Instituto Political Research Associates acusa entidades cristãs de promover homofobia na África
   Blog Diversidade   │     27 de julho de 2012   │     11:46  │  0

O instituto Political Research Associates (PRA), de Boston, realizou uma pesquisa que resultou em um relatório onde três entidades cristãs são acusadas de promover a homofobia na África, especialmente nos países Quênia, Malauí, Zâmbia e Zimbábue.

As entidades citadas são o Centro Americano para a Lei e a Justiça (ACLJ),  o grupo católico Human Life International e o grupo Family Watch International, liderado pela ativista mórmon Sharon Slater. O PRA afirma que essas instituições estão ampliando suas operações em todo o continente para pregar contra a união homoafetiva e contra o aborto.

O texto recebeu o título de “Colonizando Valores Africanos: Como a Direita Cristã Americana Está Transformando a Política Sexual na África” e denuncia que esses grupos estariam promovendo o novo colonialismo para destruir os valores e tradições africanas.

O relatório é assinado pelo padre anglicano zambiano Kapya Kaoma que dá exemplo de uma jovem lésbica que foi levada para várias igrejas para que o demônio fosse expulso de seu corpo. O religioso também afirma que esses grupos cristãos estão dizendo que a homossexualidade é um valor da cultura ocidental.

As instituições acusadas se defendem, a Human Life, por exemplo, falou através de seu porta-voz, Steohen Phelan, que tem como objetivo lutar contra os valores que estão sendo importados dos Estados Unidos para a África.  “Achamos que é importante estarmos na África porque a investida contra os valores africanos naturais pró-vida e pró-família está vindo dos Estados Unidos. Então nos sentimos na obrigação de ajudá-los a entender a ameaça e a reagir a ela com base em seus próprios valores e culturas.”

Enquanto o PRA afirma que os cristãos estão querendo colonizar novamente a África, o porta-voz critica as ONGs de direitos humanos que recebem dinheiro para controlar demograficamente o continente. “Estamos em sintonia com os valores profundos e naturais de nossos irmãos e irmãs na África e os ajudamos a resistir ao avanço de interesses ocidentais muito poderosos que acham que pode haver crianças demais na África”, disse.

Sharon Slater, da Family Watch International também criticou o relatório.  “Não temos representações na África, como Kaoma alega sem razão”, disse ela. “Basta esse erro fundamental para indicar a falta de confiabilidade do relatório inteiro.”

Ainda falando sobre o texto ela afirma que os materiais publicados pela instituição e até mesmo o site não falam de religiões. “A única menção à religião em nosso site ou em qualquer de nossos materiais é nossa preocupação de que seja protegida a liberdade religiosa, independentemente da fé que possa estar sendo alvo de ataques”.

A ACLJ falou através de sua diretora executiva, Joy Mdivo, que explicou que todas as atividades realizadas na África não recebem apoio do governo tendo que levantar fundos para poder realizar seu trabalho naquele continente. “Alguém falou que recebemos dinheiro dos americanos para disseminar a homofobia, e eu respondi que não preciso disseminar a homofobia. Basta caminhar na rua, abraçar outro homem e parecer romântico. Não preciso dizer a ninguém o que fazer. Essa é a realidade de quem somos, apenas isso”.

Com informações Folha de São Paulo

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