bandeira arco-íris em 1978, mas se recusou a registrá-la como sua marca.

Em 1994, ele se mudou para Nova York, onde viveu até sua morte.

Naquele ano, ele criou a maior bandeira do mundo em comemoração ao 25º aniversário da Rebelião de Stonewall – como ficou conhecidas as manifestações da comunidade LGBT contra a invasão da polícia de Nova York ao bar Stonewall Inn, em Manhattan.

Os protestos anteciparam o movimento moderno de libertação gay e a luta dos direitos LGBT nos Estados Unidos.

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O adeus a Cláudia Oliveira, agente de prevenção que batalhou pela dignidade das travestis e pessoas com HIV/aids
   Blog Diversidade   │     20 de junho de 2016   │     16:36  │  0

Morreu neste sábado (18), em São Paulo, a agente de prevenção Cláudia Oliveira, aos 51 anos, em decorrência de um tromboembolismo pulmonar. Ativista de direitos humanos, Cláudia sempre batalhou pela inclusão e dignidade das travestis e pessoas vivendo com HIV/aids.

Cláudia nasceu e passou sua infância no Rio de Janeiro. Formada como técnica de enfermagem, trabalhou no Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo, em 1999. Desde 2005, era agente de prevenção, no SAE Lapa, pelo Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo.

“A Cláudia sempre teve coragem de viver com doçura e solidariedade. Nunca entrou em histórias do mal. Ela sempre semeou cidadania e promovia as pessoas”, conta Nair Brito, ativista e uma das fundadoras do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP).

Segundo Maria Clara Gianna, coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, antes de atuar no CRT-SP, Cláudia desempenhava um trabalho de atenção mútua na Casa de Apoio Brenda Lee, que acolhe o público GLBTT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros) portadores de HIV/aids.

“Meu primeiro contato com ela tem mais de 17 anos. Eu admirava muito o carinho e força que ela tinha para ajudar as pessoas. Ela era o vínculo entre a Casa de Apoio Brenda Lee, onde era voluntária e o CRT-SP. Ela se preocupava muito em melhorar as condições de vida da população de travestis e transexuais. Sempre convivemos de uma maneira bem próxima, o diálogo sempre foi muito aberto. Ela foi uma grande militante e pessoa maravilhosa. Tinha uma postura admirável. Agora, fará muita falta”, diz Maria Clara.

“Cláudia foi uma lutadora que semeou cidadania. Sempre acolhendo, auxiliando e espalhando amor. Tivemos uma relação próxima e compartilhamos bons e alegres momentos. Eu, particularmente, tenho muita gratidão e carinho por ela, que deve ter sido recebida com muito amor e respeito por Deus. Foi o que nos deixou por aqui: exemplos de amor e respeito”, afirma Roseli Tardelli, diretora desta Agência

O enterro será realizado neste domingo (19), no Cemitério de Vila Nova Cachoeirinha, localizado na Av. João Marcelino Branco, S/N, na zona norte de São Paulo.

 

Redação da Agência de Notícias da Aids

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Biografia de Lou Reed fala de tratamento de choque e homossexualidade
   Blog Diversidade   │     8 de junho de 2016   │     0:00  │  0

No livro, o autor Victor Bockris narra a personalidade do cantor e compositor nova-iorquino que esteve à frente do Velvet Underground, banda que revolucionou o rock nos anos 60

Recentemente lançada no Brasil pela editora Aleph numa versão atualizada, a biografia “Transformer – A História Completa de Lou Reed” – publicada originalmente em 1994, quando Lou tinha 52 anos -, promete reacender a chama em torno de um dos artistas mais emblemáticos e controversos da história da música, morto em outubro de 2013, aos 71 anos.

O título é uma referência ao clássico disco de 1972, seu maior sucesso fonográfico produzido por David Bowie e o guitarrista Mick Ronson. “Lou Reed foi a pessoa mais doce, charmosa, inteligente, articulada e engraçada que conheci em Nova York no início dos anos 70. Ele também podia ser o inverso. Drogas e álcool tiveram muito a ver com essas mudanças”, disse em entrevista ao Metrópoles o autor Lou Ree.

Nascido na Inglaterra e criado nos Estaod Unidos, Bockris fala com a propriedade de quem vivenciou de perto a cena junkie e hedonista nova-iorquina da época. Também autor nos anos 80 da biografia sobre o Velvet Underground, ele fazia parte da trupe do artista plástico Andy Warhol, no mítico estúdio da Factory, e trombava com as criaturas mais bizarras, insanas e criativas do mundo das artes. Lou Reed foi uma delas.

“Todos os meus livros têm dois aspectos em comum: eles se dedicam a grandes oradores, pessoas que passaram suas vidas construindo por meio da arte da poesia, das canções e entrevistas”, comentou Bockris, também autor das biografias do escritor beat, William Burroughs, dos roqueiros Patti Smith e John Cale, além do dândi Andy Warhol, os dois últimos parceiros de Lou nos anos seminais do Velvet. “Andy Warhol foi o grande líder e professor daquele futuro”, observou.

Registro envolvente e às vezes pessimista de uma trajetória marcada por conflitos pessoais, mergulhos quase suicidas no vício e polêmicas profissionais, “Transformer” também surge como uma espécie de radiografia sem filtro de uma carreira cheia de metamorfoses criativas e revoluções musicais. Judeu criado no Brooklyn, Nova York, Lou sonhou um dia em ser como Bob Dylan, mas driblou a hipócrita sociedade do seu tempo saltando para o lado selvagem da vida para se tornar uma espécie de Baudelaire da Música, com letras apologéticas sobre prostituição, travestis, universo gay, drogas e sexo. Ele rompeu barreiras, mas pagou um preço alto por isso.

Os tratamentos de eletrochoques a que foi submetido pelos pais na adolescência era uma tentativa frustrada de reprimir dois dos maiores pesadelos para uma família suburbana na década de 1950: a homossexualidade e o sonho de se tornar um rock star.

“Os horríveis tratamentos de choques pelo qual Lou Reed passou, no assustador Creedmore Mental Hospital, foram a primeira coisa que ele me contou quando o entrevistei em 1974, logo após o lançamento de “Rock ‘n’ Roll Animal”, lembrou o autor Victor Bockris, referindo-se ao visceral álbum ao vivo do artista, lançado em 1975. “Em outras palavras, era parte de sua imagem. Ele desafiou o status quo, o valor da obra de Lou Reed é como um teste decisivo da moral do seu tempo”, emendou.

Reflexos brasilienses
Foi o produtor e músico britânico Brian Eno quem fez a piada, numa entrevista nos anos 80. “O primeiro álbum do Velvet Underground vendeu poucas cópias, mas todos que compraram o disco montaram uma banda”. E deve ter sido mesmo. Em Brasília, por exemplo, no início dos anos 90, um jovem entre os seus 16 e 17 anos, se deixaria enfeitiçar pela psicodelia selvagem do famoso disco da banana. “Acho que o Velvet Underground é uma das bandas que me fizeram perceber o lado mais alternativo do rock, do proto punk, o wild side”, recorda Lucq Albano, líder e letrista do Suíte Super Luxo, importante grupo de rock alternativo da cidade. “Enfim, se há uma teogonia do rock, certamente o VU constela”, resume.

Vocalista da banda brasiliense Judas, o paulistano Adalberto Rabelo Filho não tem certeza se a primeira vez que deparou com o universo denso, sujo e iconoclasta das letras de Lou Reed foi por meio da voz de Michael Stipe, do R.E.M. – via “Dead Letter Office”, o raro álbum B- Side da banda de 1987 que continha três regravações de sucessos do Velvet: “There She Goes Again”, “Femme Fatale” e “Pale Blue Eyes” –, ou por conta da hedonista, “Venus in Furs”. Mas de uma coisa ele não esquece. O dia em que comprou o primeiro disco solo do ídolo, o clássico “New York”, lançado em 1989.

“Provavelmente foi lá na Modern Sound, em Copacabana. Não sei se por sorte ou sina, a casa da minha avó ficava em frente à loja, na Barata Ribeiro”, busca na memória o artista, confessando influência total do Velvet e seu mentor em sua formação como roqueiro. “Não só pela questão da iconoclastia e no confrontamento de valores, mas também pela qualidade e diversidade dos assuntos abordados nas letras. Ele não era de suavizar nada, doesse a quem doesse”, observa.

Para a jornalista e ensaísta Ellen Willis (1941 – 2006), Lou Reed cruzou a década de 70 deixando sua marca em todos os desenvolvimentos significante do rock ‘n’ roll, escreveu ela, fazendo alusão ao flerte do artista com o glam rock e o movimento punk, do qual é considerado padrinho. Para o músico Adalberto Rabelo Filho, passados 50 anos desde quando trilhou longa jornada noite adentro, no submundo vulgar da vida, o artista continua mais atual do que nunca.

“Infelizmente não tocamos músicas dele nos shows. Mas era uma boa. Acho que “There is No Time” (do álbum “New York”) teria ressonância nos dias de hoje”, provoca.

 

Leia a conversa de Victor Bockris com o Metrópoles:

Lou Reed e John Cale, seu grande parceiro nos anos de criação no Velvet Undergroud – “Lou Reed foi influenciado por várias pessoas em diferentes fases da sua vida. Acredito que John Cale foi a maior influência sobre as músicas de Lou Reed e os dois discos do VU que gravaram juntos (“The Velvet Underground and Nico – 1967 e “White Light & White Heat” – 1968). Antes de Cale, Lou estava escrevendo canções populares urbanas. Cale as transformou em sinfonias psicodélicas para uma época.”

Andy Warhol e o Velvet Underground – “Eu acredito que Andy Warhol teve também forte influência sobre a banda, em particular, no seu primeiro álbum, que ele realmente produziu. Warhol era a maior força na tomada do registro no estúdio. O apoio de sua presença e sua insistência para que o álbum fosse gravado cru em sua linguagem é um testemunho do poder de suas visões naquele mágico ano de 1966.”

O legado de Lou Ree – “Ele desafiou o status quo. Todos os artistas fazem. (…) Lou era um fabulista, era o seu trabalho tirar alguma coisa de suas experiências e transformá-la em parte de sua mitologia. Artistas não são pessoas perfeitas e Lou tinha muitas falhas. Um dos maiores paradoxos sobre sua carreira é que ela foi construída com o sucesso de excelentes escritores que escreveram de modo inteligente sobre ele durante quarenta anos de sua vida.”

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