Porto Alegre quer se tornar destino gay friendly
   Blog Diversidade   │     13 de julho de 2015   │     14:25  │  0

Seminário de capacitação do trade é um dos primeiros passos da SMTur para qualificar receptivo do público LGBT.

De olho neste segmento, que  movimenta no mundo, anualmente, cerca de  US$ 70 bilhões (30% a mais do que outros viajantes, Porto Alegre se prepara para expandir turismo gay

De olho neste segmento, que movimenta no mundo, anualmente, cerca de US$ 70 bilhões (30% a mais do que outros viajantes, Porto Alegre se prepara para expandir turismo gay

Responsável por 30% do faturamento das empresas de turismo de lazer em todo o mundo, o segmento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) está no foco do trade turístico da capital gaúcha. Amanhã, um seminário promovido pela Secretaria Municipal de Turismo (SMTur) marcará as primeiras iniciativas do poder público voltadas para a estruturação deste segmento em Porto Alegre. Sob o tema Cenários do Turismo LGBT, a palestra será ministrada pela presidente da Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes (Abrat GLS), Marta Dalla Chiesa, que irá apresentar números e potencialidades deste mercado no Brasil e no mundo, além de estratégias de sucesso adotadas por grandes empresas e destinos gay friendly, seguidas de dicas para ingressar e trabalhar com viagens para o segmento. O evento é fechado para convidados, e ocorre a partir de 14h, no Novotel Três Figueiras.

Em setembro, será lançado o Programa de Turismo LGBT da Capital em feira promovida pela Associação Brasileira de Agências de Viagem. De acordo com o titular da SMTur, Luiz Fernando Moraes, a secretaria também estuda proposta de utilização de um selo gay friendly na hotelaria de Porto Alegre, que será entregue às empresas que aderirem ao programa. “Estamos preparando um inventário sobre o tema, e construiremos um guia turístico com sugestões de roteiros e um hotsite específico para o segmento, com informações concentradas”, completa Moraes.

De forma isolada, já há quem trabalhe com este público na Capital. É o caso da Equality Turismo. Quando abriu a empresa, em 2007, a proprietária, Mariana Fortes, optou por segmentar este público, ao perceber que não havia no Estado nenhuma agência especializada neste sentido. “Focamos em ter um diferencial.”

A empresária afirma que até hoje ainda é bastante difícil encontrar operadoras ou pacotes de viagens específicos para o segmento. “Por isso, montamos roteiros personalizados de acordo com o perfil de cada cliente.” Viagens culturais e cruzeiros são alguns exemplos de produtos que encantam o público gay, afirma Mariana. A cada pacote vendido, ela cuida para que o receptivo dos destinos eleitos esteja preparado para atender com qualidade o segmento, buscando exclusivamente estabelecimentos gay friendly. “Também damos dicas de baladas gay, bairros e guetos LGBT de cada cidade”, completa a agente de turismo, ressaltando que, em geral, este é um público “mais decidido” do que o convencional, e que pesquisa mais sobre os destinos – em geral, sabendo exatamente o que quer. A aposta da Equality foi certeira, e atualmente o segmento representa 50% de vendas dos pacotes.

Em andamento na secretaria municipal de Turismo, o trabalho voltado para o segmento foi iniciado há dois meses, integrando outras ações na busca de novos mercados para fortalecer o trade. “O turismo LGBT movimenta 15% do faturamento do setor em todo o mundo. Este é um público de alto poder aquisitivo, e que permanece por mais tempo nos destinos”, observa o titular da SMTur. Segundo a Organização Mundial do Turismo, enquanto o setor cresce 3,8% ao ano, o segmento LGBT cresce 10,2%. “Em geral, o ticket médio deste público é 30% maior do que o turista de lazer comum”, diz Moraes.

Marta, da Abrat GLS, lembra que a cidade de São Paulo recebe um incremento de R$ 360 milhões a cada ano na economia durante a semana da Parada do Orgulho Gay. No carnaval do Rio de Janeiro, o movimento financeiro de turistas do público LGBT é de R$ 460 milhões/ano.

Empresas turísticas preocupam-se em oferecer atendimento qualificado voltado ao segmento

A agente de turismo Mariana Fortes, proprietária da Equality Turismo em Porto Alegre, destaca que, para bem atender o segmento LGBT, alguns cuidados devem ser tomados. Na reserva, por exemplo, o atendente não deve determinar por si só as acomodações com base nos nomes; o correto é dizer quais os TIPOS DE QUARTOS oferecidos e perguntar qual é o pretendido. Ainda sobre acomodações, no check-in, o que está no voucher deve ser respeitado. No caso de dúvida, recomenda-se aos recepcionistas de hotéis ler todas as informações para confirmar o serviço, deixando que o cliente identifique se há ou não erro. Isso se reflete nas ações: ao ler a reserva, se a cama for de casal, aquele olhar de espanto ou reprovação não é admissível em um estabelecimento gay friendly.

“São medidas que evitam o constrangimento”, concorda a presidente da Abrat GLS, Marta Dalla Chiesa, que irá palestrar amanhã sobre o cenário do segmento, no Novotel Três Figueiras, em Porto Alegre. Ao colocar o tema em pauta, a SMTur, promotora do evento, pretende sensibilizar entidades e empresas do receptivo local para o turismo LGBT, considerado um dos mais relevantes mercados de viagens no mundo. “O objetivo é tornar a capital gaúcha referência entre os destinos turísticos identificados como gay friendly, seja por suas características de cidade que respeita e defende as diversidades, as conquistas e os direitos desta comunidade, como pela qualidade de seus serviços e boas práticas de acolhimento”, explica o secretário de Turismo, Luiz Fernando Moraes.

No receptivo hoteleiro, por exemplo, os detalhes são muito importantes, explica Marta, que também integra o Conselho de Diretoria da International Gay & Lesbian Travel Association (IGLTA) e preside o Grupo de Trabalho para o Segmento LGBT da Secretaria de Turismo de Santa Catarina. De acordo com ela, no Brasil, alguns dados sobre o segmento se assemelham aos da comunidade internacional. “É um mercado com um potencial imenso. Somente no Brasil, são 12 milhões de consumidores em potencial. Existem muitas OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS, e as agências podem promover pacotes turísticos diferentes, incluindo os voltados para lua de
mel ou que garantam um bom acolhimento do idoso gay nas viagens”, diz.

Detalhes como atentar ao perfil do hóspede passam desde educação e respeito na recepção, até as cores dos pares de chinelos que ficam nos quartos de casal. Na maioria das vezes, o acessório tem cores azul e rosa, pressupondo a recepção de um casal heterossexual. A dica é dar preferência para a cor branca. Para quem quer INVESTIR no segmento, vale observar a reserva e providenciar os pares, onde ambos sejam azul ou rosa, mostrando que o serviço foi pensado especificamente no cliente.
Segundo a Embratur, o público LGBT gasta mais em cultura, arte, lazer, entretenimento e vida noturna, dando preferência a estabelecimentos de boa qualidade e amigáveis, onde é respeitado e bem-acolhido.

Por: Adriana Lampert – Jornalista

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