Monthly Archives: maio 2014

O primeiro crime homofóbico do Brasil
   Blog Diversidade   │     31 de maio de 2014   │     0:00  │  0

“Índios em suas cabanas” (Johann Moritz Rugendas/História Hoje)O texto a seguir foi extraído do livro “História do Crime no Brasil”, que será lançado em 2015. A obra, organizada pelos historiadores Mary del Priore e Gian Carlo, contará com a participação de diferentes autores.

Março de 1612: três navios franceses zarpam da Bretagne em direção ao Maranhão, contando com o patrocínio da rainha regente Maria de Medicis, tendo a missão de fundar uma nova colônia no Brasil, a France Équinoxiale. Sob o comando de Daniel de La Touche, Senhor de la Ravardière a expedição constava de aproximadamente 500 colonos e quatro missionários da Ordem dos Capuchinhos. Após cinco meses de tumultuada navegação, desembarcam no Maranhão, celebrando-se a primeira missa na nova colônia aos 8 de setembro de 1612. Dão logo início à construção de um forte e fundação da cidade de São Luís, em homenagem ao rei menino, Luís XIII. Poucos meses após sua chegada, promovem a execução de um índio homossexual, o primeiro crime homofóbico documentado no Brasil.

No Brasil, particularmente entre os Tupinambá, a etnia mais numerosa que ocupava o litoral do Maranhão a Santa Catarina, na visão dos missionários e cronistas portugueses e franceses, os índios apresentavam sexualidade tão devassa que só podiam mesmo ser escravos do Diabo: nus, polígamos, incestuosos, sodomitas. Diz Gabriel Soares de Souza em 1587: “São os Tupi­nambá tão luxuriosos que não há pecado de luxúria que não cometam. Não contentes em andarem tão encarniçados na luxúria naturalmente cometida, são muito afeiçoadas ao pecado nefando, entre os quais se não tem por afronta. E o que se serve de macho se tem por valente e contam esta bestialidade por proeza. E nas suas aldeias pelo sertão há alguns que têm tenda pública a quantos os querem como mulheres públicas.” Já em 1557 o missionário protestante Jean de Lery refere-se à presença entre os Tupinambá de índios tibira, praticantes do pecado nefando de sodomia e em 1575 o franciscano André Thevet rotula-os de berdaches, termo de origem persa usado em todo mediterrâneo para descrever aos homopraticantes e transexuais. Tibira foi o termo genérico tupinambá alusivo à persona homoerótica que teve maior difusão entre os moradores do Brasil nos dois primeiros séculos de colonização, referido igualmente em alguns documentos da Inquisição, particularmente no Maranhão e Paraíba.

Foi portanto com vistas a “purificar a terra de suas maldades” que os frades determinaram a procura e captura dos tibiras maranhenses, conseguindo prender um infeliz que fugira para o mato. Certamente era um dos tais índios notórios “que têm tenda pública a quantos os querem como mulheres públicas”. Justificava-se essa extrema intolerância homofóbica por parte dos capuchinhos devido ao receio de provocar a ira divina e os consequentes castigos contra a nova missão, daí a metáfora da purificação da terra extirpando o mau pecado pela raiz. A reivindicação do tibira cobrando que seus cúmplices também fossem executados revela surpreendente sentido de justiça igualitária, talvez o réu estivesse sugerindo que entre os principais chefes que o condenavam à pena de morte, havia alguns que frequentavam seus serviços homoeróticos.

O desfecho desta execução revela o farisaico cuidado dos religiosos em mascarar suas responsabilidades sobre essa morte, a qual, malgrado sua simulada conformidade com os tradicionais procedimentos judiciais, tinha as cartas previamente marcadas para seu sangrento desfecho: “Terminado o processo e proferida a setença, cuidou-se em sua alma dizendo-se-lhe, que se ele recebesse o batismo, apesar de sua má vida passada, iria direto para o Céu apenas sua alma se desprendesse do corpo. Acreditou nessas palavras, e pediu o batismo.

Frei Yves D’Évreux fornece-nos pitoresco detalhe sobre a importância do tabaco (petum em lingua tupinambá) entre os nativos: “Este infeliz condenado recebeu as consolações de muito boa vontade, e antes de caminhar para o suplício disse aos que o acompanhavam: ‘Vou morrer, não mais os verei, não tenho mais medo de Jurupari pois sou filho de Deus, não tenho que prover-me de fogo, de farinhas, de agua e nem de ferramenta alguma para viajar além das montanhas, onde cuidais que estão dançando vossos pais. Dai-me porém um pouco petum para que eu morra alegremente, com a palavra firme e sem o medo que me estufa o estômago”. Deram-lhe o que ele pediu, à semelhança dos que vão ser justiçados, aos quais também se dá pão e vinho, costume não deste tempo e sim desde a mais remota antiguidade, pois então se oferecia aos criminosos vinho com mirra e ópio para provocar o sono dos pacientes. Feito isto, levaram-no para junto da peça montada na muralha do forte de São Luís, junto ao mar, amarraram-no pela cintura à boca da peça, e o Cardo Vermelho lançou fogo à escova, em presença de todos os principais, dos selvagens e dos franceses, e imediatamente a bala dividiu o corpo em duas porções, caindo uma ao pé da muralha, e outra no mar, onde nunca mais foi encontrada.”

Não temos notícia no Brasil de outros criminosos que tivessem sido executados na boca de uma canhão, nem de outro réu que tivesse solicitado pitar como seu último desejo, misericordiosamente atendido pelos algozes. – Luiz Mott

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“Meu namorado gosta de se vestir de mulher”
   Blog Diversidade   │     30 de maio de 2014   │     12:00  │  5

Taras, fetiches e fantasias. Na sua opinião, há algo errado nisto ? Veja o depoimento abaixo. 
“Fátima”.  Namoro há um ano e meio e nos damos bem na cama. No mês passado fui fazer uma surpresa de aniversário para o meu namorado e descobri dentro do armário umas roupas novas de mulher, com a etiqueta e tudo. Ao pressioná-lo, ele jurou que não tinha uma amante e acabou confessando que gosta de se vestir de mulher, faz isso desde pequeno. Disse que não é gay e que nunca transou com um homem. Fala que gosta de mulher, que gosta de mim. Foi um choque, não sei em que acreditar. O que eu posso fazer? Ignoro esse “gosto” dele ou devo terminar o namoro? Por favor me ajude, obrigada.”Quando esse segredo vem à tona, a situação geralmente é estressante, conflituosa. Nem todo par entende a prática, porque ela se distancia da representação dos papéis de homem e de mulher: comportamentos, gestos, modos de se vestir, de falar.Mesmo num país como o nosso, onde homens e mulheres se expressam de diferentes formas, ainda há o impacto, o choque com a descoberta. Já é complicado entendermos certos aspectos da nossa sexualidade; do outro, é mais difícil. Estamos carregados de tabus e preconceitos que limitam o nosso entendimento, além da falta de conhecimento.Não é diferente quando o assunto é crossdressing ou CD (abreviação). Crossdressing é um termo usado para definir pessoas que usam roupas e objetos associados ao sexo oposto.O termo é atual, mas a história relata mulheres que se travestiam de homens e o inverso também na Antiguidade, e nas idades Média e Moderna. Porém, é difícil dizer o que era por erotização ou uma forma encontrada para participar de segmentos da sociedade exclusivos ao sexo oposto. A prática como hoje acontece, só apareceu no início do século 20.Para a psicóloga Jaqueline Gomes de Jesus, doutora em psicologia social, crossdresser é um termo “variante de travesti, para se referir a homens heterossexuais, comumente casados, que não buscam reconhecimento e tratamento de gênero (não são transexuais), mas, apesar de viverem diferentes papéis de gênero, tendo prazer ao se vestirem como mulheres, sentem-se como pertencentes ao gênero que lhes foi atribuído ao nascimento e não se consideram travestis.” Ainda revela que “a vivência promove uma satisfação emocional ou sexual.”A “montagem”, geralmente acontece em local privado, com ou sem a aprovação da parceira. Na maioriadas vezes é fora da residência e em clubes próprios para a prática, a fim de manter o segredo, pela culpa, medo ou vergonha.A psicóloga Eliane Chermann Kogut, doutorada no assunto, revela que em sua pesquisa encontrou Cross-dressing, heteros e bissexuais. Mas podem existir homossexuais, porém não é comum.Segundo, a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da Universidade de São Paulo, ainda há muito que conhecer sobre o assunto, mas ela diz que o desejo de se “montar” pode se manifestar em qualquer fase da vida do indivíduo, sumir ou permanecer ao longo dela.

Há casais, que tomam a prática como uma ampliação do universo emocional. Algumas esposas passam a compartilhar o guarda-roupas porque entendem que é uma fantasia e a experiência, muitas vezes, é usada para apimentar a vida sexual do casal.

Cara leitora, reuni de forma bem resumida os dados sobre o assunto para que você tenha um melhor entendimento e para que isso auxilie na sua decisão.

Converse mais com ele e, se possível, tenha alguma convivência no mundo dos CDs ou Cross-dressing. Mas, sinta o seu limite. Às vezes queremos ser descoladas e atiradas para o novo, mas ainda não é possível. Avalie suas expectativas e sentimentos. Só assim terá a resposta.

 
Fonte: Revista Dellas

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“As grandes editoras não querem ter seus nomes associados à homossexualidade”
   Blog Diversidade   │     29 de maio de 2014   │     19:34  │  0

Alexandre Willer de Melo, da editora Escândalo, comenta a literatura LGBT brasileira às vésperas da festa Escandaliza, que reunirá autores e leitores homoafetivos em SPO que é uma barreira para muitos pode se tornar uma oportunidade para quem tiver visão. O mercado editorial sempre fez pouco caso dos autores com histórias ou ideias ligadas à homoafetividade; a maioria dos editores viam essas obras como nada além de encalhes em potencial. A editora Giselle Jacques e o escritor Roberto Muniz Dias, no entanto, enxergaram aí um nicho a ser explorado, e fundaram há dois anos a editora Escândalo, especializada em literatura LGBT.

A Escândalo conta em seu catálogo com títulos de ficção (romances, contos, poesia, ensaios e literatura infantil) e não-ficção (psicologia, auto-ajuda, religião, ciência, direito e política). Ano passado a editora promoveu pela primeira vez a festa Escandaliza, com a intenção de apresentar seus títulos e seus autores ao público. Esse ano, às vésperas da parada LGBT, o evento se repete. A confraternização entre autores e leitores vai acontecer amanhã, 2 de maio, a partir das 18h, no Telstar Hostels (Rua Capitão Cavalcanti, 177, Vila Mariana). Durante o evento serão lançados os livros A sesmaria esquecida, de Luciano Cilindro de Souza, e Homossilábicas vol. 3, mais uma adição à série de contos homoafetivos da editora.

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Metrossexual, retrossexual e ubersexual: qual a diferença?
   Blog Diversidade   │     28 de maio de 2014   │     0:00  │  2

A modernidade trouxe vários perfis no universo masculino; descubra o significado de cada um deles

E você, se enquadra em que modalidade?

O termo metrossexual foi usado pela primeira vez em 1994 pelo escritor inglês Mark Simpson. É uma palavra originária do inglês e representa a junção dos termos ”sexual” e ”metrópole”.

Confesso que a primeira vez que me deparei com o termo não sabia exatamente do que se tratava. Só depois descobri tratar-se de um novo movimento masculino. Os homens se tornaram mais vaidosos. Muitos frequentam as academias, salões de beleza, fazem as unhas, cuidam dos cabelos, hidratam a pele, fazem bronzeamento artificial, depilam o peito, e às vezes fazem plástica. Ou seja, cuidam melhor do visual, e as mulheres aprovam.

O homem metrossexual geralmente vive nas grandes metrópoles, se interessa pelo sexo oposto e não tem vergonha de dizer que cuida do corpo, da alma, da pele e do guarda-roupa.

Muitos homens apresentam qualidades metrossexuais mesmo sem saber. Homem que se preocupa com moda não é, necessariamente, homossexual. O homem não se torna mais masculino por andar malvestido, relaxado.

Já o termo retrossexualismo é justamente o contrário do metrossexualismo. São homens heterossexuais que não se preocupam com aparência física.

Nos tempos modernos, vão se modificando os termos. Apenas dois anos depois de o termo metrossexual se popularizar, surgiu um novo conceito, o ”ubersexual”, objetivando definir a nova tendência de masculinidade.

Ira Matathia e Ann O’Reilly, autores do livro ”The Future of Men” (O futuro dos homens), lançado nos Estados Unidos, em 2005, descrevem uma imagem mais clássica do homem. Em lugar do metrossexual, o homem do futuro será ubersexual.

Aparentemente, este novo perfil do homem moderno não representa uma mudança drástica em relação ao metrossexual, pois ele também se preocupa com a imagem pessoal, porém se aproxima mais da figura do homem tradicional.

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Metrossexual, retrossexual e ubersexual: qual a diferença?
   Blog Diversidade   │       │     0:00  │  2

A modernidade trouxe vários perfis no universo masculino; descubra o significado de cada um deles

E você, se enquadra em que modalidade?

O termo metrossexual foi usado pela primeira vez em 1994 pelo escritor inglês Mark Simpson. É uma palavra originária do inglês e representa a junção dos termos ”sexual” e ”metrópole”.

Confesso que a primeira vez que me deparei com o termo não sabia exatamente do que se tratava. Só depois descobri tratar-se de um novo movimento masculino. Os homens se tornaram mais vaidosos. Muitos frequentam as academias, salões de beleza, fazem as unhas, cuidam dos cabelos, hidratam a pele, fazem bronzeamento artificial, depilam o peito, e às vezes fazem plástica. Ou seja, cuidam melhor do visual, e as mulheres aprovam.

O homem metrossexual geralmente vive nas grandes metrópoles, se interessa pelo sexo oposto e não tem vergonha de dizer que cuida do corpo, da alma, da pele e do guarda-roupa.

Muitos homens apresentam qualidades metrossexuais mesmo sem saber. Homem que se preocupa com moda não é, necessariamente, homossexual. O homem não se torna mais masculino por andar malvestido, relaxado.

Já o termo retrossexualismo é justamente o contrário do metrossexualismo. São homens heterossexuais que não se preocupam com aparência física.

Nos tempos modernos, vão se modificando os termos. Apenas dois anos depois de o termo metrossexual se popularizar, surgiu um novo conceito, o ”ubersexual”, objetivando definir a nova tendência de masculinidade.

Ira Matathia e Ann O’Reilly, autores do livro ”The Future of Men” (O futuro dos homens), lançado nos Estados Unidos, em 2005, descrevem uma imagem mais clássica do homem. Em lugar do metrossexual, o homem do futuro será ubersexual.

Aparentemente, este novo perfil do homem moderno não representa uma mudança drástica em relação ao metrossexual, pois ele também se preocupa com a imagem pessoal, porém se aproxima mais da figura do homem tradicional.

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