Estigma é o maior entrave para que HSH acessem serviços de saúde, diz pesquisa
   Blog Diversidade   │     19 de fevereiro de 2013   │     0:00  │  0

Dados de uma pesquisa realizada pela Internet com 5779 homens que fazem sexo com homens (HSH) em 165 países mostram que a homofobia e o preconceito são os principais entraves para que esta população consiga acessar os serviços de saúde. Entre os participantes, 18% afirmaram estar infectados pelo HIV e 17% desconhecem sua sorologia para o vírus da aids.

 

Os dados integram um estudo realizado no ano passado pelo Fórum Mundial sobre HSH e HIV, organização não governamental com base nos Estados Unidos.

 

Segundo o estudo, uma baixa porcentagem dos participantes informou que os insumos de prevenção, como preservativos (35%), lubrificantes (21%), testes (36%) e tratamento do HIV (42%) são de fácil acesso. Os países com maior renda apresentaram taxas mais elevadas, mas o melhor índice, que se referia ao acesso à testagem, não passou dos 54%.

 

Uma parte da pesquisa foi qualitativa e feita em conjunto com organizações da África do Sul, Quênia e Nigéria, que coletaram informações de 71 HSHs que participaram de debates sobre acesso à saúde nestes países.
Eles citaram como principais problemas a criminalização da homossexualidade, o preconceito, a homofobia nos serviços médicos e a pobreza. Estas barreiras podem criar um ambiente onde se permite a violência e a discriminação dos HSH, que, para se protegerem, escondem suas orientações sexuais até dos médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde.

 

Já as organizações em comunidade se mostraram ambientes seguros e onde poderiam celebrar sua verdadeira identidade e receber atenção médica com respeito.

 

Vários HSH informaram ainda dificuldade em acessar os sistemas de educação e emprego, o que contribui para o abuso de substâncias ilícitas e o trabalho sexual.

 

Brasil
Ativistas pelos direitos da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) identificaram na pesquisa internacional problemas e desafios que também são comuns no Brasil.

 

Para eles, vários pontos precisam ser melhorados no País, especialmente no combate ao fundamentalismo religioso no poder legislativo.
Toni Reis, secretário de Educação da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), acredita que há um “bom acesso” por parte desta população aos serviços de saúde no País, mas “atraso” em relação aos diretos em geral, sobretudo, por ainda não existir uma lei que criminalize a homofobia.
“Nos espaços de saúde, nós em geral temos bom acesso e um respeito à diversidade, pesar de ainda encontramos dificuldades. Não é 100%.  Mas no plano individual, nossa comunidade ainda enfrenta muita homofobia internalizada, causada especialmente pela família e pela religião”.
Para ele, o Brasil está em um “meio termo”: com muito a avançar, mas já com conquistas importantes.
O ativista Beto de Jesus vê dificuldades no acesso aos serviços de saúde não só pela homofobia e preconceito, mas também por fatores como seu horário de funcionamento, que em sua opinião deveriam ser mais acessíveis.

 

Beto é um dos responsáveis pelo projeto “Quero Fazer”, que leva aconselhamento e testagem para o HIV para grupos considerados mais vulneráveis à infecção. Segundo ele, a motivação para o projeto se relaciona a essa dificuldade de acesso, também relatada no Brasil.

 

“Temos uma população vulnerável e que sofre muito com o preconceito, com horários inacessíveis, etc. Se um é maltratado nos serviços de saúde, vai contar para outro e isso vira uma bola de neve. O Quero Fazer foi desenhado para ser uma forma de desenvolver este tipo de atividade fora do espaço público, garantindo o acesso da população”.
Beto diz que o serviço público deveria ter estratégias para diminuir este problema. “Nossos serviços não estão preparados para trabalhar com essa população”, comentou. “Ficarmos subjugados ao que a bancada evangélica diz que se pode fazer com os gays é um crime. Os dados mostram que os jovens gays são os que mais estão se infectando, então eles precisam de ações específicas”, finalizou.

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