Como a afetividade entre homens gays é gerida pelas normas de gênero
   16 de maio de 2022   │     0:00  │  0

Proponho uma reflexão sobre a aliança afetiva entre as pessoas. Se nos detivermos a mirar, veremos quão surpreende é a maneira como os afetos se constroem e se estabelecem e, se em algum momento chegamos a pensar que “o afeto não é atravessado pelas normas de gênero”, deixaremos a ideia de mão. Nada mais falso que isso. Até porque o afeto não é algo que simplesmente surge; isto é, o desejo pode ser algo um tanto inexplicável dada sua tamanha complexidade, mas a pergunta fundamental é: quanto do nosso desejo pode ser construído e formatado por normas culturais e aprendizagens sociais?

O afeto carrega em seu íntimo fortes intervenções do que se articula e se propõe como “belo”, como “amável” e como “desejável”, e todos esses adjetivos só têm sentido levando em conta o contexto sociocultural do qual fazem parte e no qual emergem. Assim, é impossível atribuir um significado a um desses adjetivos fora de um entorno cultural.

Em alguns círculos de pessoas LGBTQIA+, pode ser comum haver um tom crítico quando algum relato sobre as relações afetivas de um homem gay remete a padrões hegemônicos e faz-nos pensar por que alguns homens gays, constituindo um grupo social ainda tão discriminado, terminam assumindo uma postura demasiado conservadora (no modo de vestir, de se expressar, de pensar politicamente, de projetar os anseios da carreira, de amar, etc.). Esse modelo conservador sob o qual vivem tantos homens gays (que também se trata de um modelo sociocultural) nos remete ao que, no âmbito dos estudos queer, podemos chamar de “homonormatividade”. Ou seja, padrões normativos de viver como homens gays, que criam um estândar para o que seria um gay “respeitável” e um gay “palatável” por uma sociedade reacionária que tem a heterossexualidade compulsória como um dos seus pilares.

É possível que não nos demos conta, nem a devida dimensão de importância a como os homens gays, hegemonicamente, se relacionam. Essa tendência homonormativa atravessa essas vidas e projeta as alianças que se dão entre elas. Nesse espaço, as normas de gênero fecham o cerco e fazem o seu espetáculo: gays bastante masculinos, brancos, com seus músculos, penteados, barba feita e looks bem postos, que só se atraem por gays bastante masculinos, brancos, com seus músculos, penteados, barba feita e looks bem postos. Percebem como as normas de gênero atuam sobre esses corpos? Fazem criar a imagem de homem gay desejável como aquele que reforça ao máximo os ideais de uma masculinidade hegemônica. Isso, portanto, sugere a pergunta: quanto do nosso afeto se consolida por estratégias de opressão?

Nesse sentido, se essa dinâmica acaba projetando-se como a regra, inevitavelmente outros grupos de homens gays passarão a não ser alvos do nosso desejo. Em geral, são os gays com fortes marcadores de feminilidade, com uma voz não tão grave, que não fazem uso de uma linguagem adaptada pelo masculinismo, que são muito expressivos (os julgados “escandalosos”), que pintam as unhas, usam eyeliner ou compram algumas peças nas sessões femininas das lojas. E também, numa sociedade definida em termos étnico-raciais, há deslocamentos de raça e etnia nessa afetividade gay; assim, os gays negros, indígenas, não brancos tornam-se “menos desejáveis” para os homonormativos. E se adicionarmos a esse nó uma questão de classe, a homonormatividade se revela também classista: o homem gay que goza de uma respeitabilidade social também, necessariamente, circula nos espaços de poder econômico; é um empresário, é um arquiteto que modela o seu apartamento com móveis planejados, é um professor universitário cuja sexualidade, dentro do seu departamento, passa praticamente desapercebida e ele é quase visto como ‘hétero’. E tudo isso, ainda, entrelaça-se com a indústria da beleza, que espezinha os sujeitos e os transforma discricionariamente: a barba (marcador de gênero) tem de estar bem aparada, o cabelo tem de ser cortado pela barbearia cool do bairro que serve chope (marcador de gênero) enquanto se está esperando, o abdome e o peitoral têm que seguir à risca os estereótipos corporais (marcador de gênero).

Dessa forma, as normas de gênero se inscrevem nos sujeitos, alterando os seus corpos, e fabricam os homens gays que podem ser alvo do “afeto”. E os entrecruzamentos são pouquíssimos: poucas vezes vemos um casal de homens gays em que um deles é engenheiro mecânico e o outro é vendedor de loja de departamento (as riquezas têm que se acumular dentro de um mesmo núcleo para que não se dispersem); ou em que um deles está em dia com a academia e o outro é super afeminado e tinge o cabelo de azul turquesa (o reino masculinista precisa de uma reafirmação constante, se não se desintegra). Normalmente, o que se encontra visibilizado como “casal gay”, que constitui o que acaba se tornando como o casal gay “respeitável”, é uma união necessariamente monogâmica, com idealizações de futuro familiar, com um cachorrinho, com uma carreira de vento em popa e corpos impecavelmente bisturizados pelos estereótipos de masculinidade.

E o resto se torna gente menos amável, menos alvo do desejo, menos possível para desenvolver uma relação afetiva. Não é completamente esdrúxulo que essa construção pré-encaminhada da afetividade ocorra; afinal, as pessoas constantemente (e até inconscientemente) reproduzem estruturas sociais perversas, ao mesmo tempo que essa reprodução é em algum nível sempre uma produção. Entretanto, será que realmente não podemos em alguma medida desconstruir o nosso desejo e afastá-lo dessa herança racista, classista e masculinista?

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Por que homens ‘heteros’ fazem sexo com outros homens?
   13 de maio de 2022   │     12:40  │  0

Não os chame de gays, e sim de heterossexuais flexíveis. Estão seguros de sua identidade. 

Sim, você leu certo: homens que fazem sexo com outros homens e não são homossexuais. É mais habitual do que se pode imaginar. E é bem simples: um homem heterossexual conhece outro (num bar, numa rede social, tanto faz) e eles decidem fazer alguma brincadeira sexual. E, como se não bastasse, gostam. Depois, cada um segue com sua vida perfeitamente hétero, sem que o encontro os faça duvidar da sua orientação. O que leva alguns homens a essas práticas? E por que é incorreto catalogá-los como gays?

Hoje em dia, a aceitação da diversidade sexual é muito maior do que no passado. “À medida que há uma maior tolerância, todos saímos um pouquinho dos nossos armários”, argumenta o psicólogo, psicoterapeuta e sexólogo espanhol Joan Vílchez. “Homens que não chegam a se sentir muito satisfeitos sexualmente podem ter a chance de manter relações com outras mulheres, com um homem, ou de experimentar certas práticas que em outros tempos eram mais censuradas.” Para Juan Macías, psicólogo especializado em terapias sexuais e de casal, “conceitos como heteroflexível ou heterocurioso estão permitindo aos homens explorar sua sexualidade sem a necessidade de questionar sua identidade como heterossexuais”. Por outro lado, a Internet facilita o contato, que pode ser virtual ou físico.

A orientação sexual é construída socialmente, são categorias rígidas e excludentes, com implicações que afetam a identidade individual e social”

Os especialistas acham isso a coisa mais natural do mundo, pois partem da premissa de que uma coisa é a orientação sexual de um indivíduo, e outra as práticas que ele realiza. “A orientação sexual”, explica Macías, “é construída socialmente, são categorias rígidas e excludentes, com implicações que afetam a identidade individual e social”. Forçosamente, alguém precisa se encaixar em alguma destas três classificações: heterossexual, homossexual ou bissexual. Por outro lado, “a prática sexual é mais flexível e mais livre, é um conceito descritivo. Um espaço tremendamente saudável na exploração do desejo se abre quando a pessoa se liberta da identificação com uma orientação sexual”, diz Macías.

Isso é tão natural que vem de longe. Na Roma antiga, não era raro que um homem comprometido com uma mulher mantivesse um amante. Por não falar do que acontecia nos bacanais. E jovens de todas as épocas recorreram a passatempos com uma conotação sexual difusa. “Na adolescência é bastante comum que haja jogos de certa forma associados aos genitais: ver quem urina mais longe, ver quem tem o maior, existem toques…”, diz Vílchez. “Não deixam de ser incursões homossexuais, mas ainda prepondera o modelo heterossexual, e acontecem a partir da transgressão própria da juventude”, observa o psicólogo.

Um novo modelo: SMSM

Em 2006, um estudo sobre a discordância entre comportamento sexual e identidade sexual realizado por pesquisadores da Universidade de Nova York revelou que 131 homens, de um total de 2.898 entrevistados, admitiram ter relações com homens apesar de se definirem como heterossexuais. Pelos cálculos dos especialistas, esse grupo representa 3,5% da população. Há anos, os médicos empregam a sigla HSH para se referir ao conjunto dos homens (héteros ou gays) que fazem sexo com outros homens. Mas, recentemente, aflorou outro acrônimo mais preciso para definir esse grupo: SMSM (“straight men who have sex with other men”, ou homens heterossexuais que fazem sexo com outros homens). Sites como o Straightguise.com se dedicam ao tema.

Em julho, saiu os EUA o livro Not Gay: Sex Between White Straight Men (“Não gay: sexo entre homens brancos heterossexuais”), em que a professora Jane Ward, da Universidade da Califórnia, fazia a seguinte colocação: uma garota hétero pode beijar outra garota, pode gostar disso, e mesmo assim continua sendo considerada hétero; seu namorado pode inclusive estimulá-la a isso. Mas e os rapazes? Eles podem experimentar essa fluidez sexual? Ou beijar outro garoto significa que são gays? A autora acredita que estamos diante de um novo modelo de heterossexualidade que não se define como o oposto ou a ausência da homossexualidade. “A educação dos homens tem sido bastante homofóbica. Fizeram-nos acreditar que é antinatural ter esses impulsos por outros homens”, explica Vílchez.

Experimentando, experimentando

O perfil mais estendido é o do explorador sexual: aquele a quem gosta de provar coisas novas

As motivações, logicamente, são múltiplas. O perfil mais difundido é o do explorador sexual, que gosta de provar coisas novas. “Experimentar uma relação homossexual é uma novidade para ele e, mesmo que ele goste, não podemos dizer que seja homossexual, e sim que goste dessa prática”, diz o médico de família e sexólogo Pedro Villegas. Vílchez compartilha dessa ideia. “A bissexualidade está muito na moda, e na verdade somos todos bissexuais: se você fechar os olhos, dificilmente conseguiria identificar quem está lhe acariciando, se é um homem ou uma mulher. Não há um homem que seja 100% homossexual, nem 100% heterossexual”, sentencia.

Outra das causas é um desencanto com as mulheres, frequente depois de alguns rompimentos conjugais. Vílchez explica: “Quando um casal heterossexual está em crise, é habitual que alguns homens sintam que não se entendem com as mulheres, que são incapazes de se dar bem com elas, e é como se olhassem para o outro lado. Acontece uma espécie de regressão, volta-se a um estágio anterior no qual os homens se sentiam bem juntos, como na adolescência. Em muitos casos é uma necessidade mais afetiva do que realmente sexual”.

De fato, para esse especialista, essas relações eróticas às vezes escondem uma necessidade de afeto que o homem não está acostumado a expressar. “Nos homens há muita tendência à genitalização. Entre a cabeça e os genitais há o coração, que representa os sentimentos, e os intestinos, que simbolizam os comportamentos mais viscerais e as emoções mais intensas, e é como se os homens tivessem aprendido a fazer um desvio: passamos da cabeça diretamente para os genitais, sem viver plenamente as emoções. No caso das mulheres, por tanta repressão da sua sexualidade e por medo da gravidez, acontece o contrário: elas têm muita dificuldade de genitalizar. Para um homem às vezes é mais fácil fazer isso do que expressar emoções mais sutis ou dizer a outro homem: ‘É que me sinto inseguro, tenho medo, sinto-me frágil, não sei o que quero’.”

O impulso narcisista

Entre os homens héteros que vão para a cama com outros homens também há muitos narcisistas. “É aquele sujeito que gosta que prestem atenção nele. Acontece muito nas academias de ginástica: ele gosta de despertar admiração, e não se importa se isso provém de homens ou mulheres”, aponta Eugenio López, também psicólogo e sexólogo. Outros simplesmente têm vontade de transar e recorrem a inferninhos gays, porque acham que lá será mais fácil.

Há homens heterossexuais que se envolvem com homens porque gostam; outros, por falta de alternativas – pensemos nos que são privados do contato com mulheres por períodos prolongados (será que eram mesmo gays os caubóis de O Segredo de Brokeback Mountain?). “O ser humano se rege por seus pensamentos”, argumenta López. “E, se ele acreditar que está perdendo sua sexualidade pela falta de uma mulher, pode reafirmá-la com outro homem. Costuma começar com um simples roçar.”

Se não houver conflito, não há problema

Alguns desses neo-heterossexuais podem ter sentido impulsos desse tipo no passado, mas sem se atreverem a dar o passo. “Aí vêm as circunstâncias da vida que colocam isso de bandeja e eles decidem viver a experiência, mas isso gera um conflito para eles, porque por um lado lhes proporciona prazer, mas por outro ameaça um pouco seu status e sua imagem: ‘Sou ou não sou?’, perguntam-se”, comenta Vílchez. Também podem ficar confusos aqueles que chegam ao SMSM pela carência de uma figura paterna positiva na sua infância: “Às vezes, para reforçar sua masculinidade, integram-se a atividades ‘de homens’ (futebol, musculação) ou têm contatos sexuais com outros homens, mas o que procuram é sobretudo compreensão e carinho”, acrescenta. Os psicólogos são unânimes em dizer que sua intervenção é dispensável quando essas experiências não provocam um conflito no indivíduo. “Se não estão incomodados, não há nada para tratar”, conclui Villegas.

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Dono do maior hotel gay da América Latina fecha parceria com o Bulls
   11 de maio de 2022   │     10:34  │  0

Empresário Douglas Drumond

Empresário hoteleiro e fundador da Associação Casarão Brasil, Douglas Drumond, é integrante da mais conhecida família do ramo hoteleiro em Minas Gerais, o
grupo Ouro Minas. Com sua vasta experiência hoteleira, decidiu investir em um segmento pouco explorado o qual ele se tornou precursor no Brasil, que é
hotelaria para o público LGBTQIA+.

No ano de 2012 fundou o 269 Chilli Pepper Single Hotel, cujo investimento inicial foi de cerca de 12 milhões de reais. Com o objetivo de promover encontros, entreter e proporcionar bons momentos para seus hóspedes, o hotel no qual a construção se situa numa área de 2850
metros em São Paulo, foi reconhecido pelo Guia Louis Vuitton pelo sexto ano como um dos melhores hotéis da cidade, sendo hoje considerado o maior e melhor hotel só para homens de toda América Latina.

De acordo com a associação internacional de empresas, a Out Leadership, o Pink Money como é chamado o dinheiro investido por pessoas LGBT, movimenta cerca
de R$420 bilhões por ano no Brasil, além disso são responsáveis por gerar 7% do PIB nacional.

Pensando nesse mercado, o empresário mineiro Douglas Drumond acaba de fechar uma grande parceria com o Bulls, e seu hotel será um dos grandes patrocinadores do time que pertencente à Associação da Diversidade Esportiva LGBTQIA+, dispondo de modalidades esportivas como o futebol, handebol e vôlei.

Sendo muito ativos dentro dessas modalidades, ao longo do ano os times participam de diversos eventos de campeonatos por todo o país. “Nossa ideia é sempre buscar novas parcerias nesse mercado. Gostamos de patrocinar e apoiar projetos esportivos e culturais com assuntos voltados à nossa comunidade” completa Douglas.

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Pelo direito de brincar. Deputado conservador é flagrado nu com outro homem
   6 de maio de 2022   │     13:51  │  0

Parlamentar norte-americano defendeu que estava apenas “tentando ser engraçado”, e que o vazamento foi um “golpe” contra ele.     Çei ! 😂😂😂😂😂

 

 

Um deputado do Partido Republicano dos Estados Unidos teve vazado um vídeo em que aparenta estar nu com outro homem em uma cama e se defendeu nas redes sociais, dizendo que tudo não passava de brincadeira com um amigo. Madison Cawthorn, 26, é conservador, defende ideias “masculinos” e foi eleito o parlamentar mais jovem do país. Ele alega estar sendo vítima de uma chantagem e campanha de difamação.

Em vídeo vazado e divulgado pelo American Muckrakers PAC, é possível ver o deputado, que defende pautas anti-LGBTQIA+, na cama nu com outro rapaz. “Anos atrás, neste vídeo, eu estava sendo grosseiro com um amigo, tentando ser engraçado. Estávamos agindo como tolos e brincando. É isso”, disse, em rede social. “A chantagem não vai ganhar”.

Políticos republicanos, como o congressista Paul Gosar, manifestaram apoio a Madison, dizendo que o sistema está “trabalhando duro para derrubar os leais” porque são as pessoas que o “regime mais teme”.

Segundo a TV norte-americana ABC, Cawthorn acusou colegas de partido de o convidarem para orgias, em março. O republicano também afirmou ter visto outros parlamentares usando cocaína.

O deputado passou parte de sua vida em uma comunidade batista conservadora na Carolina do Norte e, na carreira política, apostou na defesa de ideias e princípios cristãos tradicionais e na importância da masculinidade.

Madison está concorrendo à reeleição parlamentar e daqui 11 dias, em 17 de maio, ele enfrenta adversários do próprio partido para decidir quem irá concorrer ao congresso americano.

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Espetáculo Homens Pink traz relatos de gays idosos
   2 de maio de 2022   │     10:54  │  0

Casal de Idosos gay Ian McKellen e Derek Jacobi protagonistas da série Vicious (Foto: Divulgação) . O espetáculo é uma performance documental solo

Partindo de depoimentos de homens gays idosos e com uma obra que celebra o orgulho da ancestralidade LGBT+ Renato Turnes dirige, escreve e protagoniza Homens Pink. O solo, da Cia La Vaca (SC), estreiou na sexta-feira, 29 de abril, às 21h30, no Sesc Belenzinho.

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