A Parada do Orgulho Gay e o Carnaval Carioca
   Blog Diversidade   │     17 de junho de 2012   │     1:00  │  2

 Artigo:

Para defender seus direitos, para se conquistar segurança, qualidade de vida, e a manutenção do que a Constituição deste país garante a todo cidadão, foi que mais de três milhões de homens e mulheres se reuniram mais uma vez na maior Parada do Orgulho Gay do Mundo, em São Paulo, neste último domingo. De acordo com dados, o Programa Brasil Sem Homofobia, lançado no governo Lula, registra cerca de três denúncias diárias por crimes de homofobia, e isto é grave, num país republicano, que galga seus passos no caminho do progresso, desenvolvimento e direitos humanos. Jovens de todas as idades, homens e mulheres, médicos, motoristas, odontólogos, atores, músicos, empresários, servidores públicos, carnavalescos, jornalistas, pessoas igual a você, estão morrendo por conta de um preconceito tolo, insensato, e brutal, não se trata de uma ideologia “religiosa”, trata-se de preservar a vida.

Foi pensando na vida das pessoas, que o ex-secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Rodrigo Neves, deu visibilidade ao Programa Estadual Rio Sem Homofobia.

As Paradas que começam a acontecer em mais um ano por todo o Brasil, representam um marco de resistência, e merecem muito mais do que apenas o brilho da festa, mas uma reflexão dos valores que nossa sociedade defende, e quer para seus filhos. Logo, o carnaval carioca tem sim sua parcela de responsabilidade, uma festa que atrai milhões de pessoas, é um importante espaço para o diálogo e interação entre as diversas orientações sexuais. Qual outra festa neste país, senão o carnaval do Rio de Janeiro, poderia abrigar tantos gays, lésbicas, travestis, transexuais, simpatizantes, tanto na produção, no acompanhamento, na torcida, e execução, como nosso carnaval, cheio de vida, alegria, simpatia, a cara do povo brasileiro, que se despe de toda forma de preconceito, para conhecer novas culturas, histórias, e vidas, através das escolas de samba, todos os anos.

Este ano perdemos a nossa querida Kayka Sabatella, é fácil lembrar desta top drag carioca no carnaval da Beija-Flor de Nilópolis, por exemplo, defendendo os trabalhos do maravilhoso coreógrafo Hilton Castro, um exemplo de talento e dedicação. Lembro-me ainda com saudades do carnaval de 2006, da Parque Curicica, homenageando a noite gay carioca, uma festa de alegria e vontade, de mostrar o que há de mais belo em nossas vidas. Grandes personalidades como Rogéria, Meime dos Brilhos, Suzy Brasil, e tantos outros que representam muito bem os LGBT’s. O carnaval deste país, teve ao longo de sua jornada a atitude em se libertar de muitos feudos, pré-conceitos, marginalização e guetos.

É bom que se saiba que gay, é como qualquer outra pessoa, e não pode e nem quer ser tratado de maneira especial, quer ser simplesmente cidadão, igual a qualquer outro brasileiro heterossexual. A Parada Gay de São Paulo abre sim um espaço democrático que mais um ano vai se estender por todo Brasil, para análise e reflexão, porque homofobia tem cura sim, e ela está fundamentada na criminalização.

Como sambista, não poderia deixar, ainda que seja acusado por alguns de legislar em causa própria, de defender neste espaço a importância que as escolas de samba, e neste contexto, o carnaval carioca tem, em defesa da diversidade, em defesa da vida. Pessoas estão morrendo por crimes de homofobia, e isto é muito grave, não dá para aceitar a empreitada de alguns líderes em se firmar uma “guerra santa”. Nós, sambistas, amantes do carnaval carioca podemos sim, abrir tanto em nossas escolas, como em nossa comunidade, um espaço para o debate claro de ideias e propostas para que os direitos humanos possam valer para todos.

Tornem estas mal-traçadas linhas, como de alguém que milita na causa dos direitos humanos, que é um sambista apaixonado, que é igual a você, e tem um sonho gigante de viver num lugar igual para todos, com os mesmos direitos e deveres, e é este sonho gigantesco , que uno a minha maior paixão, o carnaval carioca, para que possamos viver em paz, todos juntos enfim.

Vale lembrar que a ONG Arco-Íris, realiza a Parada do Orgulho Gay do Rio de Janeiro no dia 14 de outubro, na Orla de Copacabana, e todos, desde já, estão convidados.

Por: Raymondh Junior – Consultor de políticas públicas para cultura e blogueiro

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