Campanha usa buscas do Google para revelar homofobia
   Blog Diversidade   │     29 de outubro de 2013   │     0:00  │  0

Usando os resultados do autocomplete do Google, ONU mostra os preconceitos mais comuns da população mundial

Ah, Google. Oráculo de nossos tempos. Capaz de acabar com qualquer discussão de bar em poucos segundos. Razão por que ninguém mais gasta sinapses com coisas que podem ser googladas. Raio-X do pensamento coletivo. Seus registros de busca são capazes de prever tendências e revelar os desejos secretos de populações. Algo que ficou mais explícito desde que a função “autocompletar” foi implementada em suas buscas.

Todos nós já nos acostumamos com mais esse pedaço de magia negra tecnológica em nossa vida internética: você começa a digitar uma busca, e abaixo da caixa saltam as buscas mais populares com aquelas letras que você acabou de digitar. Você digita “político” e abaixo surge “político honesto”, “políticos corruptos” e “políticos do Brasil” (a primeira busca, algo que realmente só Google deve ser capaz de encontrar rapidamente). “Amor” traz “Amor À Vida”, “homossexualismo” exibe “homossexualismo na Bíblia Sagrada”. Eis o retrato do Brasil que Google nos dá.

Na última sexta-feira o movimento Free & Equal do departamento de Direitos Humanos da ONU lançou uma campanha em que se mostra o que se passa na mente coletiva do mundo quando o assunto é homossexualidade. Usando os resultados de buscas, eles demonstraram as opiniões predominantes do globo sobre os gays. Vale lembrar que essa não é a opinião do Google empresa, mas algo pior: as frases mais digitadas pelos anglófonos quanto ao que gays são, devem fazer ou merecem.

Essa campanha foi inspirada por outra um pouco anterior, também de um departamento da ONU. A Entidade da Igualdade de Gêneros das Nações Unidas lançou no dia 21 de outubro a versão original dessa campanha, em que os resultados do autocomplete do Google eram exibidos sobre as bocas de mulheres de vários perfis, como uma mordaça. Os resultados também são reveladores, surpreendentes e lamentáveis.

Infelizmente (ou não) o autocomplete não funciona tão bem em inglês para que a gente consiga descobrir as respostas do oráculo sobre o que os lusófonos pensam sobre bichas, gays ou viados. Não há muita dúvida sobre qual seria o resultado, mas seria interessante vê-lo mesmo assim. O fato sobre o qual não há dúvida pelo mundo todo é: ainda há um longo caminho até que todos os seres humanos sejam respeitados igualmente.

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