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Homossexualidade na visão espírita
   Blog Diversidade   │     20 de janeiro de 2014   │     12:00  │  0

PERGUNTA: — A tendência de buscar uma comunhão afetiva com outra criatura do mesmo sexo, conhecida por homossexualidade, implica em conduta culposa perante as leis Espirituais?
RAMATÍS: — Considerando-se que o “reino de Deus” está também no homem, e que ele foi feito à imagem de Deus, evidentemente, o pecado, o mal, o crime e o vício são censuráveis, quando praticados após o espírito humano alcançar frequências muito superiores ao estágio de infantilidade.
Os aprendizados vividos que promovem o animal a homem e o homem a anjo, são ensinamentos aplicáveis a todos os seres. A virtude, portanto, é a prática daquilo que beneficia o sei; nos degraus da imensa escala evolutiva.
O pecado, a culpa, são justamente, o ônus proveniente de a criatura ainda praticar ou cultuar o que já lhe foi lícito usar e serviu para um determinado momento de sua evolução.
A homossexualidade, portanto, de modo algum pode ofender as leis espirituais, porquanto, em nada, a atividade humana fere os mestres espirituais, assim como a estultícia do aluno primário não pode causar ressentimentos no professor ciente das atitudes próprias dos alunos imaturos.
Pecados e virtudes em nada ofendem ou louvam o Senhor, porém, definem o que é “melhor” ou pior para o próprio ser, buscando a sua felicidade, ainda que por caminhos intrincados dos mundos materiais, sem estabilidade angélica. A homossexualidade não é uma conduta dolosa perante a moral maior, mas diante da falsa moral humana, porque, os legisladores, psicólogos, e mesmo cientistas do mundo, ainda não puderam definir o problema complexo dos motivos da homossexualidade, entretanto, muitos o consideram mais de ordem moral do que técnica, científica, genética ou endócrina.PERGUNTA: — Que dizeis da homossexualidade à luz da doutrina espírita?
RAMATÍS: — Quem responde a tal problema são os próprios espíritos, no tema “Sexo nos Espíritos”, capítulo IV, da “Pluralidade das Existências”, item 200 a 202, do “Livro dos Espíritos” que assim respondem: 200 — Têm sexo os Espíritos? R. — “Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas, baseados na concordância de sentimentos”. 201 — Em nova existência, pode o Espírito que animou o corpo de um homem animar o corpo de uma mulher e vice-versa? R. —”Decerto: são os mesmos os Espíritos que animam os homens e as mulheres”. 202. — Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher?
R.— “Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar”.PERGUNTA: — Sob a opinião vigente, parece tratar-se de um fenômeno anormal. Que dizeis?
RAMATÍS: — Tal afirmação é verdadeira quando interpretada estatisticamente, por ser a maioria significativa das pessoas heterossexuais, porém, ao interpretarmos sob o prisma das leis da evolução espiritual, o problema não pode ser solucionado de forma geral, pois, é peculiar a cada individualidade, em sua luta redentora anímica.
No decorrer do tempo, a humanidade terrícola há de compreender melhor os conceitos de normalidade e anormalidade, verificando não se ajustarem de maneira coerente, ao tratar-se simplesmente de gestos, condutas externas, incapazes de mostrarem o íntimo das almas. O próprio corpo carnal traz, às vezes, alguns traços da anormalidade ou normalidade do espírito, porquanto, é, tão somente, o agente de manifestações configuradas na herança biológica, determinada pela hereditariedade espiritual.
O problema, é realmente, de afinidades eletivas no campo da espiritualidade, porquanto, homem e mulher carnais são, apenas, expressões da mesma essência espiritual, diferenciada pela maior ou menor passividade, atividade, sentimento e razão. Através de milênios, o espírito ora encarna-se num organismo feminino, ora masculino, despertando, desenvolvendo e aprimorando as qualidades inerentes e necessárias das expressões sexuais.
O homem e a mulher têm, simultaneamente, predicados algo femininos ou masculinos, que se acentuam dando características peculiares em cada reencarnação, sem que isso possa definir uma separação absoluta, capaz de classificar como anomalias os reflexos femininos na entidade masculina e vice-versa.PERGUNTA: — Afirmam alguns estudiosos dos problemas de homossexualidade que se trata de consequência glandular. Que dizeis?
RAMATÍS:— São palpites e confundem o “efeito” com a “causa”, porquanto, as alterações endócrinas, apenas, ativam ou reduzem o metabolismo glandular, resultante da tensão psíquica intensa ou reduzida sobre as estruturas cerebrais, entre elas o hipotálamo e o eixo hipotalâmico, com a ação reflexiva sobre a hipófise, a qual ativa as demais glândulas endócrinas.PERGUNTA: — Poderíeis explicar-nos, de modo mais compreensível para nós, as particularidades desse assunto?
RAMATÍS: — O espírito que, por exemplo, numa dezena de encarnações nasceu sempre mulher, a fim de desenvolver sentimentos numa sequência de vidas passivas na atividade doméstica, mas, por força evolutiva, precisa desenvolver o intelecto, a razão, atitudes de liderança e criatividade mental enverga um organismo masculino e, consequentemente, os caracteres sexuais de homem; entretanto, ele revive do perispírito suas reminiscências de natureza feminina. Depois de várias encarnações femininas e, subitamente, renascendo para uma existência masculina, raramente, predominam, no primeiro ensaio biológico, os valores masculinos recém-despertos, porque sente, fortemente, as lembranças psíquicas ou o condicionamento orgânico feminino.
Em consequência, renasce e se desenvolve, no ambiente físico terreno, uma entidade com todas as características sexuais masculinas e, contudo, apresentando um comportamento predominantemente feminino. Assim, eclode a luta psicofísica na intimidade do ser, em que os antecedentes femininos conflitam com as características masculinas, ocasionando conflito dos valores afetivos, que oscilam, indeterminadamente, entre a atração feminina ou masculina.
É o homossexual indefinido quanto à sua afeição, pelas exigências conservadoras e tradicionais da sua comunidade, para a qual ele é um “homem” anatomofisiologicamente, mas, no âmago da alma, tem sentimentos e emoções de mulher, recém-ingressa no casulo orgânico masculino. Apresentando todas as características da biologia humana do tipo masculino é, no campo de sua afeição e emotividade, uma criatura afeminada, malgrado os exames bioquímicos feitos serem característicos do sexo masculino.PERGUNTA: — Poderíamos supor que tal fenômeno pode acontecer, também, num sentido inverso, quando o espírito demasiadamente masculinizado em vidas anteriores, traz essas características ao renascer mulher?
RAMATÍS: — No caso, ocorre o mesmo processo ventilado. O Espírito que viveu uma dezena de existências masculinas, situado em atividades extra lar, desenvolvendo, mais propriamente, os princípios ativos, o intelecto, a razão e a iniciativa criadora, mais comandando e menos obedecendo, mais impondo e menos acatando, desenvolve uma individualidade algo prepotente e, às vezes, tirânica. Obviamente, ele precisa modificar o seu psiquismo agressivo ou violento pelas constantes atividades de lutador, guerreiro, onde a razão não permite qualquer prurido sentimental e, reconhecendo a necessidade de desenvolver o sentimento, é aconselhado a envergar um organismo carnal feminino, em algumas reencarnações reeducadoras. Nesse caso, é muito difícil expressar, de início, as características delicadas, temas e gentis da mulher.
A tensão perispiritual despótica, impulsiva e demasiadamente racional atua fortemente no novo corpo projetado para o sexo feminino e, por repercussão extracorpórea, ativa em demasia o cérebro, predispondo à ação da masculinidade sobre as características delicadas feminis. Daí, a conceituação da “mulher-macho”, com a voz, gestos e decisões que lembram mais o homem.
Não se pode comprovar serem essas características provenientes de alguma alteração genética; realmente, imprimem na criatura a característica psicológica do sexo, a qual se sobrepõe à fisiologia e singeleza dos órgãos reprodutores. Sexo masculino é atividade mental, sexo feminino é atividade sentimental, enquanto, a diferença orgânica entre o homem e a mulher é apenas resultante das irradiações eletromagnéticas do perispírito na vida física.
Em verdade, importa fundamentalmente ao espírito imortal desenvolver a razão para melhor compreender e agir no mundo e, simultaneamente, o sentimento para sentir o ambiente e, aí, efetuar realizações criadoras. Daí, o motivo por que a angelologia faz da figura do anjo um ser duplamente alado, cuja asa direita simboliza a razão e a esquerda o sentimento, comprovando a necessidade de o espírito humano só se liberar para o trânsito definitivo ao universo divino, em sua ascese espiritual, depois da completa evolução da razão e do sentimento.
É do conhecimento espiritual que, no desenvolvimento da individualidade do espírito eterno, a passagem da experiência feminina para a masculina ou vice-versa, no renascimento num corpo físico com certa marca sexual, de início predominam sempre os traços da feminilidade ou da masculinidade anterior, malgrado as diferenças da figura sexual do corpo.
No incessante intercâmbio do espírito, manifestando-se ora pela organização carnal feminina, ora pela masculina, ele desperta valores novos comuns a determinada experiência humana como homem, ou como mulher. Ademais, nesse renascimento através do binômio homem-mulher, além do desenvolvimento do intelecto ou da razão, conforme o estágio masculino ou feminino, ‘corrige e salda os débitos dos abusos pecaminosos desta ou daquela condição, feminina ou masculina.
Insistimos em dizer-vos: o homem que abusa de suas faculdades sexuais no excesso da lascívia e somente para a satisfação erótica, culminando por arruinar a vivência de outras pessoas, chegando a ocasionar desuniões conjugais, provocar a discórdia, a aflição e o desespero e desonras em lares diversos, ou lançando na vida a infeliz moça com o filho no desamparo de mãe solteira, ou que descamba por desespero e fraqueza na prostituição, há de corrigir-se do seu desregramento pelo renascimento físico num corpo feminino e, sob a coação doméstica do esposo tirânico, resgatar e indenizar todos os males produzidos ao próximo.
Igualmente, a mulher que não cultiva os valores sadios da função digna e amorosa de esposa, poderia sofrer nova encarnação feminina dolorosa, ou terá de se reajustar, na condição física, num corpo masculino, capaz de lhe proporcionar todas as ilusões, descasos e fuga dos deveres conjugais com uma companheira tão fútil, pérfida e irresponsável quanto também foi no passado, saturando assim o desejo, em vez de sublimá-lo. Ambas as posições, feminina e masculina, no mundo físico, proporcionam ensejos válidos e simultaneamente corretivos para garantir ao espírito aflito pela redenção, alcançar, o mais breve possível, a frequência angélica, independente de sexo e estágios carcerários na carne.PERGUNTA: — Afora os espíritas ou reencarnacionismo esclarecidos, é muito difícil encontrar-se mentalidades humanas crentes dessa possibilidade de o espírito renascer homem, ou de retornar como mulher. Talvez, exista nisso uma reação inconsciente do homem, ao se considerar frustrado ou ferido em sua masculinidade, pelo fato de poder vir a ser mulher, como um objeto de sensualidade passiva?
RAMATÍS:— Causa certa surpresa a descrença na possibilidade de o mesmo espírito de homem retomar à Terra na figura de mulher, quando a própria imprensa terrena é pródiga de notícias nas quais a intervenção cirúrgica e a terapêutica hormonal adequada transforma homens em mulheres, e vice-versa. Considerando-se que é bem mais difícil ao homem se transformar em mulher, depois de caracterizada a sua masculinidade na existência física, é bem mais fácil o espírito decidir-se pelo sexo, antes de renascer.PERGUNTA: — Que dizeis desse estigma de homossexualidade, quando as opiniões se dividem, taxando tal fenômeno de imoral, e outros de enfermidade?
RAMATÍS: — Sob a égide da severa advertência do Cristo, em que “não julgueis para não serdes julgados”, quem julgar a situação da criatura homossexual de modo anti-fraterno e mesmo insultuoso, não há dúvida de que. a Lei, em breve, há de situá-lo na mesma condição desairosa, na próxima encarnação, pois, também é de Lei “ser dado a cada um segundo a sua obra”.
Considerando-se nada existir com propósito nocivo, fescenino, imoral ou anormal, as tendências homossexuais são resultantes da técnica da própria atividade do espírito imortal, através da matéria educativa. Elas situam o ser numa faixa de prova ou de novas experiências, para despertar-lhe e desenvolver-lhe novos ensinamentos sobre a finalidade gloriosa e a felicidade da individualidade eterna. Não se trata de um equívoco da criação, porquanto, não há erro nela, apenas experimento, obrigando a novas aquisições, melhores para as manifestações da vida.
Assim, o companheiro atribulado, ou de tendência homossexual, precisa mais do amparo educativo, da instrução espiritual correta referente ao entendimento dos acontecimentos reencarnatórios e da fenomenologia de provas cármicas. Os erros e acertos da alma, principalmente no campo do amor e do sexo, sejam quais forem as linhas de força dirigentes nessa ou naquela direção, são problemas que recebem a mesma análise e solução justa por parte da Lei, seja qual for a procedência, correta ou equivocada. São assuntos da consciência de todos os homens, pois, de acordo com a Justiça e a Sabedoria, quem ainda não passou por provas semelhantes e condena ou insulta o próximo há de enfrentá-las dia mais ou dia menos, a fim de sentir, na própria carne, não o erro do próximo, mas o remorso do mau julgamento espiritual.PERGUNTA: — Que dizeis de a homossexualidade ser um acontecimento imoral?
RAMATÍS: — É de senso comum ser a moral humana produto das tradições, costumes, preconceitos, convenções sociais, as quais têm por objetivo a segurança, a sobrevivência e a proteção da sociedade. É enfim, parte da ética, que trata dos costumes, dos deveres e do modo de proceder dos homens para com os outros homens, segundo o senso de justiça e de equidade natural. No entanto, se deveres, obrigações e bons costumes definem a boa moral humana, verificamos que, acima da moral transitória e evolutiva das relações entre pessoas, existe a moral eterna, incluindo todos os seres do Universo, não apenas um povo, um planeta. Não é difícil observar que a mais avançada ou aparente sadia moral humana pode, muito bem, conflitar com os fundamentos preceituais da verdadeira moral e, consequentemente, nem sempre o que é moral aos homens, em certa cultura, seria em outra etnia e muito menos, para a moral universal.
Enquanto a moral humana é um recurso de equilíbrio, sobrevivência pacífica e disciplina entre os cidadãos, tendo por apanágio o acatamento às leis, costumes, preceitos sociais, respeito à propriedade alheia, vivência regrada sem licenciosidade pelos bons hábitos considerados os melhores no momento, a Moral Universal é fundamentada, exclusivamente, no Amor. Imoral, portanto, é todo cidadão encarnado que falta com o preceito fundamental da vida espiritual superior — o Amor. Se a homossexualidade é imoral, pelos conceitos passageiros da moral humana, também são imorais os cidadãos que julgam seus irmãos, incorrendo culposamente na falta de Amor.PERGUNTA: — Há fundamento em que a homossexualidade é mais propriamente, fruto de enfermidade psíquica?
RAMATÍS: — Considerando-se ser o amor saúde espiritual e o ódio, enfermidade, toda transgressão da Lei do amor pode ser enquadrada na terminologia patológica, ora de menos ou de mais gravidade, neste ou naquele setor. Embora saibamos ser a doença fruto fundamental do desequilíbrio físico, ou psíquico, ou de ambos, de qualquer forma, a enfermidade sempre decorre da negligência espiritual do homem para com as leis superiores no campo da virtude e do vício.
Assim, tanto pode ser apontada por enfermidade a tendência homossexual quanto a hipocrisia, a maledicência, a avareza, a inveja, a luxúria, a ira, a preguiça e a própria gula, assim classificadas pela espiritualidade. Em consequência, o problema da homossexualidade não é quanto à sua classificação legal ou científica, mas o de amparo afetuoso por todos, que se julgam sadios na sua heterossexualidade.PERGUNTA: — E quanto a se enquadrar o homossexualismo na categoria de perversão?
RAMATÍS: — Caso o homossexualismo seja perversão passível de terapêutica ou de penas legais, cabe às leis da natureza a culpa fundamental disso, pelo fato de elas não saberem desenvolver as características específicas da personalidade, ditadas pelas influências do espírito humano, acostumado por um punhado de existências exclusivamente femininas ou masculinas. Na nova encarnação, pela ação da forte sexualidade do passado, essas influências modificam as reações psicológicas do espírito renascido mulher ou homem, contrariando as peculiaridades orgânicas. O homossexual pode ser fruto de dificuldades da técnica sideral em conseguir o psiquismo adequado ao organismo humano, em atenuar a feminilidade total em nova encarnação masculina, ou vice-versa; ou, é óbvio que também pode ser a prova cármica para quem, realmente, abusou de suas faculdades eróticas, ocasionando prejuízos a outros, no campo da própria sexualidade, com repercussões sociais.
Ademais, em muitos casos, espíritos de liderança, cultos, hipersensíveis, virtuoses da música, gênios da pintura ou renomados escultores da matéria e da vivência espiritual, no intuito de concluir tarefas de elevação nos agrupamentos humanos e melhoria de si próprios, podem solicitar a mudança urgente da personalidade definida transitoriamente na carne, assumindo um organismo sexualmente oposto ao ultimamente habitual. Daí, a influência fortemente feminil na organização carnal de sexo masculino, ou a força dominante de masculinidade no arcabouço físico feminino, num visível desequilíbrio entre o psicológico e o orgânico.
Além disso, se o vosso orbe terrícola, planeta de evolução primária, lentamente se transformando para estados mais avançados, até atingir o objetivo de evolucionar para uma valiosa escola espiritual superior, fosse habitado exclusivamente por espíritos puros ou superiores, não existiriam problemas de “perversões” ou “prostituições”, porquanto, tais problemas não são específicos de entidades malignas, porém, decorrentes da inferioridade e dos defeitos de todos os homens terrenos. Os próprios “marginais” e “delinquentes” terrenos são produtos indiretos da falta de assistência, educação, saúde, lar, carinho e amor da sociedade que se julga impoluta, quando é hipócrita e mistificadora. Para qualquer deslize, inversão sexual, delinquência, crime, pilhagem, subversão, vício ou perversão, culpa-se toda a humanidade, onde cada cidadão é responsável por determinada cota de negligência, egotismo, comodidade, bem-estar, prazer egocêntrico, pusilanimidade, especulação lucrativa extorsiva, fanatismo religioso, mentalidade obscena, fácil irascibilidade, adultério, avareza ou excesso de bens, roubados à maioria. Ainda nesse caso, tudo lembra a frase de Jesus: “Aquele que não tiver pecado, atire a primeira pedra”. Em verdade, surgiu na Terra uma criatura absolutamente hígida em espírito, isenta de qualquer desequilíbrio emotivo ou criação mental negativa.
Ele era harmônico e sadio quanto às suas emoções, justo e absolutamente amoroso em suas ações, irradiando bondade, perdão e amor e, acima de tudo, sem qualquer sombra de “perversão” ou “prostituição”, pelo seu caráter ilibado e conduta honesta. Mas, os homens mesquinhos pregaram-no na cruz, por ser Jesus, o Cristo vivo, um látego da nova moral sobre os pretensos impolutos defensores e participantes da sociedade humana deteriorada.
Mesmo assim, traído, insultado, zombado, ferido e crucificado, Ele estendeu seu majestoso e sublime olhar à multidão acicatada pelas paixões inferiores e sua voz vibrou amorosamente para toda eternidade: “Pai, perdoai-os, porque eles não sabem o que fazem”.PERGUNTA: — Sob vossa opinião, é sempre censurável o fato de alguém condenar homossexuais?
RAMATÍS: — Sob qualquer conceituação que os julgardes, seja distúrbio endocrínico, enfermidade, perversão, prostituição ou vício, trata-se de almas companheiras de vossa jornada terrena, merecendo a compreensão, pois, talvez, ainda tereis de passar por semelhante problema, ou já o tivestes antes. Como não há privilégios, preferências religiosas ou injustiças da Lei, nenhum espírito ou filho de Deus passará incólume da animalidade para o estado humano, e de homem para anjo, sem passar por problemas, insuficiências, defeitos, pecados e vícios de toda a humanidade. Alhures, já vos dissemos que o próprio Jesus não evoluiu em “linha reta”, porém, fez o curso integral da vida física como qualquer outro homem já o fez ou terá de fazê-lo. Distingue-se Jesus de Nazaré dos demais homens atuais porque, tendo alcançado o clímax de sua evolução planetária, sacrificado na cruz, e sepultado, ressuscitou pela emancipação espiritual na figura do “Irmão Maior” e é, na atualidade, o “Caminho, a Verdade e a Vida”, pois, quem não praticar os seus ensinamentos, adquiridos em suas vidas, em incontáveis milênios de aperfeiçoamento, não alcançará o reino dos Céus.
Consequentemente, o principal problema não é de interpretação científica, patológica ou moral, no tocante aos portadores de homossexualidade, num julgamento simplista ou leviano, mas o de ajuda, compreensão e interesse de fazer ao irmão réprobo social o mesmo que desejaria a si mesmo, caso se defrontasse com semelhante problema. Ainda aqui, recomendamos o Cristo, na sua advertência incomum: “Vedes o argueiro no olho do vizinho, e não reconheceis a trave no vosso olho?”
Na verdade, a maioria das criaturas homossexuais não sabe bem o que lhes acontece e, assim, não pode ser culpada de uma situação cuja causa desconhece conscientemente. Daí, a necessidade de ajuda por outros que podem examinar, analisar e concluir de modo mais exato quanto às providencias favoráveis ou, pelo menos, maior compreensão e tolerância. O homossexual, em geral, é uma alma confusa, sujeita a impulsos ocultos, não tendo a percepção das causas ou dos motivos que o levam à erotização pelo mesmo sexo. É de conceito comum, mesmo entre as pessoas sem conhecimento psicológico, ser o sexo uma força poderosa e atuante no ser humano, capaz de conduzi-lo às piores perversões, delinquência e até crimes, pela satisfação animal imediata.
O desejo sexual pode cegar o homem mais culto, mais sábio e mesmo o líder religioso, o sacerdote impoluto, pois, a história é pródiga de exemplos de mentalidades de poderosa criatividade deixarem se dominar por ele e rebaixarem-se, até degradarem-se por uma paixão incomum, pela avidez da satisfação sexual. Entretanto, é doloroso notar serem tais desregramentos sexuais mais frequentes entre as criaturas heterossexuais, ou sejam, as que são julgadas normais e sadias. Portanto, como julgar a manifestação dessa energia poderosa canalizada para o homossexualismo, gerando contradições inexplicáveis?
Logo, a mais correta e louvável atitude espiritual ainda é “ajudar” e não julgar as almas estigmatizadas socialmente pelos desvios da sexualidade.PERGUNTA: — Considerando-se terem os heterossexuais uma opinião formada dos homossexuais, pelo direito peculiar às criaturas humanas de pensar, qual deveria ser a opinião deles a esse respeito?
RAMATÍS: — Embora considerando existir em, realmente, homossexuais cuja alma de mau caráter os leva a uma perversão na prática sexual, alguns de repulsivo cinismo e ostensivamente obscenos, a maioria dos homossexuais, geralmente, é de almas afetivas e gentis, espíritos simpáticos à arte, à música e à literatura romântica, porque dispõem de grande capacidade artística e estética, eletivos à harmonia, dotados de forte amor humano, quase sempre buscando realizações filantrópicas e serviços de benefício ao próximo e à humanidade. Os homossexuais masculinos trazem a sensibilidade feminina, de gentileza, candura e afetividade, e as mulheres, traços de masculinidade; às vezes, o despotismo, a agressividade, a rigidez e o gosto por trabalhos e esportes mais próprios do homem.
Aliás, as estatísticas do mundo demonstram que o índice de criminalidade entre os homossexuais é muito reduzido, talvez, porque são mais tolerantes e pouco inclinados à violência física, afora alguns casos excepcionais, quando há violência e conflitos, comuns também entre os heterossexuais. O mundo dos homossexuais é algo tranquilo, e sua maior conturbação é resultado das frustrações de relacionamento humano.
Mas o homossexual não pode ser considerado um delinquente, um excluído social, porque exerce um trabalho, é capaz de amar, de servir, integrando-se à comunidade. Sem dúvida, há espanto, preconceito e opróbrio por parte dos heterossexuais, ante a sua impossibilidade de compreender a capacidade ou a desventura de uma pessoa amar outra do seu próprio sexo.
No entanto, aqueles que entendem e reconhecem as minúcias do mecanismo e da motivação reencarnatória entendem, facilmente, que o afeto espiritual transcende as transitórias formas das personalidades físicas, embora, o acontecimento incomum de um ser amar o outro do mesmo sexo possa provocar estranheza e até repugnância.PERGUNTA: — Se vos fosse razoável emitir uma conceituação generalizada sobre a diferença da criatura homossexual e a heterossexual, qual seria a vossa conclusão?
RAMATIS:— Demonstramos serem as diferenças da atividade sexual resultado das necessidades reencanatórias de cada espírito e, portanto não nos cabe criticar, estigmatizar, porém, simplesmente, tolerar, ajudar e ver, em cada pessoa, um irmão, o que realmente somos diante da natureza.PERGUNTA: — Que dizeis de certos acontecimentos provocados pelo ciúme, conflitos e até homicídios entre homossexuais, nos quais podemos identificar, como causas, o cinismo e a perversão?
RAMATÍS: — O cinismo, a obscenidade, o conflito, o ciúme e o crime não são acontecimentos específicos dos homossexuais, porém, próprios das almas delinquentes, espíritos primários, ainda imperfeitos e dominados pela linhagem inferior da animalidade. Já vos dissemos que as estatísticas do mundo provam existir, proporcionalmente, menos delitos e crimes entre os homossexuais do que entre os heterossexuais, confirmando as nossas asserções acima.
Não se pode, por um punhado de criaturas delinquentes, a darem vazão a seus recalques, ao mau caráter, a escândalos provindos de sentimentos e paixões inferiores, atribuir um estigma a todos os homossexuais do mundo, porque tais atos pertencem ao homem universal.PERGUNTA: — Tratando-se a homossexualidade de uma perturbação `psicofísica”, quando a psique feminina se manifesta numa organização masculina, ou vice-versa, não produzindo deterioração da mente, ou mesmo do equilíbrio mental, é evidente que o homossexual pode enriquecer os setores culturais, artísticos, científicos do mundo como qualquer outro heterossexual?
RAMATIS: — Ademais, não existe uma linha definida, categórica, separando nitidamente o caráter homossexual do heterossexual, a não ser quanto à erotização; e, muitas criaturas convencidas de sua heterossexualidade absoluta mostram reações, emoções e atos identificados como traços de homossexualismo. Aliás, há mesmo a crença de que em cada homem há um pouco de feminilidade e, em cada mulher um pouco de masculinidade, mostrando as necessidades evolutivas da alma, no cultivo da razão e do sentimento.
Obviamente, o senso artístico, desde a poesia, a pintura, a música e a literatura tem recebido notável contribuição de inúmeros homossexuais. Quando puderam extravasar sua sensibilidade através das letras, da rima, dos sons e das tintas, equilibraram grande parte do seu drama interior, gerado pela oscilante personalidade indefinida organicamente. O certo é que as leis delinearam o homem e a mulher, proporcionando-lhes uma gama de estados espirituais, partindo dos assexuais, passando pelo hermafrodita, até a heterossexualidade, os quais são úteis ao desenvolvimento de sentimentos e de intelectualidade, estágios esses que não devem estigmatizar, mas, liberar o ser.

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Arrancaram todos os dentes dele, afirma família de jovem gay encontrado morto em SP
   Blog Diversidade   │     18 de janeiro de 2014   │     20:52  │  2

Kaique Augusto dos Santos, de 17 anos

A irmã do adolescente gay encontrado morto sob o Viaduto Nove de Julho, no Centro de São Paulo, afirmou que o corpo de Kaique Augusto dos Santos, de 17 anos, estava sem todos os dentes.

Para Tainá Uzor e a família, o jovem foi vítima de homofobia. A polícia diz, porém, que Kaique caiu do viaduto, no sábado (11), e morreu na hora.

“Arrancaram todos os dentes  e espancaram muito a cabeça dele. Ele foi vítima de homofobia. Nós acreditamos nisso. Não tem prova, mas a gente acredita que foi isso”, disse a irmã.

Na noite de sexta-feira (10), o adolescente estava com amigos em uma festa em uma boate no Largo do Arouche, no Centro. Um dos colegas disse que Kaique saiu do local dizendo que ia procurar os documentos, que havia perdido. Horas depois, ele foi encontrado morto.

Os parentes da vítima ficaram dois dias procurando o rapaz em hospitais e no Instituto Médico Legal (IML). Por estar sem documentos, o corpo ficou até terça-feira (14) no IML como indigente. A família diz que Kaique estava bastante machucado.

O caso foi registrado inicialmente como suicídio. Policiais do 3° Distrito Policial, nos Campos Elíseos, porém, vão investigar se o jovem foi assassinado. O laudo da perícia, que deve ficar pronto em 30 dias, deve apontar a causa da morte.

A mãe de Kaique, Isabel Batista, disse esperar encontrar os responsáveis pela morte do filho. “Eu quero justiça. E não vou parar, vou até o fim. Assim como eu localizei o corpo dele, vou localizar os assassinos”, afirmou.

Contradição

Um amigo da vitima afirma que horas antes de Kaique sumir, tiveram que fugir correndo de um grupo de skinheads, e durante a perseguição acabou seguindo destino diferente e acredita que a vitima pode ter sido alcançada, mesmo assim a  polícia diz que o jovem caiu do viaduto onde provavelmente deve ter se jogado. Por estar sem documentos, seucorpo ficou até terça-feira (14) no Instituto Médico-Legal como indigente.

O jovem foi enterrado sem velório por causa doestado de seu cadáver. “Eu vi o corpo do tórax para cima. Ele estava destruído. A perna estava com um machucado bem grande“, disse Mara de Moraes, mãe de Kaique.

Amigos combinam pela internet uma cerimônia simbólica, a ser realizada neste sábado (18), no Largo do Arouche. “Pelo simples fato de ele ser gay, acho que foi crime homofóbico”, disse Felipe Gomes, amigo do jovem.

Policiais do 3º Distrito Policial, nos Campos Elíseos, irão investigar se o jovem foi assassinado. Laudo da perícia, que deve ficar pronto em 30 dias, vai apontar a causa da morte.

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ABGLT repudia lei que criminaliza pessoas LGBT na Nigéria
   Blog Diversidade   │     15 de janeiro de 2014   │     12:23  │  0

Nota de Repudio

ABGLT , a Associação Brasileira de Lésbicas , Gays, Bissexuais e Trans Association, é uma rede nacional fundada em 1995, que atualmente conta com 285 organizações membros em todo o Brasil . ABGLT também atua internacionalmente e em 2009 ganhou status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas ( ECOSOC) . Em seus 19 anos de existência, a ABGLT tem trabalhado constantemente para promover os direitos humanos das pessoas LGBT , reduzir a discriminação e as desigualdades enfrentadas por eles e também tem trabalhado para combater a epidemia de HIV / AIDS entre homens homossexuais no Brasil.

ABGLT manifesta o seu repúdio veemente da aprovação pelo Governo da Nigéria da uma lei que criminaliza a mais pessoas LGBT , organizações e atividades no país. Os estados de direito : “Uma pessoa que se registra , opera ou participa de clubes gays , sociedades e organização , ou direta ou indiretamente faz demonstração pública de mesma relação amorosa sexo na Nigéria comete um crime e é passível de condenação a uma pena de 10 anos de prisão . ” a lei também criminaliza qualquer pessoa ou grupo de pessoas que apoiam ” o registro , operação e manutenção de clubes gays , sociedades e organizações , procissões ou reuniões na Nigéria . ” a convicção é também a 10 anos de prisão.

ABGLT ratifica as preocupações manifestadas pela UNAIDS que a nova medida só pode piorar a situação que já é alarmante da epidemia de Aids na Nigéria , uma vez que ele vai impedir ou desencorajar os homens envolvidos em relações amorosas ” mesmo sexo” de revelar o seu estado e procurar os serviços de saúde para insumos de prevenção , diagnóstico e tratamento , contribuindo assim em potencial para a propagação da epidemia.

À luz do desrespeito flagrante dos direitos humanos feitas oficial pelas disposições da nova lei , a ABGLT considera que é inadmissível que a Nigéria continua a ser signatário do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos , e convida a Comissão dos Direitos Humanos das Nações Unidas a recomendar retirada da Nigéria a partir do Pacto ou a imposição de sanções destinadas a obrigar a Nigéria para revogar a lei acima referida.

ABGLT não poupará esforços para pressionar o governo brasileiro a tomar uma posição oficial contra a nova lei nigeriana que é uma afronta aos princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

ABGLT irá se manifestar ainda mais a sua indignação , fazendo protestos públicos contra o governo nigeriano na cidade brasileira de Curitiba em 16 de julho de 2014, quando a Nigéria vai jogar contra o Irã (outro país que persegue as pessoas LGBT ) durante a Copa do Mundo de 20.

Brasil, 14 janeiro de  2014

Carlos Magno – Presidente

ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas , Gays, Bissexuais e Trans Associação

 

Nota em inglês

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Associação ILGA diz que existe manobra dilatória na imposição da proposta de referendo de co-adoção
   Blog Diversidade   │     14 de janeiro de 2014   │     16:37  │  0

Parlamento debate na quinta-feira, dia 16, um projeto de resolução do PSD que propõe realização de referendo. ILGA fala em “manobra dilatória” da direita.

Os homossexuais católicos consideram que a proposta de referendo sobre co-adoção de crianças por casais do mesmo sexo é uma “tentativa de alguns sectores mais conservadores” da sociedade para reverter legislação já aprovada sobre esta matéria.

Na quinta-feira, o Parlamento irá debater um projecto de resolução do PSD que propõe a realização de um referendo sobre a possibilidade de co-adopção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo e sobre a possibilidade de adopção por casais do mesmo sexo, casados ou unidos de facto.

Para o coordenador nacional da associação Rumos Novos – Homossexuais Católicos esta proposta “não faz sentido”, porque o sistema jurídico-constitucional assenta na representatividade e não na democracia directa. As questões relativas “a franjas minoritárias da população” devem ser acauteladas “por legislação devidamente salvaguardada e respaldada nos representantes da nação e não numa situação de referendo que mais não é do que tentar impor um determinado ponto de vista à sociedade”, defende José Leote.

Para José Leote, esta proposta de referendo é “uma tentativa de alguns sectores da sociedade portuguesa de fazer reverter a legislação devidamente aprovada pela Assembleia da República”. Leote alude ao projecto-lei do PS que estabelece que “quando duas pessoas do mesmo sexo sejam casadas ou vivam em união de facto, exercendo um deles responsabilidades parentais em relação a um menor por via da filiação ou adopção, pode o cônjuge ou o unido de facto co-adoptar” a criança.

Este projeto foi aprovado na generalidade em Maio do ano passado, com 99 votos a favor, 94 contra e nove abstenções e debatido na especialidade na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. Contudo, no projecto de resolução, os deputados do PSD consideram que “esta matéria não foi objecto de discussão pública aturada e repetida, como merecem ser as questões que implicam directamente a assumpção comunitária de um caminho de não retorno e cuja decisão final, sem comprometer a liberdade democrática que avaliza a discórdia, não admite tibiezas no cumprimento daquela que é a vontade maioritária”.

Para o coordenador da Rumos Novos, o projecto socialista, “verdadeiramente equilibrado” e que “salvaguarda um conjunto de situações” pretendeu “estender o guarda-chuva do instituto da adopção a situações que já existem e que era necessário tutelar no âmbito do direito”. “Se eventualmente temos receio de que a lei possa ser subvertida e utilizada noutro espírito do que aquele que estava inicialmente na mente do legislador, então que se regulamente a lei no sentido de impedir esses eventuais excessos”, defende.

Na proposta, os deputados do PSD consideram “ser imperativo proporcionar ao povo português a oportunidade de se pronunciar sobre esta questão que toca em valores e direitos fundamentais que devem ser assumidos na base da liberdade das convicções de cada um”.

 “Manobra dilatória”, aponta a associação ILGA

Também a associação ILGA Portugal considera a proposta de referendo sexo uma “manobra dilatória” que revela “falta de respeito” pelo processo parlamentar, mas também pelas crianças e famílias. Para o presidente da ILGA – Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero, o conteúdo da proposta “é ilegal” porque incide sobre mais do que uma questão, “o que não é possível por lei”.

“São duas matérias diferentes, uma das quais não tem nenhum tipo de processo legislativo iniciado no Parlamento e, portanto, não está de acordo com o que seria o requisito para ser admissível”, argumenta Paulo Côrte-Real. Que critica também o facto de esta proposta surgir após vários meses de trabalho na especialidade sobre o projecto-lei do PS para a co-adopção por casais ou unidos de facto do mesmo sexo.

“Esta proposta de referendo não é séria”, comenta, lembrando que a discussão do projecto envolveu várias entidades e teve contributos de instituições europeias. “É uma manobra dilatória que revela falta de respeito pelo processo parlamentar e por todas as entidades envolvidas” e, sobretudo, pelas crianças e famílias que já existem e precisam dessa proteção legal, frisa.

Por outro lado, aponta, vai contra as indicações e recomendações do Conselho da Europa. Lembra que o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou recentemente a Áustria por não contemplar esta protecção legal para crianças criadas por casais do mesmo sexo e “condenaria também Portugal” caso a situação chegasse a este tribunal.

“Temos uma situação urgente a resolver”, reitera Paulo Côrte-Real, sublinhando que “Portugal é dos poucos países do Conselho da Europa que tem esta discriminação”. Os outros países são a Rússia, a Roménia e a Ucrânia, “que obviamente não são paradigmas do cumprimento dos direitos humanos”. Esta situação “não só viola, mais uma vez, compromissos de Portugal a nível internacional”, no âmbito dos direitos humanos, “mas viola sobretudo a garantia de protecção do bem-estar de crianças que precisam de ver reconhecidas na lei as suas mães e os seus pais”.

Para o responsável, é necessário “enfrentar com seriedade” esta questão e “garantir a possibilidade de votação final global de um projeto-lei que, no processo de especialidade, veio tornar claras essas duas questões”.

 

Fonte: Assessoria de imprensa da ILGA Portugal

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Direitos humanos: não se pergunta, se respeita
   Blog Diversidade   │     10 de janeiro de 2014   │     0:00  │  1

Artigo

Por: Toni Reis – doutor em Educação, é secretário de Educação da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT)

 

“É longo o caminho para a liberdade”, disse Nelson Mandela.

A lei máxima no Brasil é a Constituição Federal, que tem entre seus princípios, direitos e garantias fundamentais a igualdade, a não discriminação, a dignidade humana, a privacidade, a proteção jurídica e a liberdade de expressão e de crença. Entre os diversos acordos internacionais que o Brasil tem ratificado está a Plataforma de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (Cairo, 1994), que inclusive reafirmou que as pessoas têm direitos sexuais, incluindo o direito de expressar livremente a orientação sexual: heterossexualidade, homossexualidade, bissexualidade.

Dentro desse quadro, em 5 de maio de 2011 o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou por unanimidade que a união estável homoafetiva tem de ser reconhecida em perfeita igualdade com a união estável entre um casal heterossexual. O STF nada mais fez do que garantir que os direitos constitucionais acima mencionados fossem acessados com igualdade pela população homossexual, e ninguém no Brasil perdeu nada com isso.

No entanto, a decisão do STF não agradou a todos. Entre outras reações, surgirem no Congresso Nacional proposições legislativas apresentadas principalmente por parlamentares de convicção religiosa, inclusive a de “convocar um plebiscito para decidir sobre a união civil de pessoas do mesmo sexo” (PDC 232/2011), entre outras.

Diante dessa ocorrência, é preciso voltar a princípios básicos consagrados na legislação brasileira. Desde 1890 o Brasil é um Estado laico, significando – grosso modo – que o país não tem uma religião oficial, as pessoas têm liberdade de escolha e prática de suas religiões, o Estado não deve interferir e nem apoiar as religiões e que estas também não devem interferir em qualquer uma das esferas e níveis do governo. Laicidade significa a efetiva separação entre todas as instâncias do governo e as religiões.

A partir dessa perspectiva, quem é eleito pelo povo para exercer função pública, inclusive no parlamento, tem a obrigação de respeitar o princípio da laicidade do Estado. Quem legisla deve apresentar proposições alicerçadas na lei maior do país, e não em convicções pessoais em contrário, inclusive as de cunho religioso. Isso não quer dizer que a pessoa não tem liberdade de crença, apenas que ela precisa saber distinguir entre o foro pessoal e o foro público.

Antes da decisão do STF, os casais homoafetivos não acessavam os mesmos direitos que suas contrapartes heterossexuais, prevalecendo uma situação de injustiça e ausência de proteção jurídica, ferindo a Constituição e o princípio da universalidade e indivisibilidade dos direitos humanos. Como afirmou o ministro do STF Celso de Mello, “ninguém pode ser privado de seus direitos políticos e jurídicos por causa de sua orientação sexual”.

Assim, é uma afronta em todos os sentidos propor a realização de um plebiscito para “decidir sobre a união civil de pessoas do mesmo sexo”. Os direitos humanos das pessoas não podem ser questionados – muito menos decididos – dessa forma. Têm de ser garantidos e respeitados, de maneira indiferenciada. Isso é o que estabelece a Constituição que rege nosso país.

Por famílias de todas as cores e todos os amores!

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