Sexo casual, o “Bang with Friends”
   Blog Diversidade   │     17 de dezembro de 2013   │     0:07  │  0

Artigo

Por: Breno Rosostolato – Psicólogo formado pela Universidade São Judas Tadeu desde 2004, psicoterapeuta clínico especialista em sexualidade humana, pós-graduado em Arteterapia e Hipnose Clínica pela PUC-SP. Professor universitário do curso de enfermagem e nutrição da Faculdade Santa Marcelina, campus Itaquera. Professor de psicanálise e psicopedagogia do Instituto Nacional de Ensino e Qualidade Profissional (INEQ). Colunista do site Rota do Agito. Autor de um livro de poesias, Escancarado e está finalizando outro sobre Sexualidade. Especializações em psicologia clínica, arteterapia, hipnose clínica e sexualidade

 

A voracidade sexual aumentou e deleitar-se até lamber os dedos é realidade

 

Com o advento da internet, temos observado que as expressões da globalização são muito mais do que a comunicação imediata e rápida entre as pessoas e comunidades com as mais diferentes culturas e costumes. O acesso ficou muito mais simples e fácil entre pessoas de outras cidades, estados, países. A web vem revolucionando a maneira das pessoas obterem informações sobre tudo e todos. Acontece que com a internet, as redes sociais estão propiciando formas muito particulares de relacionamentos. A propósito, as pessoas estão sofrendo uma verdadeira transformação decorrente dos chats, do facebook e dos sites que promovem outras reflexões e reformula condutas e posicionamentos diante do amor e do sexo.

 

Como a internet possibilita até o mais tímido ser o mais “garanhão”, a recatada a mais pervertida, a fantasia é o elemento principal que sustenta os vínculos virtuais. Fantasia, inclusive, que estimula o imaginário, as possibilidades e abre um “leque” enorme para os desejos acontecerem. Por isso que alguns sites surgem como um sinalizador, um efeito globalizante, libertário e libidinoso da internet, em que o amor romântico se rende aos imediatismos do prazer.

 

Sites que promovem encontros amorosos, para namorar, como o famoso “eHarmony” ou o site “Grindr”, que é uma espécie de GPS que ajuda encontros entre homossexuais, são exemplos das transformações na maneira de expressar e formular os relacionamentos afetivos e sexuais.

 

Outros sites, ainda, facilitam o encontro anônimo entre pessoas dispostas a trair seus companheiros como o “Ashley Madison”, com mais de 17 milhões e meio de usuários. A voracidade sexual aumentou e agora, deleitar-se até “lamber os dedos” tornou-se uma realidade.

 

A nova ressonância sexual na internet é o surgimento do “Bang with Friends”, numa tradução chula como “transar com os amigos”.

 

Este aplicativo para o facebook consiste listar os amigos os quais a pessoa iria para a cama. O convite é enviado e é só aguardar. Se aceito o convite, o usuário receberá uma mensagem “It´s banging´ time! You´ve got bangin` match” – “é hora de transar…”, ou seja, foi dada a partida para o encontro.

 

O amor romântico sai de cena e dá lugar à voracidade sexual, sem demora e com certezas. Com o “Bang” a conversa é desnecessária e as pessoas recebem a confirmação apenas de quem aceita a proposta.

 

Os desejos são expostos e o clima erótico se constitui. Sem perda de tempo, as amizades transformam-se e são naquele momento potencialmente sexualizadas. Uma opção para quem quer romper com a vergonha e está disposto ao encontro. O aplicativo, criado por três universitários californianos, ajuda os amigos a apimentar mais a relação e criar rapidamente um elo entre eles.

 

O sexo casual substitui o sexo com compromisso. A casualidade consiste, justamente, não criar expectativas no outro e se isentar de sentimentos de possessividade ou exclusividade. O encontro é um pretexto para interesses pessoais, a própria satisfação. O prazer está sempre em evidência e o outro é entendido como instrumento para se alcançar o orgasmo. A casualidade está sustentada em carinho e respeito, a amizade continua, mas o envolvimento emocional não é a tônica do encontro.

 

Se o sexo hoje sofre influências da internet, antes esta quebra de paradigmas sociais aconteceu por conta do telefone e do carro que propiciou o encontro marcado com intenções sexuais. Para cada época, o surgimento de um movimento social próprio, dependendo das necessidades vigentes. A revolução sexual, que iniciou em 1960, e que tinha como slogan a liberação sexual é estendida aos dias de hoje, mas desta vez, através da internet.

 

A internet amplificou as relações entre as pessoas e hoje elas assumem como de fato são, sem se basearem em estereótipos arcaicos e deturpados. A promiscuidade ganha outra conotação e é um estilo de vida mais aceito. Diante deste contexto, o “Bang” é outro sinal de que o amor romântico perde força e sucumbe às necessidades do desejo livre e desimpedido.

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